terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cidade dos Lotófagos

Nesta semana faço mais uma daquelas viagens que me fazem pensar na minha esquizofrenia. Eu sei que não tenho uma esquizofrenia. Ou melhor, sei que a esquizofrenia que eu tenho, é a que todo mundo tem. Aspectos esquizofrênicos. Enfim... o diagnóstico aqui é mais uma perspectiva que uma constatação. Uma constelação. Coisas que vem acontecendo desde que a caixa de pandora deixou de ser dela, desde que laura palmer perdeu a rosa azul, desde que proteu deixou de se transformar em algum tipo de monstro e me olhou nos olhos. na verdade... isto é uma digressão. isto é uma diagramação que faço para chegar. ou para o caminho que faço para chegar. Desta vez chego em Curitiba, novamente, a Cidade dos Lotófagos.
Ou será Bauru?Onde os habitantes comem flores de lótus e dormem, num transe profundo, num entorpecimento, num ato narcótico, narcisistico, de se esquecer da vida, vivendo outra vida. Onde? Em Bauru? Então o cesto de frutas virou um cesto de flores. Um ramalhete. Só se for de ervas e cevada hahahah. Mesmo ficando em casa, sinto o ar alcoólatra e marofado de Bauru. E nestas minhas férias caseiras, como todas sempre foram, em Bauru, permaneci tentando equacionar a vida que eu levo em Curitiba com a que eu levo aqui, com a que eu criei ou fui criado aqui. De alguma forma, parece-me uma forma de auto-análise. O que você tem a ver com isso? Who Knows...o que eu sei é que este processo de observação, é fundamental na minha produção. E não faz o menor sentido, tentar dividir a minha personalidade em curitiboca e cestofrutense. E nem era isso o que acontecia. Isso aconteceria se eu estivesse com muitas mentiras de ambos os lados. Na verdade estou com muitas. Mas não dizem respeito à isso. Não interessa. Tenho que trabalhar. Tenho que voltar para curitiba e trabalhar na cidade dos comedores de lótus.
Curitiba também, onde tento crescer e não percebo que crescer não é interessante para ninguém, crescimento, conhecimento, construção não é interessante para ninguém, á não ser para quem é o executor destas posturas. E se não interessa à Curitiba que eu cresça, se não interessa a esta classe "artística" de merda o crescimento, por que eu continuo por lá? Por que eu ainda volto para esta cidade onde os lótus estão mortos congelados? Os Lotófagos de Ulisses e toda a mitologia grega e toda a literatura moderna desde joyce e todo o entorpecimento narcótico do século XX... pra que então? Pela faculdade? não, não sou tão ingênuo. Existem motivos tão absolutamente pessoais, tão absolutamente particulares, tão absolutamente idiossincráticos, que aparecem explicitamente na minha produção porcamente experimentalista. E menciono o experimental sem aludir à década de 60, ou a de 70 ou nenhuma que não seja esta. Eu não me iludo com nada suficientemente desiludido, pois esta negação esconde uma afirmativa. Referente (e não reverente) a esta época. Continuo indo e voltando em, equacionando estas experiências de modificação, ainda rasteiras, e equacionando minha produção à experiência (daí o experimentismo) de ser desta década. De ser nascido no final dos anos 80, passado a infância no ridículo vazio reciclista dos anos noventa e detonando o explosivo em mim mesmo e em quem está perto de mim na virada do século.
Os zeros de 2000 congestionaram a psiquê. Congestionada de memória e sem memória. E por mais espaços, caixas, disquetes, gigas, do que adianta guardar tanta memória se não se usa? Curitiba, guarde sua memória, seus anos de esconderíjo nazista, seus pensamentos facistas e preconceituosos num lugar muito bem guardado, pois o Límerson estou voltando.
E eu vou comer os talos de lótus até vomitá-los até o hipotálamo. até vomitá-los até o hipotálamo. e hipnotizados... e hipnotizados. Depois vou embora.

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