quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Três dias depois meu cérebro volta a funcionar

Não existe mais o menor prazer em uma balada para mim. Bom, o menor prazer sempre existe. E o maior também. Mas... não existe mais motivo leitmotiv em eu pensar em me divertir nos "bares de balada" de curitiba. As pessoas não estão preparadas para meu tipo de diversão, que é a diversão profunda. Não estão. A diversão ao extremo. Isso acontece porque é muito fácil confundir diversão ao extremo com extremismo bárbaro pitbull, não é isso. É diversão ao extremo. Eu danço ao meu extremo, eu bebo ao meu extremo eu fumo ao meu extremo con consciência, profunda consciência, sistêmica reflexão que é inerente é idiossincrática. Mas aí nós temos um problema, qual é o extremo? Ninguém com maior poder do que o das propagandas, para determinar os extremos. As propagandas são muito claras... comida para isso, comida para aquilo, produtos produtos para isso e para aquilo, supermercado hipermercado mega mercado, internet liberdade comunicação, bebidas apenas maiores e nunca motoristas... Nas propagandas o extremo a razão profunda e absoluta de adquirir tal produto está dada de forma clara e fica fácil se envolver porque eles falam bem (mais ou menos) e ...


Não existem infelizmente propagandas televisivas de baladas. Então a balada é um lugar sem objetivo definido, ninguém sabe pra que serve, ninguém sabe o que quer, ninguém sabe de nada. Como sempre foi. Quem gosta de sair sai e sabe o que é. Eu não gosto mais. Bêbado até dá pra gostar, mas minha tristeza vai além do que o cérebro pode suplantar, pois o cérebro, à essas horas, já está torrado, frito, esturricado, estacionado, silencioso.
Na balada eu me sinto desamparado sem a televisão, sem meu sofá, sem aquelas coisas de casa... E esta foi a última vez que saí numa balada. Só de entrar num barbalada eu sinto uma tristeza, acho que é a tristeza de todo mundo. E foi assim mesmo nesta última vez. No reformado james bar. Bom... vejam que estou me limitando a falar de baladas curitibanas. Sinto uma tristeza que me contamina, de tão concentrada que está. Aí vou bebendo, conversando, bebendo, conversando, bebendo, conversando, quando noto já não sei o que estou bebendo e nem o que estou conversando. Movimento-me aleatoriamente, sem nenhum gesto específico ou finalizado. Ando para todas as direções, com um copo e um cigarro na mão, procuro um canto, uma mulher, outro cigarro, outro copo, outra mulher, a música é horrível, de péssimo gosto disfarçada de juventude alternativa, danço estranhamente, como se estivesse dentro de uma bolha, dentro de uma, tudo tudo tudo é tudo muito sem parâmetro sem perspectiva o que só podia acabar num esbarrão aqui, num esbarrão em outro e em outro, alguém não se importa e o outro se importa, e quer me bater, eu já não enxergo nada na minha fresnte, ele me segura, eu consigo fugir, ele me segura de novo, eu consigo fugir de novo, ainda que ele consiga me empurrar, o que só colabora para que eu desapareça enquanto meus amigos o seguram e o segurança sei lá o que... e eu penso...
bom... não penso em nada, pois não existe espaço para isso. eu tento apenas entender o que está acontecendo enquanto vivo, executando as coisas como eu acho e aprendi e aprendo que devem ser executadas. como eu acho que acontece com a inteligência humana em todos os aspectos, na ciência, na religião e nas artes. agora... eu não posso esperar que todos se agradem com meu jeito desleixado de aprender a viver. então, se estou pra lá de bagdá, de ashkalon, de budapeste, de itapemerim, de são joão sei lá o que de curitiba james bar de onde quer que seja, eu pergunto: COMO NÃO ESBARRAR? impossível: a única resposta que me parece plausível.
mas, como disse, não são todos assim e acontecem brigas mesmo, por sorte não aconteceu, de fato, mas isso acontece mesmo, eu sinto muito se esbarrei em você, meu amigo, se molhei sua roupinha rener sei lá o que, e atrapalhei a sua azaração a sua diversão do mais novo hit de... quem? não importa. isso é o que importa. eu e você somos quem menos importa. já entendi. esse meu jeito de dançar deve ter chocado muito você, sorry baby.
por isso acho minha casa o local mais adequado para este tipo de entretenimento, se me parecer necessário, o local com melhor estrutura, pois só entram pessoas coerentes, inteligentes e compreensíveis, e minha cama está bem próxima. quer mais do que isso? bom... tem mais, mas isso fica difícil falar por aqui. ainda que ninguém leia, fica bem difícil. vamos deixar as coisas nestes termos, eu não saio mais, não saio mais, pelo menos nos próximos dez anos.

Ah, e desculpa ao pessoal do james por tentar sair sem pagar, não era por sacanagem, todos dizem isso, mas não era mesmo, eu não tinha condições... queria sair, então voltei e paguei. Tudo certo.

Um comentário:

Felipe Chaves disse...

...e o cérebro? voltou a funcionar?

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