quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

No umbigo do mundo e no centro do umbigo

Na cidade onde nasci, dois jovens morreram quando bateram de bicicleta contra um poste, descendo uma ladeira. Uma miss mundo terá suas mãos e pés amputados. A rede globo, através de câmeras escondidas denuncia mais um procedimento ilegal referente ao transporte de madeiras, desmatamento e lotes de grileiros. Um incêndio destruiu quase uma tonelada de donativos para os desabrigados pelas enchentes de Santa Catarina. O que isso tem em comum? O que tudo isso tem a ver? Por exatamente que ponto todas estas histórias se encontram? Provavelmente eu seja a única coisa em comum com estas histórias todas com as quais eu não me relaciono, mas pude presenciar hoje assintindo a apenas um telejornal. Que este circo de horrores horroriza por ser um circo de horrores, por ser um circo de horrores nosso, deve estar bem claro. Que estamos com um pouco de inveja dos Estados Unidos, com seu presidente negro, com seu sonho à um passo, também já deve estar claro.
E isso tudo dentro da minha cabeça, que pode ser a cabeça de qualquer outra pessoa, é uma cabeçada uma cabaçada, mais o som quase inconsciente que o aparelho tv ligado emite, não devem provocar efeitos muito positivos. E como assimilar tudo isso em algumas horas sentado no sofá, tomando um café, fumando (ainda) um cigarro? Eu não devo assimilar? Eu devo assimilar? Este ano se mostrará idêntico ao ano passado, idêntico, mas da minha parte, existe uma espécie de concentração, de atenção, que não pretendo desvirtuar, isto é, não devo (e é a única coisa que não devo fazer), pois é o equivalente a não existir. Portanto, ainda estando submetido a este tipo de experiência, não sei ao certo por que ainda assisto televisão, talvez eu me lembre da minha infância, e me sinta na sala dos meus pais, assintindo a tv com eles, mas minha postura é conscientemente reflexiva, abundantemente meditativa, relativamente terapêutica, invariavelmente subversiva, sobre o que está acontecendo neste momento.
Muito parecida com a postura estimulada por Gandhi aos indianos, face a incubação genocída no corpo da identidade dos habitantes, quando do colonialismo britânico. O que era na verdade, mais do que religioso e nacionalista, uma postura política, na pureza que há no termo, na origem que há no termo, uma postura política sim, em respeito a identidade, que é a mesma coisa que humanidade, que é a mesma coisa que vivência que é a mesma coisa que eu queria que acontecêsse no Brasil, em nossa atmosfera inacreditável. As barreiras de soldados, de corpos, de seres humanos indo contra os soldados inglêses, na Marcha do Sal, eram puro teatro, pura encenação irônica do que se tratava o governo britânico naquele país. Sim. Além do que se fala, do que a história fala, Gandhi foi a meu ver nitidamente um encenador político artaudiano da tragédia de se precisar ainda reacreditar na identidade, na importância da identidade, e na necessidade de iniciar uma construção desta, por meios penosos (como sempre foram, ha história de todo o mundo), mas que, como na Marcha do Sal, por exemplo, interpretou-se cruamente, na frente dos ingleses, o comportamento destes diante da identidade dos indianos, que podia ser qualquer outra identidade também, mas no caso Gandhi era um general, com base no hinduísmo, cristianismo, judaismo e no que com toda liberdade se achava necessário incrementar, que fez a India mostrar ao mundo, para fora do mundo, o que acontece em seu país (sem o eufemismo místico brasileiro): estamos indo de encontro aos soldados ingleses e morrendo, e é isto que está acontecendo com nosso país, nossa cara, nosso corpo não tem armas contra eles, não podemos continuar nesta situação. Ainda assim, somos invencíveis.
Toda a arte moderna também viveu um confronto com sua própria identidade, que aparentava ser nula, ao se questionar em todos os seus aspectos, ao ser desconstruída em todas as suas idiossincrasias, ao ser dissecada em todas as suas significâncias, ao ser dilacerada toda sua importância, veiculação, acesso, criação e bla bla bla enciclopédico... ufa... ufa porra nenhuma! Duchamp talvez também tenha feito com que a arte caminhasse na direção dos seus inimigos, sem armas à altura contra eles, e Andy Warhol talvez tenha se tornado este inimigo e passou por cima, quebrando ossos, pisoteando cabeças, esfacelando cascas de dermes de hipodermes. Este confronto também é sofrido, e até hoje este sofrimento nos pega desprevinidos, previnidos, pós-previnidos, pre-reprimidos este confronto é sofrido, como todo confronto de uma vida com sua própria identidade, quero dizer, pensar sobre si mesmo e começar a observar cada morte, cada coisa morta, cada coisa podre, cada coisa que perdeu o significado. E depois que perdemos esta inocência, ficamos totalmente desconfiados e não nos pretendemos a construir mais nada. o que faz dos artistas atuais repetidores de uma desconfiança que não lhes diz respeito mas sim que lhe dis respeita. Eu não sou um conformista, eu me respeito e respeito que está perto de mim. O que me obriga, na atual conjuntura, detonar comigo mesmo e, tão logo, com quem está perto de mim. O umbigo do mundo no centro do umbigo.
Hum... eu vendo este jornal me lembro disso... releio sobre isso... penso na novela das oito... penso no que a India é hoje, um caos, um total caos, com uma cara bem particular, que ainda não está pronto, mas é o caos deles, que eles sabem ser deles, mesmo que muito do que Gandhi ensinou e demonstrou e lutou e jejuou ter sido esquecido, esta marca está presente no caos que a India é hoje. É uma pena que estejamos tão recalcados quando falamos em nacionalismo, em supremacia, em poder, em crescimento, em drogas, em todo um caralho de coisas que não quero mais ficar mencionando e arrotando aqui. tenho mais o que fazer e creio que vocês (? hahahaha ninguém) também.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Escorregou no samba e caiu na merda

