sábado, 25 de abril de 2009

Auto-hipnose Modernista



-Feriados, feriados, feriados...
-Não, não é isso. É assim: Palavras, palavras, palavras

A infrutífera discussão entre um político trabalhista e um ator contemporâneo. Ou, a inspiradora conversa entre um marxista ortodoxo e um ator de peças gregas remontadas no clacissismo. Ou ainda, forçando ao modo pós-modernismo death, dois robôs. Um projetado pelos Krafkwerk, e o outro projetado por Larry Page e Sergey Brin. Não... muito forçado... difícil imaginar. Difícil imaginar que isso ainda não foi percebido, mas difícil imaginar que já também. É tudo tão difícil hoje, um sofrimento, bla bla bla bla, envelheci. Envelheci em questão de segundos. Vendo o robô milionário (e de garagem) Google (Estados Unidos) num combate sangrento (ou simbólico) contra os robots (Alemanha).

Não, não se associa a genialidade brasileira aqui. Exceto... claro sim... exceto se pensarmos em Augusto dos Anjos, enterrando os perdedores, os de argumento mais fraco. Os que não sabem projetar a voz para a velhinha da última fila. Os que não se alongam. Os maus atores, como Vincent Van Gogh. Os maus poetas como, bem, não vou dizer. Não gosto de poesia escrita mais. Já tentei, e por isso mesmo não gosto mais. Mas Augusto dos Anjos (paaaraaaiiibaaaannno) é o coveiro do século XX dentro do século XIX, introjetado virtualmente, virosamente no século XXI. Sonetos hahahha, sonetos... um verme sai dos olhos do soneto e gruda na lente da...

-palavras, palavras, palavras.
-isso... feriados, feriados, feriados.

Hamlet, da Dinamarca e Ham-let, do Zé Celso. José Celso Martinêz Correa. Eu penso nele no Brasil, apaixonado pelo Brasil. E na sua inteligência: é viva. O brasileiro não é vivo. Não pode ser que esteja vivo. Está? Deixa eu ver... noooosssa, está mesmo. Opa, caiu de novo. Não, Zé Celso é inteligente e é vivo. E ele usa o que parece vivo no brasileiro, pra ele ser vivo. Quem é vivo de verdade é ele. Quem é vivo de mentira é o brasileiro. Mentirinha. Por isso tem tantos atores bons no Brasil. É da nossa natureza dissimular a dissimulação. Simular a dissimulação. Dissimular a simulação. Dissolver em samba, em bossa nova, em bunda futebol e novela. Bom... samba e bossa-nova, podem fingir, mas não começou aqui. Quanto ao resto, eu não sei. Não escrevo sobre bunda. Escrevo sim:

-feriados, feriados, feriados... todos desvinculados da sua própria história. Data histórica sem história. Sem trabalho, sem faculdade, sem nada. Só descanso. E como é bom descansar. Para quem consegue deitar a bunda (pronto) levantar as pernas e não espernear... para quem não precisa nem tentar relaxar que já relaxa. . . Aparentemente não terá fim, e os feriados serão sempre presentes divinos, deux ex machina! polis ex machina! mas como todos os outros dias, não passam de datas sem história, datas com o fim recreativo do reconforto, feriado é tão bad trip quanto domingo, feriado no domingo é o fim. E quando começa o Fantástico, aí é o fim mesmo.

-palavras, palavras, palavras...


