segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Diário Espasmódico Durante Dez Dias



I.
eu começo no chão. sou eu mesmo sol. cortes de laranja no meu nariz. acorde ácido goteja no tímpano ácido. aspergir e expelir, ar deixando ar deixa estar.

II.
escuto uma caneta lei, tombada ponte derrubada, ponta caída do corpo pulseira corrente. a sanguínea imagem vê de longe pra se olhar de onde. a imagem parda parada.

III.
uma família de sonoplastia semelhante a uma onda de pavor indispensável. o tom de voz é uma armadilha em que caio. o fim de agora em diante também é uma armadilha.

IV.
estamos absortos todo ano no final de absintos fevereiro. ferve até amolecer, o removedor de molotov.
a condição de comunicação desencadeia a cinta liga em prisão de ventre.

V.
mais um dia para a coleção.

VI.
assimilai uma língua morta pela manhã em desespero. o osso é um nó dado no sexo. ao escutar o som da digestão alheia os alelos desnudam transeuntes.

VII.
1 - língua sem som; 2 - ossos dissonantes.

VIII.
castiçal é o penduricalho de fogo encontrado no escuro interior de uma melancia. um planeta inteiro em escuridão. sem pólvora polissêmica. o azar é sorte a prosódia é o presídio de segurança máxima. ali nem um dentista com um milhão de dentes no valor de dólares.

IX.
letra é um garrancho é uma tecla é uma coisa insustentável de uma garra insular no ancho do ouvido ela gruda em silêncio. escutando a cor de uma caneta na dor de uma canção a letra agachou. acho que no x encontrou hieroglífica.

X.
fica só o signo do que significa. 

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