Não sei por quano tempo permanecerei longe deste blog agora em Curitiba. O computador nunca é meu. Mas pouco importa quanto tempo estarei longe dele, deixando de postar, pois ninguém lê, e os únicos que comentam são próximos demais a mim para eu considerar um blog de alguma importância. E isso em dá a liberdade de fazer o que eu quiser neste lugar. O que também pouco importa, menos ainda, já que liberdade de fazer o que quiser, em blog, é até fora de moda, é comum, todos têm todas as liberdades, não é? Desde o fim de 1984 todos tem toda a liberdade que quiserem, sem precisar esconder qualquer crítica, ou ataque, ou descontaentamento, atrás de uma admiração da figura feminina, atrás de um "apesar de você". E isso... isso também não é novidade de importância alguma...

Tenho que sair deste país, onde o sambista parece mais um equilibrista, sorrindo com cara de coitado, o sambante, o semblante de coitado... e parece que soa luso soa loser este tom equivocado, este tom estirpado, isolado, ilhado... é difícil ser ilhado, é uma sensação frustrantemente irritante, achar que me relaciono com o mundo, quando na verdade estou num simulacro. que é como o brasil se comunica comigo, em todos os aspectos. aspectos, que nas tragédias gregas, referiam-se ao rosto, aqui refere-se a uma tragédia de corpo inteiro. mande foto de corpo inteiro para... e ainda não estou falando das minhas dificuldes pessoais, mas de dificuldades geográtifas, socio-político-culturais artísticas e sei lá o que ou quem mais. estão debochando de mim e eu não estou percebendo, eu agora tenho certeza disso. É difícil pisar neste solo, que é meu, e que eu amo, com tanta dificuldade, é difícil pisar aqui... eu sinceramente não entendo. Eu devo ter escorregado na hora de sambar, e agora caí na merda, numa merda tão confusa e tão vergonhosa ao mesmo tempo.
an abashing shit.