"A história é lixo na medida em que é lida para a glutinação pro-lixa insignificante", e cada vez menos memória há sobre história. claro! quem vai conseguir armazenar tudo isso? com que tempo? uns cinquenta anos de civilização talvez? uns cento e cinquenta? uns mil cento e cinquenta? ou menos? Quanto tempo vamos ter para reorganizar tudo isso, os cacos reflexivos que os anos vinte começaram a destruir na pintura e na literatura, os anos trinta e quarenta e cinqüenta no cinema, e na literatura de novo, os anos sessenta no teatro, na música, e na literatura de novo? Quanto tempo teremos para assimilar, através da nossa manca e míope psiquê? Já foi tempo o suficiente, já chega, mas ... bem... espero que seja tempo o suficiente para observarmos melhor o interessante estado hipnótico no qual nos encontramos. um interessantíssimo espisódio hipnótico. de cinquenta anos pra cá, talvez. De Marcel Duchamp pra cá. De Andy Warhol pro resto. Cópias, réplicas, tréplicas (tudo isso de novo?!?!?) transe telepático! Transe estático histórico, de um lado estético-estático, por outro lado histórico-hipnótico, repetindo sem maiores reflexões os procedimentos desconstrutivistas. Que antes se opunha à alguma coisa. E agora se opõe à que? Quem? Nem Broadway nem TBC nem Berlin Ensenble. Nada. Repetir o desconstrutivismo modernista hoje, só pode ser a hipnótica reação ao próprio hoje, ao que ainda é vivo, ao que ainda não caducou. Mario de Andrade encerra Macunaíma por que? Porque o papagaio que contava aquela história foi embora.

Os artistas também precisam de mais tempo pra ir embora, e mais dinheiro. Os picaretas sempre tem muito dinheiro, e são inteligentes. Mas os artistas (outros tipos de picaretas) precisam de dinheiro. Pena que sejam tão significativamente menos inteligentes que os picaretas. E a arte se aliou a picaretagem logo depois que se desvinculou das drogas. Quando os robôs, as máquinas vanguardistas, infectaram muitas redes, com saudosismos pollockianos e variações invariáveis. O modernismo nos hipnotizou, astutamente. Muito tempo passou para que o hipnotismo fosse mais da nossa época que da passada. Virou auto-hipnose. Isso porque muito tempo passou, mas o pensamento fragmentário, gerative modernista, de oposição, hoje não se opõe a mais nada. Só opõe a bunda (novamente) na cadeira e "concebe" mais um projeto. "Concebe" porque é como um parto encomendado, sem genética, nem milenaridade, nem mitologia, nem trauma. Sem porra nenhuma. "Concebe", entre aspas. Fakeado. Inseminação artificial. E Cristianismo, por que não?

-E onde está o pessoal sagaz que percebe isso?
-Hahahaha, nos bares... sempre nos bares.
-Eu devo duas cervejas para você não devo?

límerson

P.S.: COOL DESIRE

domingo, 19 de abril de 2009

MILÊNIOS DE ACULTURAMENTO E AMADURECIMENTO DA RAÇA HUMANA METONIMIZADOS NO CINZEIRO FLUTUANTE



Milênios de aculturamento e amadurecimento da raça humana metonimizados no cinzeiro cheio em um foco fechado, de dentro do introspectivismo subliminarmente comunicante que permeia a observação a auto-observação e a transformação. Não é no GoogleMaps no Google Earth no Google Talk (o chat mais inútil da internet, segundo Felipe Chaves), ou no Google Images que vamos encontrar a lista ideal da idéia ideal que nossa idéia de ideal metonimiza. O esforço vem sendo um esfacelamento energético. Os tópicos estão sendo apontados, mas por que dedos, se nossas mãos estão fechadas. Minhas pernas ficam para cima, em busca dos céus, ou de bibliotecas britânicas, mas todo esse engano é uma contingência do estado incômodo de "não-geração".


Isso ainda incomoda!! A não-geração em que vivemos não gerará enquanto se esforçar no sentido de um coito puramente e putamente ideológico e teorizante. Precisávamos de uma desorganização do pensamento sim. Agora precisamos de uma reorganização, à partir dos cacos milimétricos, e pungentes, resultantes de sabe-se lá o que ditos nos livros históricos. Nós também somos históricos, mas nossa história não parece que vai ultrapassar os trinta anos. E não ultrapassará, na medida em que insistirmos no "nosso movimento", no "nosso coletivo", na nossa geração. Geração é o caralho! Geração... eu rio enquanto escrevo geração, porque me lembro do Walace, (o grande ator que, não menos cômico, parou de atuar) que era parte do Double Wilson (vou escrever mais sobre as peças do n.a.r.k.o.s.e. em outro post). Até os vinte e cinco, vinte e sete, enfim, sem chegar nos trinta, nossas espectativas estão saturadas de espectativas... que pro-lixo.

