sábado, 17 de janeiro de 2009

Escorregou no samba e caiu na merda

Não sei por quano tempo permanecerei longe deste blog agora em Curitiba. O computador nunca é meu. Mas pouco importa quanto tempo estarei longe dele, deixando de postar, pois ninguém lê, e os únicos que comentam são próximos demais a mim para eu considerar um blog de alguma importância. E isso em dá a liberdade de fazer o que eu quiser neste lugar. O que também pouco importa, menos ainda, já que liberdade de fazer o que quiser, em blog, é até fora de moda, é comum, todos têm todas as liberdades, não é? Desde o fim de 1984 todos tem toda a liberdade que quiserem, sem precisar esconder qualquer crítica, ou ataque, ou descontaentamento, atrás de uma admiração da figura feminina, atrás de um "apesar de você". E isso... isso também não é novidade de importância alguma...

Tenho que sair deste país, onde o sambista parece mais um equilibrista, sorrindo com cara de coitado, o sambante, o semblante de coitado... e parece que soa luso soa loser este tom equivocado, este tom estirpado, isolado, ilhado... é difícil ser ilhado, é uma sensação frustrantemente irritante, achar que me relaciono com o mundo, quando na verdade estou num simulacro. que é como o brasil se comunica comigo, em todos os aspectos. aspectos, que nas tragédias gregas, referiam-se ao rosto, aqui refere-se a uma tragédia de corpo inteiro. mande foto de corpo inteiro para... e ainda não estou falando das minhas dificuldes pessoais, mas de dificuldades geográtifas, socio-político-culturais artísticas e sei lá o que ou quem mais. estão debochando de mim e eu não estou percebendo, eu agora tenho certeza disso. É difícil pisar neste solo, que é meu, e que eu amo, com tanta dificuldade, é difícil pisar aqui... eu sinceramente não entendo. Eu devo ter escorregado na hora de sambar, e agora caí na merda, numa merda tão confusa e tão vergonhosa ao mesmo tempo.
an abashing shit.

Quanto descaso eu faço... quanto descaso... onde eu vou chegar ao final de tanto descaso... será que é um descaso mesmo? Estou pensando no blog do Gerald Thomas, onde ele escreveu um texto lindo e claro sobre o Brasil, uma crítica, como foi dito, que só quem ama, ama mesmo, tem coragem de escrever e dar a cara. Sem pseudônimos. E entre os mais de quinhentos comentários, raras exceções que demonstram algum conhecimento do que ele quis dizer, sendo a maioria destes comentários todos envolvidos no intuito de observar e atacar o que enxergam como um veneno, que é o veneno do autor idiossincrático encenador de si mesmo que é o Gerald, veneno que não contamina a intenção do texto... enfim... não

Não chega a ser um descaso meu no primeiro parágrafo não... estou notadamente num impasse inexplicável em palavras. trata-se de um vômito, muito característico das produções modernas, que hoje, e pela internet, pouco significam, mas muito explicam a impopularidade deste blog. trata-se de um vômito que pretendo organizar, é um vômito caótico desconstruído, que pretendo construir, reconstruir, já que não me interessa a exploração desconstrutivista, fragmentária, oriunda da produção moderna modernista (pensando em Brasil, Estados Unidos e Alemanha, onde o modernismo parece ter ocorrido sem sombra de dúvidas, ainda que a sombra e a dúvida sejam interessantes, mas longe da credibilidade produtiva de um processo artístico), que hoje esfacela demais a psiquê, o corpo, os olhos, os sentidos humanos já esfacelados, já desconjuntados. não me interessa. e este não me interessa talvez se dirija a academia, da qual eu participo apenas burrocraticamente... eu quero só construir uma realidade, reconstruir uma realidade, quero ainda que depois de um ataque da natureza, pousar em paz num hudson... mais uma vez um americano... é, gerald (que nunca lerá este blog), é difícil para eles enxergarem, há muita hipocrisia num solo drenado por rancor, as flores aparecem sorridentes, rebolantes, mas há muita hipocrisia no solo drenado por rancor e inveja. é difícil pisar sem escorregar neste samba.

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