Quanto descaso eu faço... quanto descaso... onde eu vou chegar ao final de tanto descaso... será que é um descaso mesmo? Estou pensando no blog do Gerald Thomas, onde ele escreveu um texto lindo e claro sobre o Brasil, uma crítica, como foi dito, que só quem ama, ama mesmo, tem coragem de escrever e dar a cara. Sem pseudônimos. E entre os mais de quinhentos comentários, raras exceções que demonstram algum conhecimento do que ele quis dizer, sendo a maioria destes comentários todos envolvidos no intuito de observar e atacar o que enxergam como um veneno, que é o veneno do autor idiossincrático encenador de si mesmo que é o Gerald, veneno que não contamina a intenção do texto... enfim... não

Não chega a ser um descaso meu no primeiro parágrafo não... estou notadamente num impasse inexplicável em palavras. trata-se de um vômito, muito característico das produções modernas, que hoje, e pela internet, pouco significam, mas muito explicam a impopularidade deste blog. trata-se de um vômito que pretendo organizar, é um vômito caótico desconstruído, que pretendo construir, reconstruir, já que não me interessa a exploração desconstrutivista, fragmentária, oriunda da produção moderna modernista (pensando em Brasil, Estados Unidos e Alemanha, onde o modernismo parece ter ocorrido sem sombra de dúvidas, ainda que a sombra e a dúvida sejam interessantes, mas longe da credibilidade produtiva de um processo artístico), que hoje esfacela demais a psiquê, o corpo, os olhos, os sentidos humanos já esfacelados, já desconjuntados. não me interessa. e este não me interessa talvez se dirija a academia, da qual eu participo apenas burrocraticamente... eu quero só construir uma realidade, reconstruir uma realidade, quero ainda que depois de um ataque da natureza, pousar em paz num hudson... mais uma vez um americano... é, gerald (que nunca lerá este blog), é difícil para eles enxergarem, há muita hipocrisia num solo drenado por rancor, as flores aparecem sorridentes, rebolantes, mas há muita hipocrisia no solo drenado por rancor e inveja. é difícil pisar sem escorregar neste samba.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cidade dos Lotófagos

Nesta semana faço mais uma daquelas viagens que me fazem pensar na minha esquizofrenia. Eu sei que não tenho uma esquizofrenia. Ou melhor, sei que a esquizofrenia que eu tenho, é a que todo mundo tem. Aspectos esquizofrênicos. Enfim... o diagnóstico aqui é mais uma perspectiva que uma constatação. Uma constelação. Coisas que vem acontecendo desde que a caixa de pandora deixou de ser dela, desde que laura palmer perdeu a rosa azul, desde que proteu deixou de se transformar em algum tipo de monstro e me olhou nos olhos. na verdade... isto é uma digressão. isto é uma diagramação que faço para chegar. ou para o caminho que faço para chegar. Desta vez chego em Curitiba, novamente, a Cidade dos Lotófagos.
Ou será Bauru?Onde os habitantes comem flores de lótus e dormem, num transe profundo, num entorpecimento, num ato narcótico, narcisistico, de se esquecer da vida, vivendo outra vida. Onde? Em Bauru? Então o cesto de frutas virou um cesto de flores. Um ramalhete. Só se for de ervas e cevada hahahah. Mesmo ficando em casa, sinto o ar alcoólatra e marofado de Bauru. E nestas minhas férias caseiras, como todas sempre foram, em Bauru, permaneci tentando equacionar a vida que eu levo em Curitiba com a que eu levo aqui, com a que eu criei ou fui criado aqui. De alguma forma, parece-me uma forma de auto-análise. O que você tem a ver com isso? Who Knows...o que eu sei é que este processo de observação, é fundamental na minha produção. E não faz o menor sentido, tentar dividir a minha personalidade em curitiboca e cestofrutense. E nem era isso o que acontecia. Isso aconteceria se eu estivesse com muitas mentiras de ambos os lados. Na verdade estou com muitas. Mas não dizem respeito à isso. Não interessa. Tenho que trabalhar. Tenho que voltar para curitiba e trabalhar na cidade dos comedores de lótus.
Curitiba também, onde tento crescer e não percebo que crescer não é interessante para ninguém, crescimento, conhecimento, construção não é interessante para ninguém, á não ser para quem é o executor destas posturas. E se não interessa à Curitiba que eu cresça, se não interessa a esta classe "artística" de merda o crescimento, por que eu continuo por lá? Por que eu ainda volto para esta cidade onde os lótus estão mortos congelados? Os Lotófagos de Ulisses e toda a mitologia grega e toda a literatura moderna desde joyce e todo o entorpecimento narcótico do século XX... pra que então? Pela faculdade? não, não sou tão ingênuo. Existem motivos tão absolutamente pessoais, tão absolutamente particulares, tão absolutamente idiossincráticos, que aparecem explicitamente na minha produção porcamente experimentalista. E menciono o experimental sem aludir à década de 60, ou a de 70 ou nenhuma que não seja esta. Eu não me iludo com nada suficientemente desiludido, pois esta negação esconde uma afirmativa. Referente (e não reverente) a esta época. Continuo indo e voltando em, equacionando estas experiências de modificação, ainda rasteiras, e equacionando minha produção à experiência (daí o experimentismo) de ser desta década. De ser nascido no final dos anos 80, passado a infância no ridículo vazio reciclista dos anos noventa e detonando o explosivo em mim mesmo e em quem está perto de mim na virada do século.
Os zeros de 2000 congestionaram a psiquê. Congestionada de memória e sem memória. E por mais espaços, caixas, disquetes, gigas, do que adianta guardar tanta memória se não se usa? Curitiba, guarde sua memória, seus anos de esconderíjo nazista, seus pensamentos facistas e preconceituosos num lugar muito bem guardado, pois o Límerson estou voltando.
E eu vou comer os talos de lótus até vomitá-los até o hipotálamo. até vomitá-los até o hipotálamo. e hipnotizados... e hipnotizados. Depois vou embora.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