Tentamos, na medida do possível, na nossa medida, fazer o que podemos, fazer o que não podemos. Existem os que ainda fazem os que poderiam e ponderariam a tese. Mas a arte deve ter uma subjetividade para existir. Para existir uma subjetividade, basta um cérebro, uma pessoa com cérebro, uma pessoa usando o cérebro e observando o próprio uso, imersa num processo de materialização. Para existir a materialização, precisa-se de material. E o material? Aí é que temos que juntar tudo, conforme nossa míope topeirice decidir, intuir, desejar, almejar. Isso é básico. É filosófico. Mas Estética? hoje? nem na faculdade. Porque a grande luta na faculdade sempre é temporal. Existem ainda faculdades com crises espaciais, sem estruturas físicas para trabalhar, mas a grande crise, a grande frustração sempre é temporal. O tempo gasto para chegar até lá e... nada. O pouco tempo, digamos, seis meses, para um aparato geral da filosofia para... nada. Tudo nada, sempre?

Lógico que não. Ilógico que não. E é só parte do que eu aglutino agora no Loading, o novo projeto do n.a.r.k.o.s.e., vinculado à academia. Fora isso, todo o rebuliço histórico, o desconcerto histórico, o desconcerto de Heródoto Barbeiro. Já leram um livro do Heródoto Barbeiro? Já assistiram à um jornal apresentado por Heródoto Barbeiro? A história é lixo na medida em que é lida para a glutinação pro-lixa insignificante. Ler história na verdade sempre foi deliberadamente uma atitude auto-reflexiva, em amplos estados de significação.
E como esse blog se chama Límerson, a irônica poesia da vida, um repetitivo apanhado global em aberto, com significações em aberto... bem, estou procurando pelo livro Mitologia Pessoal, que só consegui encontrar em fragmentos:

"Perceber que se está vivendo de uma forma mítica equivale a compreender sua vida como um drama em evolução, cujos significados vai além de seus interesses diários. É apreciar mais e mais suas raízes culturais e ancestrais. Viver segundo um padrão mítico consiste em buscar orientação em seus sonhos, imaginação e outras reflexões do seu interior, bem como nas pessoas, nas práticas e instituições mais inspiradoras da sua sociedade. Viver miticamente também é cultivar uma relação cada vez mais profunda com o universo e seus grandes mistérios". (David Feinstein e Stanley Krippner - Mitologia Pessoal)

Diferente da abordagem auto-ajuda que a escrita em primeira pessoa pode parecer, este estudo meu pretende preencher alguns vazios de procedimentos, vazios organizativos, que costumam aparecer em alguns trabalhos meus, sejam teatrais, literários, ou este blog. Preencher com o que? Comigo mesmo. Mas em formações, em gestalts, elaboradas em níveis mais comunicativos, de acordo com a produção a qual eu estiver engajado. Esta referência sempre foi muito importante, e uma das minhas primeiras referências, quando conheci Márcio Pimentel, e a gestalt dele em seus trabalhos, por meio de um interessantíssimo e exaustivíssimo e superlativíssimo curso no SESC. Foi uma experiência de parto-gestativa retroativa. E cíclica. Um vírus. Uma Praga.

Estes e outros livros andam embaixo do meu braço, de forma simbólica, enquanto caminho até o ponto de ônibus e, sem o mínimo, o resquício, a nesga de ânimo de que necessitava, vou à Faculdade de Artes do Paraná, um lugar onde conheci quatro ou cinco pessoas que para sempre farão parte, e terão significado in progress no meu trabalho. Mas a mitologia pessoal parece ser aquilo que me norteia antes de começar qualquer coisa. É alguma noção que está em constante aplicação, inclusive nos meus momentos de deliberada inação. O teatro necessita da espetacularidade, de alguma coisa que precisa ser vista por alguém, ou de alguém que precisa ver alguma coisa, não sei ao certo. O que eu sei é que sempre se levanta um véu avelulado, um velvet underground, e naturalmente, algo de traumatizante aparece. Não me movo. Não me movo. Não me movo.

