terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Terra em Trânsito.

Sempre acontecem as mesmas coisas conforme passa o tempo. No final do ano, eu viajo para Bauru. No começo do ano, volto para Curitiba. No final de junho viajo para Bauru. No final de julho viajo para Curitiba. Eu volto de Curitiba exausto. De Bauru, volto renovado. E todos comentam... "nossa, Bauru faz bem pra você, você volta renovado". E eu concordo "nossa, Bauru me faz tão bem, eu volto renovado". E concordo tanto que até me canso de voltar renovado. Bauru foi concentrando a responsabilidade de me renovar e em Curitiba a responsabilidade de me destruir. Mas na realidade, as cidades estão em movimento uniformemente velado. Se Bauru não me renovasse eu não destruiria tudo em Curitiba. Se eu não gastasse tudo em Curitiba eu não economizaria tanto em Bauru.

Desde o ano passado eu venho produzindo teatro como nunca produzi, partindo de um estudo da espetacularidades como desdobramento do mito de Narciso (estudo que inicia na etmologia narciso-narkose-entorpecimento). 



Na verdade as cidades já estão misturadas e mutuamente influenciadas. Do contrário, seria como se eu estivesse indo de um lado para o outro sem um mínimo de produção. O que venho notando que é impossível. 

O mundo não está fácil, preciso me estruturar, e não me desestruturar em cada mudança. Os trajetos, os percursos, as viagens, as tramóias os trambiques, tem o objetivo, dentro da minha perspectiva, de estruturar minha personalidade, minha psiquê, com as minhas vivências. E eu estou escrevendo isso porque acho difícil sobreviver nesta condição de vida, onde as escolhas pessoais, as posturas pessoais, com base em experiências pessoais (a individuação, tecnicamente) não são levadas em consideração e nem influenciadas por nenhum tipo de macroestrutura. Não dá pra viver sem deixar claro para mim mesmo que estou vivo. Do contrário, não me convenço e encerro de uma vez.

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