n.a.r.k.o.s.e. der müde tod

It is loading loading loading ... wait a minute, almost complete... loading loading loading... in a few minutes you will receive... we will... that´s what I call a lovely comunication! A etmologia mostra a palavra narkose dentro da idéia de entorpecimento, referente ao que hoje conhecemos como o mito de Narciso, não aquele que se apaixonou pela própria imagem refletida no rio, que a professorinha contou para nós aprendermos mitologia grega. Mas este aqui, que está com uma dor e uma mancha vermelha nos olhos. Este que se tende a se entorpecer com aquilo que se identifica. Que tende a se entorpecer. E a identidade está com um material de divulgação fantástico. Não há como não pensar nela. E não há como pensar nela. O que isto significa? Não há como escolher ou saber se estamos agindo em nossa função ou se não. E se não, em função de quem então? Pra quem vai todo esta atenção, depositada quase como um imposto. Um pouquinho de tantos milhões.
Este Narciso narcioso que está numa crise fodida, já passou por todas as drogas de praxe, pelas não de praxe, pelas que surgem a cada semana nas baladas européias, pelo conhecimento do mundo e seu conforto uterino, pelo experiência exacerbada sexual, pela masturbação. Por tudo. Já passou por todas as formas de entorpecimento e agora está anestesiado. Em algum outro idioma narkose é anestesia. Algum idioma polaco. Aqui é tráfico. Não importa. Tudo se relaciona com uma espécie de aniquilação sensorial. Esta aniquilação que preencheu o século XX e não tem mais o que preencher no século XXI. É como falar do mesmo jeito que se falava há duzentos anos. Com os códigos de duzentos anos atrás, com as convenções de duzentos anos, com a vivência de duzentos anos. Esta fala não chega. E nem de fato sai de algum lugar. A mesma coisa acontece com a produção artística, eu imagino, e tento explorar isso com o n.a.r.k.o.s.e.. E é grafado assim no foco das perspectivas artísticas do século XXI, o século onde as profecias de Andy Warhol e Marcel Duchamp acontecem de fato. Uma sigla que ninguém sabe ao certo o que significa. Isto se significa.
A Morte Cansada, Frtiz Lang, 1921
O Sétimo Selo, Ingman Bergman, 1956