Límerson, 18 de abril, 2009
CURITIBA

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Desaprendemos a explorar nossa merda de crise no mundo + Reportagem sobre Formigas Glitter

"Crítica: Experimentalismo crítico

Formigas Glitter é confuso, mas faz críticas contundentes
Reportagem Elisa Barbieri
Edição Rafael Rodrigues
 Cabeleireiras -ou críticos de arte- confundem o público no TUC
Cabeleireiras -ou críticos de arte- confundem o público no TUC (Elisa Barbieri)

Parte integrante do Coletivo de Pequenas Histórias teatros experimentais de curta duração —, Formigas Glitter, apresentado na tarde da última terça-feira, é tão nonsense quanto o seu título. Duas cabeleireiras ou críticos de arte que entraram em crise por serem muito parecidos podem (ou não) ter cortado a orelha de um artista importante. A orelha cortada pode ser do showman Vincent Van Price ou de Vincent Van Gogh. Eis uma trama pouco comum.

Sem cenário, mas com um figurino e maquiagem marcantes e som mecânico, todo o sentido (ou confusão) da montagem é dado pela atuação de vários atores que representam, aparentemente, os mesmos personagens. Mas as críticas feita pela peça não se perdem nas aleatoriedades.

A peça fala de pessoas famosas e reconhecidas que não fazem jus às qualidades atribuídas a elas: cada vez mais pessoas sem talento são consideradas grandes e importantes artistas. Fala também de traumas infantis: essa, que deveria ser uma fase de descobertas, acaba sendo uma fase de cobranças. “Você não sabe, você não estudou, você não se dedicou, você não deu o seu melhor”, diz um trecho.

Mas, no final, o que o espetáculo mostra é a impotência da sociedade diante dessas coisas. Faz questionamentos sobre um mundo que não quer saber a verdade. “O que você pode fazer a não ser ficar em silêncio? O que você pode fazer a não ser o que já está fazendo?”, provoca o texto. Denunciando a apatia do ser humano, que abaixa a cabeça para tudo, o elenco se despede. Sem explicar de quem era a orelha e se, de fato, ela foi parar num urinol."

