terça-feira, 24 de março de 2009

ARTIGO DE LEO GONZALES SOBRE A ESTRÉIA DE FORMIGAS GLITTER NO FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA


FORMIGAS GLITTER no FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA - A genialidade desenhada na chatice

Para mim nada importa muito neste Festival de Teatro de Curitiba. O teatro destruiu a vida de Límerson. Eu odeio o teatro. E pouco importa ao mundo se de fato Curitiba é um filtro da cultura, e que o que faz sucesso por lá, fará sucesso no Brasil inteiro, não provando inclusive a mínima qualidade. Nada. Zero. Ilusão, pura ilusão.
Mas, neste domingo fui assistir ao espetáculo do meu amigo/inimigo Límerson, Formigas Glitter, do Núcleo Espetacular, ou Núcleo de Espetacularidades N.A.R.K.O.S.E.. Eu sei que para o pessoal do teatro a estréia é uma coisa muito delicada, muitas coisas costumam dar errado, os atores dão seus típicos pitis com a equipe técnica e no final da temporada ninguém se agüenta mais. Teatro é uma merda mesmo. Em Formigas Glitter, o texto parece ser a única via de comunicação sustentável na qual o público pode pensar em se apegar. Pode ser. Será? Com tantas repetições com pequenas variações, referências saturadas do mundo pop, textos que contextuam cenas e desmentem textos anteriores, textos que desmentem cenas, cenas que confirmam textos.
A repetição em Formigas Glitter, dos imensos e insuportáveis monólogos de Límerson, torna o espetáculo cansativo, sobretudo para aqueles que caíram na armadilha do texto ser a única coisa sustentável. É uma mentira. A base do teatro. A meia-mentira. A meia mentira que é o Festival de Teatro de Curitiba, a meia mentira que é a sigla N.A.R.K.O.S.E., a meia mentira que é Vincent Van Price, o suicidado da sociedade de Walter Benjamin (pararetrucando com artaud), onde estamos? É um império?
Não, nada está acontecendo, é o inferno. Vincent Van Price, um artista pós-moderno, vitima de uma complexa crítica, escrita por dois críticos de arte cabeleireiros que costumam fazer hamburgueres de microondas. Mas esta complexa crítica parece não ser apenas uma crítica de arte, e sim um leitmotiv para relações críticas, de crise, de final de ciclo/siglo/século. Uma crise onde nada acontece. Ou melhor, o que acontece está muito longe do que estamos vendo acontecer. Mas o que estamos vendo acontecer é exatamente o que está acontecendo. O gênio o instinto do indivíduo a idiossincrasia... são rascunhos da chatice.

Leo Gonzales

5 comentários:

desire disse...

Ah Limerson, não quero, não quero desistir do teatro! O teatro serve para ensinar! ele tem que existir! e eu não quero ter quer ignorá-lo jamais! Posso viver minha vida maravilhosa sem ele, e realmente devo ser masoquista para assistir à "tantas" (palavrinha complicada) peças e me estressar tanto (idem). Mas gosto de ir tentando tirar algo dali, tentando aprender algo com o que vejo. Enfim, um jogo de amor e ódio, de fato.

Límerson disse...

E você concorda com o artigo do Leo Gonzales?

desire disse...

não, algumas partes fazem muito sentido e tudo mais, mas não toca, sabe? então acho que não concordo não...

Límerson disse...

Leo Gonzales não toca ninguém.

Límerson disse...

desire: não, algumas partes fazem muito sentido e tudo mais, mas não toca, sabe? então acho que não concordo não...

Límerson: algumas partes do artigo de Leo Gonzales ou algumas partes do Formigas Glitter ou ambos?

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