À partir daí, perde o sentido, a necessidade, os dois parágrafos de investigação semântica. E de fato, pouco importa a investigação semântica. A reinvestigação. O multiperspectivismo. Isso já importou. Hoje, será que importa? Será necessário? E até quando quem suportará tanta demolição? A palavra passou por tudo isso, dentro do que escrevi até então. E o que implica a necessidade disso para a arte? Qual o ponto principal, que prova a necessidade de tanta conceitualização, histórica, filosófica, estética, poética, de uma palavra em um ou dois idiomas, quando está se tornando difícil, extremamente difícil, encostar a cabeça no travesseiro e dormir em menos de meia uma duas horas? Em "A Morte Cansada", Fritz Lang mostra uma morte que dá mais três chances e nos enche de símbolismos mundiais, da china ao misticismo romântico (além de construir um muro sem passagem ao redor do cemitério, o que eu acho ótimo). Bergman, no filme que pretendo rever nestas férias, debocha um pouco mais da morte, and have a play with. Não sei de onde veio tudo isso nem para onde foi. O que eu significo nisso tudo é uma espécie de resultado matemático oriundo, não de erros de cálculo, mas de erros na utilização dos fatores. Como uma multiplicação sem o x, mas em cruz ( eu escrevi cruz, não +).

domingo, 4 de janeiro de 2009

House on Haunted Hill

Em House on Haunted Hill, do genial fazedor de happenings nas salas de exibição dos seus filmes, e diretor William Castle, Vincent Price (mais uma parceria que gera frutos, como Tim Burton/Jonny Deep no cinema ou Gerald Thomas/Marco Nanini em Circo de Rins e Fígados) é um milionário inteligente (auto) irônico e ciumento, que promove uma festa numa casa que ele aluga, dita mal assombrada, prometendo dez mil dólares a quem saísse vivo dela. Além disso, à meia-noite os portões serão trancados, e não existe como sair da casa.

Não não vamos pensar apenas no reality show, não vamos nem pensar em reality show, a idéia de reality show veio ofuscar o fato de passarmos por estas coisas diariamente. De nos envolvermos nos jogos dos mais poderosos constantemente. óbvio... 10 mil dólares, uma casa gigante... hum... bbb. Mas William Castle é inteligente, ele dava choque no público que assistia seus filmes no cinema. De um diretor que faz isso, só dá pra pensar uma coisa. Ele está querendo debochar de mim. Tem alguma coisa muito óbvia e eu não estou percebendo. Estão debochando de mim que eu sei.

Não... mas ninguém parece perceber. É tão entorpecente a chance de ganhar o prêmio com tão pouco tempo de esforço. É tão entorpecente a chance de provar que esta história de espíritos configura um quadro de histeria freudiano. É tão entorpecente a chance de ser uma mocinha para sempre. É tão entorpecente encher a cara de wiskie e acreditar nisso tudo. Isso tudo é tão entorpecente. E nós, que não estamos lá, vemos isso, e não nos assustamos com isso, pois hoje nada nos assusta. Há uma guerra transmitida ao vivo, na bbc, bbb, bang, caímos no poço de ácido. Uma caveira nos empurrou. Não... mas era um fantoche. Logo depois surge Vincent, com cordas nas mãos "você jogou muito bem, mas não percebeu que eu também estava jogando". Não nos assustamos. Somo esclarecidos demais para isso. No entanto não sabemos se Castle saberia que hoje House on Haunted Hill seria uma badtrip sobre a manipulação, ou se para sempre imaginou que viveria apenas assustando os outros, colocando caveiras de verdade nas salas de cinema, e a voz de Vincent Price explicando como funciona a energia do medo.

Trata-se realmente de uma grande ironia que em nada se relaciona com os reality shows, a não ser a estúpida relação que faz com uma realidade absurda. É uma ironia muito atual, uma proposta de jogo, que é um pretexto para um jogo que só diz respeito ao milionário que Vincent vive, ao marido que Vincent vive. E quando ele percebe tudo, quando seu intuito chega ao fim, percebemos isso só no final. O enredo? o jogo? o dinheiro? a caveira? o ácido? não se sabe... é melhor esquecer. sim é melhor esquecer tudo isso. o Vincent que tem no meu Formigas Glitter, que é van price. Que luta boxe e arrancou a orelha de van gogh. Que não luta boxe. Assiste Lynch e coça o buraco no lugar da orelha. Ufa... que desarranjo visual... este meu vincent não tem tantas cartas na manga assim... ele só tem o que os dois vincents van cents executaram, registrado no sistema nervoso, como uma memória única. uma memória dupla. mais uma mera memória meta. Trata-se novamente de uma grande ironia.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Uncle inside/ Reveillon glitter