e no blog eoutraspreliminares.blogspot.com
desire comentou vagamente que odiou a peça, e por causa disso, foi bombardeada por uma porção de opiniões, tão relativas quanto as dela, mas com uma diferença. uma espécie de purismo nas opiniões fazia com que aquilo soasse incômodo. uma espécie de juízo de valor da diferenciação,do tipo "você não entende nada disso, então não pode opinar". não concordo. só porque ela não entende de teatro (meu deus... entender de teatro... não me façam rir...) ela não pode falar? e por que não? e por que não? sei que foi muita gente que gostou da peça, que às vezes mais pra defender do que pra conversar, que acabou se jogando encima dela pra derrubar os argumentos. mas na internet? na internet ninguém derruba ninguém. aqui todos nós somos gênios, não é assim? e não existe intenção nenhuma pré-definida, não é isso? ou não é isso? e aquilo virou uma infinita e desnecessária polêmica, que serviu mais para divulgar a peça, e para eu entrar em contato com a Desire, do que para esclarecer alguma coisa sobre teatro ou sobre nós.
eu ainda prefiro descobrir quem é a Desire. assim como queria descobrir quem é a Elisa Barbieri, que fala que "cada vez mais pessoas sem talento são consideradas grandes e importantes artistas". mas eu não sei quem assiste teatro em Curitiba... sinceramente não sei.
eu venho do interior de são paulo. Bauru. um reduto de junkies e gênios perdidos. quem vai ao teatro em Bauru? ninguém... quem faz teatro em Bauru? alguns... por que ainda estão em Bauru? Não sei. Quem vai ao teatro em São Paulo? Um pessoal que não agüenta mais nada, que já viu gente fazendo Puck, gente fazendo Lucky, gente se cortando, gente babando, gente se filmando, dançando, jogando pneus, cagando, mijando... uma pequena nova iorque, onde tem uma espécie de público para tudo, ainda que não seja "aquela maravilha". Mas nada fica vazio. Em Bauru fica vazio, porque não tem público específico. Em São Paulo sempre tem alguém com alguém que sabem muito bem onde meter os pés. E em Curitiba?
Vazio, vazio, vazio, quase da mesma forma que Bauru. Claro que tem gente! Um dia ou outro. Sim. Com uma boa divulgação, como foi a organização do Tiago e do Pablito, sim... claro. Mas e fora do Grande Festival Mundial de Teatro de Curitiba? Quem continua montando peças e quem continua indo? Pouco sabemos. Sabemos bem a cara do público das peças apresentadas pela Máscaras. E sabemos bem quem são eles. E eles também sabem bem quem são eles, e por isso é o grupo melhor estruturado por aqui. Este que todos os envolvidos na "cena alternativa" apedrejam, estes sabem muito bem o que estão fazendo. É muito fácil meter a boca no Fiani. Mas o que fazer?
A Cia Silenciosa tem uma espécie de público específico às suas produções, mas tem uma inteligência muito além deste público específico. Isto faz com que eles sejam muito bons para o seu público, um conjunto de "indies, deslocados, junkies, andrógenos e loucos", e também consigam se comunicar com qualquer pessoa que pense no que estão fazendo, que vejam, que olhem, o que estão fazendo. Los jogadores provechosos são esse pessoal da Cia Silenciosa. No entanto, penso eu que, uma hora ou outra, não caberão mais em Curitiba, à não ser que busquem com isso o conforto e a comodidade, dos marginais tv à cabo, dos gênios andrógenos, dos junkies lariquentos, dos indies perdidos. E mais, achei do caralho Los Juegos Provechosos! Na frente do McDonalds, bonecos, wet T-shirt and Leo Glück falling... feeling mesmo. A melhor coisa parecida com peça de rua no Festival de Teatro de Curitiba.

E até onde vai tudo isso? Até quando vai durar este Festival de Teatro, antes que alguém o exploda, sabote ou boicote? Não creio que dure o suficiente até nossa desorganização juvenil que se diz de opiniões fortes tomar alguma atitude. Podem se reunir em seus coletivos ridículos, que nada significam, para decidir o futuro da vanguarda do movimento revolucionário. Eu vou ficar na minha casa, me acabando no (down)Loading, meu mais novo projeto, envolvido com a academia (e espero que o último), ou simplesmente dividindo um cigarro com alguém.
Depois do artigo, da Desire, da Elisa, do Formigas, de Bauru, de Curitiba acho sinceramente que é mais viável ao artista o nomadismo, sobretudo no período da juventude, mesmo que seja pra afirmação do conhecimento. No mínimo isso é conhecimento de verdade. Estar em todos os lugares possíveis de estar. Acho que nós teremos sempre que dar o fora daqui, Desire. Ou eu terei sempre que dar o fora daqui. Começou assim, em Bauru, e creio que permanecerá assim por um longo tempo. O artista ocupa o mundo onde vive sofrendo, e se diverte com aquilo que ninguém vê. Afinal, o que é aquilo que ninguém vê hoje? Possivelmente aquilo que alguém está escondendo. O artista de hoje desaprendeu a explorar sua merda de crise no Mundo. E aprendeu a ser explorado no Mundo da crise de merda.

sábado, 11 de abril de 2009

No money no fun!

Curitiba - Não há mais muito o que fazer além de se enfiar dentro dos becos dos guetos das gangues e das turmas (as mais do mal o possível) e aparentar alguma afinidade. É uma tristeza lamentável de se chorar. Mas é o que fazer. "É uma desgraça, mas é assim". Não há mais muito o que fazer além de se enfiar nos bares nos shows nos recitais nos teatros nas galerias e nas casas dos amigos. E acertar e errar e mostrar que o que estamos por fazer é o que já estamos fazendo. Não existe maneira de fugir disso. O que você pode fazer a não ser o que você já está fazendo?

