sábado, 25 de abril de 2009

Auto-hipnose Modernista



-Feriados, feriados, feriados...
-Não, não é isso. É assim: Palavras, palavras, palavras

A infrutífera discussão entre um político trabalhista e um ator contemporâneo. Ou, a inspiradora conversa entre um marxista ortodoxo e um ator de peças gregas remontadas no clacissismo. Ou ainda, forçando ao modo pós-modernismo death, dois robôs. Um projetado pelos Krafkwerk, e o outro projetado por Larry Page e Sergey Brin. Não... muito forçado... difícil imaginar. Difícil imaginar que isso ainda não foi percebido, mas difícil imaginar que já também. É tudo tão difícil hoje, um sofrimento, bla bla bla bla, envelheci. Envelheci em questão de segundos. Vendo o robô milionário (e de garagem) Google (Estados Unidos) num combate sangrento (ou simbólico) contra os robots (Alemanha).

Não, não se associa a genialidade brasileira aqui. Exceto... claro sim... exceto se pensarmos em Augusto dos Anjos, enterrando os perdedores, os de argumento mais fraco. Os que não sabem projetar a voz para a velhinha da última fila. Os que não se alongam. Os maus atores, como Vincent Van Gogh. Os maus poetas como, bem, não vou dizer. Não gosto de poesia escrita mais. Já tentei, e por isso mesmo não gosto mais. Mas Augusto dos Anjos (paaaraaaiiibaaaannno) é o coveiro do século XX dentro do século XIX, introjetado virtualmente, virosamente no século XXI. Sonetos hahahha, sonetos... um verme sai dos olhos do soneto e gruda na lente da...

-palavras, palavras, palavras.
-isso... feriados, feriados, feriados.

Hamlet, da Dinamarca e Ham-let, do Zé Celso. José Celso Martinêz Correa. Eu penso nele no Brasil, apaixonado pelo Brasil. E na sua inteligência: é viva. O brasileiro não é vivo. Não pode ser que esteja vivo. Está? Deixa eu ver... noooosssa, está mesmo. Opa, caiu de novo. Não, Zé Celso é inteligente e é vivo. E ele usa o que parece vivo no brasileiro, pra ele ser vivo. Quem é vivo de verdade é ele. Quem é vivo de mentira é o brasileiro. Mentirinha. Por isso tem tantos atores bons no Brasil. É da nossa natureza dissimular a dissimulação. Simular a dissimulação. Dissimular a simulação. Dissolver em samba, em bossa nova, em bunda futebol e novela. Bom... samba e bossa-nova, podem fingir, mas não começou aqui. Quanto ao resto, eu não sei. Não escrevo sobre bunda. Escrevo sim:

-feriados, feriados, feriados... todos desvinculados da sua própria história. Data histórica sem história. Sem trabalho, sem faculdade, sem nada. Só descanso. E como é bom descansar. Para quem consegue deitar a bunda (pronto) levantar as pernas e não espernear... para quem não precisa nem tentar relaxar que já relaxa. . . Aparentemente não terá fim, e os feriados serão sempre presentes divinos, deux ex machina! polis ex machina! mas como todos os outros dias, não passam de datas sem história, datas com o fim recreativo do reconforto, feriado é tão bad trip quanto domingo, feriado no domingo é o fim. E quando começa o Fantástico, aí é o fim mesmo.

-palavras, palavras, palavras...


"A história é lixo na medida em que é lida para a glutinação pro-lixa insignificante", e cada vez menos memória há sobre história. claro! quem vai conseguir armazenar tudo isso? com que tempo? uns cinquenta anos de civilização talvez? uns cento e cinquenta? uns mil cento e cinquenta? ou menos? Quanto tempo vamos ter para reorganizar tudo isso, os cacos reflexivos que os anos vinte começaram a destruir na pintura e na literatura, os anos trinta e quarenta e cinqüenta no cinema, e na literatura de novo, os anos sessenta no teatro, na música, e na literatura de novo? Quanto tempo teremos para assimilar, através da nossa manca e míope psiquê? Já foi tempo o suficiente, já chega, mas ... bem... espero que seja tempo o suficiente para observarmos melhor o interessante estado hipnótico no qual nos encontramos. um interessantíssimo espisódio hipnótico. de cinquenta anos pra cá, talvez. De Marcel Duchamp pra cá. De Andy Warhol pro resto. Cópias, réplicas, tréplicas (tudo isso de novo?!?!?) transe telepático! Transe estático histórico, de um lado estético-estático, por outro lado histórico-hipnótico, repetindo sem maiores reflexões os procedimentos desconstrutivistas. Que antes se opunha à alguma coisa. E agora se opõe à que? Quem? Nem Broadway nem TBC nem Berlin Ensenble. Nada. Repetir o desconstrutivismo modernista hoje, só pode ser a hipnótica reação ao próprio hoje, ao que ainda é vivo, ao que ainda não caducou. Mario de Andrade encerra Macunaíma por que? Porque o papagaio que contava aquela história foi embora.

Os artistas também precisam de mais tempo pra ir embora, e mais dinheiro. Os picaretas sempre tem muito dinheiro, e são inteligentes. Mas os artistas (outros tipos de picaretas) precisam de dinheiro. Pena que sejam tão significativamente menos inteligentes que os picaretas. E a arte se aliou a picaretagem logo depois que se desvinculou das drogas. Quando os robôs, as máquinas vanguardistas, infectaram muitas redes, com saudosismos pollockianos e variações invariáveis. O modernismo nos hipnotizou, astutamente. Muito tempo passou para que o hipnotismo fosse mais da nossa época que da passada. Virou auto-hipnose. Isso porque muito tempo passou, mas o pensamento fragmentário, gerative modernista, de oposição, hoje não se opõe a mais nada. Só opõe a bunda (novamente) na cadeira e "concebe" mais um projeto. "Concebe" porque é como um parto encomendado, sem genética, nem milenaridade, nem mitologia, nem trauma. Sem porra nenhuma. "Concebe", entre aspas. Fakeado. Inseminação artificial. E Cristianismo, por que não?

-E onde está o pessoal sagaz que percebe isso?
-Hahahaha, nos bares... sempre nos bares.
-Eu devo duas cervejas para você não devo?

límerson

P.S.: COOL DESIRE

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