Rafa e Vanessa em Formigas Glitter/2008
Foto: Chico Nigueira



Depois de um excesso de exageros (minha nossa, como consigo começar um texto assim?), não há sistema nervoso que agüente o mesmo ritmo. Na verdade, há sistema nervoso que agüente sim. Pois se não houvesse, noventa porcento dos adolescentes desta geração de adolescentes, teria sucumbido à algum colapso, diante de qualquer (e não faltam opções de quais) escolha escolher. Mas meu sistema nervoso deixou de ser o de um adolescentes, e por sorte estou longe da minha adolescência. Minha relação com esta fase vem sendo a de uma observação temporal. E o que importa? Bem, pretendo encontrar o que deu no que... Pra chegar nisso. Provavelmente não encaixarei todas as peças, mas estou numa espécie de caminho, numa espécie de produção. E estou em extinção.
O reveillon? Bem, passei conversando com meu tio, que está numa daquelas espécies de liberdade que os presos tem. Dia 5 ele volta. E foi isso, ficamos fumando, bebendo e conversando. Foi uma situação estranha. Sem ser original, ele sugeriu que eu tomasse cuidado com determinadas vivências, com determinados consumos (inclusive cuidar para ninguém bater cinza de cigarro no meu copo de cerveja pois isso pode me deixar doidinho), e toda esta conversa foi muito interessante.A condição em que ele se encontra, condição inimaginável, de vivência inimaginável, faz com uqe ele observe de forma mais ampla o que acontece no mundo. E isso é incrível pois até onde me conheço, teria me matado no primeiro dia de prisão. Ele está tentando produzir, ser mais comunicativo, menos internalizado. E ele entende a solidão que as pessoas estão sentindo e como isso é angustiante, como é angustiante tomar decisões por si só. Sempre tem alguém querendo olhar com quem você se deita, não se deita, se deleita, falos, fumos, fodas, que loucura. Que solidão. É impossível, é ignorância não observar, que aparecer com a sua própria cara no mundo, é muito dolorido, amar é tão dolorido quanto odiar, e conhecer é tão mais dolorido que desconhecer, mas reconhecer é um passo.
Conversamos também sobre a irmã dele, minha mãe, que ele insiste distraidamente em chamar de minha irmã, isto é, referindo-se a minha mãe como sendo minha irmã, quando é irmã dele, enfim... não sei, já me acostumei e sei exatamente de quem ele está falando. Da minha mãe. Do que sou mais nítido reflexo afetivo e afetado, e este conhecimento, cada vez mais amplo, cada vez mais óbvio, permite que eu caminhe anywhere. E tudo o que estou encaixando na minha vida vem sendo minha responsabilidade agora. Então ele falou da Alcione interrompendo um show em Bauru, por causa do som ruim, e eu comentei do Caetado interrompendo o VMB da mtv envergonhado ao lado do David Byrne, pra eles arrumarem aquela porra.
Tudo isso pra quê? A grosso modo , pra passar o tempo. E neste grosso modo deixo que tudo se contamine, ou melhor, vejo que tudo está contaminado. Neste ano reapresentaremos o Formigas Glitter, em Curitiba, no Festival de Teatro (a vida selvagem), junto com outros grupos com trabalhos com menos de 50 minutos, sei lá, por mim... sei que agora tenho mais vontade e interesse em arrumar e rearranjar muita, muita, muita muita muita muita coisa desarranjada. Mostrar pra Rafa com mais clareza, como vincent van price está totalmente fodido e provavelmente seja um tipo de personalidade desconjuntada in natura. Perdido numa trama da minha cabeça, envolvido com duplos, duplas, dublés de cabeleireiros apresentadores de um programa de tv sobre cabelo e arte e lesbianismo. Ainda sim, se coincidir com o show do radiohead, estarei em off. Apenas. Meu tio policial ex-policial mostrou que é isso mesmo pra mim. Tem que haver uma investigação um interrogatório uma busca uma apreensão de si mesmo. E terça ele vai e eu volto a ser o único fumante da família. Difícil.

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