De dentro do buraco do vazio da distância histórica e do raso da superfície estamos nós. Os que tiveram a adolescência estuprada por tudo o que comentei no post anterior. Vale ler o anterior agora para iniciar a leitura deste. Nos não éramos adolescentes nos anos 60 nem nos anos 70 nem nos anos 80 e nem (o que acho um alívio) nos anos noventa. Nada. A história de adolescência e independência e revolta que tivemos foi a da euforia web. E possivelmente não começaremos nada. Ou melhor, não começaremos nada se não começarmos alguma coisa. Mas não começaremos nada, porque o medo de começar, o medo de transpor a crise (que é o final de um ciclo) é um medo análogo ao do parto. É um trauma. E a única coisa que podemos fazer é ir juntando os pedaços da nossa forma. Da mesma forma que a internet "uniu" o mundo na tela do computador, pretendemos fazer nossa própria junção destes pedaços. Sem a mínima condição de sermos espetaculares só nos resta, quer dizer, só me resta a tosqueira e a podridão de tudo o que sobrou. A minha imensa podridão. A minha porção em putrefação. E do que estou falando, afinal? Estou falando da necessidade de fazer alguma coisa. Estou falando de como se chega ao ponto de dizer "estou fazendo alguma coisa", ou "estou trabalhando". Até que ponto é viável envolver meu nome, minha personalidade, e meu raciocínio naquilo que NÃO ME INTERESSA?

terça-feira, 7 de abril de 2009

PRIMEIRA CERIMÔNIA DE ENTERRO DO SÉCULO XX

Curitiba - Não estou interessadoem propor nenhuma revolução, nem qualquer tipo de movimento, ou determinar alguma espécie de grupo artistico, com esta e aquela e aquilo de pertinência com o século XXI. No entanto, vamos encarar alguns fatos que deveriam servir de estrutura, deveriam compor a estrutura mental, para o que fazemos hoje. Isto é, vou provavelmente descrever parte da organização que EU venho fazendo da história, da política, da filosofia e das artes, dentro da minha produção.
As drogas dos anos sessenta, o espírito de grupo dos anos sessenta, a união dos anos sessenta, a liberdade dos anos sessenta... a eletricidade do século XX, a desconstrução do século XX, a fragmentação do século XX... nada disso... tudo disso... acabou. Nós não temos acesso mais palpável que o histórico. Nós? Que nós? Aqueles com vinte e poucos anos. Estamos com o cu na mão, quer dizer, eu não tenho pai que banque tudo o que eu quero, então estou com o cu na mão. Nós não trabalhamos, isto é, eu já fiz infinitas entrevistas de emprego, e todas só fizeram consumir minha energia, meu tempo, e minha vontade. Estamos consumidos e precisamos fazer alguma coisa.Boa sorte e sucesso para quem entrou na mais nova seção de telemarketing da BrasilTelecom, mas agora eu quero falar de verdade sobre ofício.

Não, eu quero falar sobre rock´n roll. A música se deixou incorporar, os músicos se deixaram incorporar pelo espírito rock. O mundo das drogas foi muito mais próximo do mundo das artes. E os artistas se foderam, se mataram, se estupraram. No passado. Hoje isso não cola mais. A construção, a reorganização das linguagens artísticas já está acontecendo. Já deveria estar acontecendo, melhor dizendo. Por isso que eu acho, não não acho nada. Mas assim como não dá mais pra assistir a um Esperando Godot com dois caras de chapéu coco (côco? cocô? como ficam os acentos agora agudos?), discutindo sua imersão histórica (estupidamente histórica) no tédio (o mesmo tédio, o mesmo nada pós guerra), também não dá pra assistir... bom... assistir... assistam o que quiserem. Eu estou falando de Curitiba, no Paraná, a utopia européica do Brasil. Por favor, gente, aqui é só na base do edital? E o que acontece além do projeto escrito, e o que você faz melhor do que o projeto escrito? Quer dizer... aprender a escrever projetos? Fuck man! Se tudo depende muito de quem vai avaliar os projetos... não é uma coisa muito dependente? Muito relativa? Anti-relativa, na verdade, já que relativiza na mente séculovintista.

Os junkies fodidos perdidos em cidades do interior em são paulo em curitiba em bares cheirando bebendo até morrer se nada acontecer depois dos trinta anos. São os que tiveram a sua adolescência estrangulada pela espectativa da virada do século. Os que fizeram 13 anos no ano 2000. Não há salvação para vocês. Deve ter sido a geração adolescente mais genuinamente duplicadamente pressionada pela espectativa da insegurança e da raiva que do semém ao útero ao sangue e a podridão contamina. Tudo se contaminou no vosso corpo adolescente neste período. Os primeiros microcomputadores no Brasil...

Fora todo este bla bla bla de geração que acabo (que acabou) de fakear... A mania de falar em algum tipo de nós, é só um recurso lingüístico, a polêmica blogueira. Provavelmente, depois de dormir tanto, por tantos dias, meu cérebro parece estar se organizando com mais habilidade. Venho retomando leituras. Mas fora isso,

está na hora de enterrarmos o século vinte, isto é, estamos nos esforçando por isso.

que tal? no final de maio meu próximo evento n.a.r.k.o.s.e./junkie house será a

PRIMEIRA CEROMÔNIA DE ENTERRO DO SÉCULO XX

(espero vocês por lá, sejam vocês quem forem)

E no final do mês estou colocando o Leo Gonzales na festa-cabaret do Elenco de Ouro

domingo, 5 de abril de 2009

Contra-Capa



"E lá, ao lado de nós sabemos quem, está Límerson, poeta-xamã, poeta-pederasta, poeta-mestre-do-Delírio, Deus dos corpos e almas adolescentes. Poeta celebrador da poesia surrealista e da beat generation, das orgias comunitárias, dos encontros casuais, da paixão e do xamanismo".

Felipe Chaves

sexta-feira, 3 de abril de 2009

CREEPY BUT COOL

Loading... wait a minute, please...

INFORMANTE: Senhor... a crise continua a causar grandes danos, senhor.
SENHOR: Você pode falar no meu idioma, por favor, quantas vezes eu vou ter que pedir isso?

INFORMANTE E SENHOR SE OLHAM

INFORMANTE: Como sabemos a crise pode indicar o final de algum tipo de ciclo.
SENHOR: Onde eu estacionei meu carro? Onde eu estacionei meu carro? Onde?
INFORMANTE: Na garagem, senhor. Do lado de dentro. Sob a proteção do lar.
SENHOR: Isso é confortante. Eu estava mesmo pensando nisso que você falou agora. Exatamente nisso que você falou exatamente agora. Tenho que me retirar.
INFORMANTE: Mas senhor...
SENHOR: Não importa. Tenho que me retirar. Vou largar tudo. Vou parar com tudo. Vou mudar. Vou dar o fora. Eu tenho que fazer isso. Agora.

O SENHOR JUNTA ALGUNS PAPÉIS. DEIXA CAIR ALGUNS PAPÉIS. E SAI.

O INFORMANTE CANTA CHORANDO ENQUANTO ENTRAM ALGUMAS PESSOAS COM COMPORTAMENTOS PRIMITIVOS

INFORMANTE (chorando e cantando): 1-2-3
If you close the door, the night could last forever
Keep the sunshine out and say hello to never
All the people are dancing and they're havin such fun
I wish it could happen to me
but if you close the door, I'd never have to see the day again.
If you close the door, the night could last forever,
Leave the wineglass out and drink a toast to never
Oh, someday I know someone will look into my eyes
and say hello -- you're my very special one--
but if you close the door, I'd never have to see the day again.
Dark cloudy bars
Shiny Cadillac cars
and the people on subways and trains
Looking gray in the rain
As they stand disarrayed
All the people look well in the dark
And if you close the door, the night could last
forever.
Leave the sunshine out and say hello to never
all the people are dancing and they're having such fun
I wish it could happen to me
'Cause if you close the door, I'd never have to see the day again.
I'd never have to see the day again.
(once more)
I'd never have to see the day again.

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