domingo, 19 de abril de 2009

MILÊNIOS DE ACULTURAMENTO E AMADURECIMENTO DA RAÇA HUMANA METONIMIZADOS NO CINZEIRO FLUTUANTE



Milênios de aculturamento e amadurecimento da raça humana metonimizados no cinzeiro cheio em um foco fechado, de dentro do introspectivismo subliminarmente comunicante que permeia a observação a auto-observação e a transformação. Não é no GoogleMaps no Google Earth no Google Talk (o chat mais inútil da internet, segundo Felipe Chaves), ou no Google Images que vamos encontrar a lista ideal da idéia ideal que nossa idéia de ideal metonimiza. O esforço vem sendo um esfacelamento energético. Os tópicos estão sendo apontados, mas por que dedos, se nossas mãos estão fechadas. Minhas pernas ficam para cima, em busca dos céus, ou de bibliotecas britânicas, mas todo esse engano é uma contingência do estado incômodo de "não-geração".


Isso ainda incomoda!! A não-geração em que vivemos não gerará enquanto se esforçar no sentido de um coito puramente e putamente ideológico e teorizante. Precisávamos de uma desorganização do pensamento sim. Agora precisamos de uma reorganização, à partir dos cacos milimétricos, e pungentes, resultantes de sabe-se lá o que ditos nos livros históricos. Nós também somos históricos, mas nossa história não parece que vai ultrapassar os trinta anos. E não ultrapassará, na medida em que insistirmos no "nosso movimento", no "nosso coletivo", na nossa geração. Geração é o caralho! Geração... eu rio enquanto escrevo geração, porque me lembro do Walace, (o grande ator que, não menos cômico, parou de atuar) que era parte do Double Wilson (vou escrever mais sobre as peças do n.a.r.k.o.s.e. em outro post). Até os vinte e cinco, vinte e sete, enfim, sem chegar nos trinta, nossas espectativas estão saturadas de espectativas... que pro-lixo.

Tentamos, na medida do possível, na nossa medida, fazer o que podemos, fazer o que não podemos. Existem os que ainda fazem os que poderiam e ponderariam a tese. Mas a arte deve ter uma subjetividade para existir. Para existir uma subjetividade, basta um cérebro, uma pessoa com cérebro, uma pessoa usando o cérebro e observando o próprio uso, imersa num processo de materialização. Para existir a materialização, precisa-se de material. E o material? Aí é que temos que juntar tudo, conforme nossa míope topeirice decidir, intuir, desejar, almejar. Isso é básico. É filosófico. Mas Estética? hoje? nem na faculdade. Porque a grande luta na faculdade sempre é temporal. Existem ainda faculdades com crises espaciais, sem estruturas físicas para trabalhar, mas a grande crise, a grande frustração sempre é temporal. O tempo gasto para chegar até lá e... nada. O pouco tempo, digamos, seis meses, para um aparato geral da filosofia para... nada. Tudo nada, sempre?

Lógico que não. Ilógico que não. E é só parte do que eu aglutino agora no Loading, o novo projeto do n.a.r.k.o.s.e., vinculado à academia. Fora isso, todo o rebuliço histórico, o desconcerto histórico, o desconcerto de Heródoto Barbeiro. Já leram um livro do Heródoto Barbeiro? Já assistiram à um jornal apresentado por Heródoto Barbeiro? A história é lixo na medida em que é lida para a glutinação pro-lixa insignificante. Ler história na verdade sempre foi deliberadamente uma atitude auto-reflexiva, em amplos estados de significação.
E como esse blog se chama Límerson, a irônica poesia da vida, um repetitivo apanhado global em aberto, com significações em aberto... bem, estou procurando pelo livro Mitologia Pessoal, que só consegui encontrar em fragmentos:

"Perceber que se está vivendo de uma forma mítica equivale a compreender sua vida como um drama em evolução, cujos significados vai além de seus interesses diários. É apreciar mais e mais suas raízes culturais e ancestrais. Viver segundo um padrão mítico consiste em buscar orientação em seus sonhos, imaginação e outras reflexões do seu interior, bem como nas pessoas, nas práticas e instituições mais inspiradoras da sua sociedade. Viver miticamente também é cultivar uma relação cada vez mais profunda com o universo e seus grandes mistérios". (David Feinstein e Stanley Krippner - Mitologia Pessoal)

Diferente da abordagem auto-ajuda que a escrita em primeira pessoa pode parecer, este estudo meu pretende preencher alguns vazios de procedimentos, vazios organizativos, que costumam aparecer em alguns trabalhos meus, sejam teatrais, literários, ou este blog. Preencher com o que? Comigo mesmo. Mas em formações, em gestalts, elaboradas em níveis mais comunicativos, de acordo com a produção a qual eu estiver engajado. Esta referência sempre foi muito importante, e uma das minhas primeiras referências, quando conheci Márcio Pimentel, e a gestalt dele em seus trabalhos, por meio de um interessantíssimo e exaustivíssimo e superlativíssimo curso no SESC. Foi uma experiência de parto-gestativa retroativa. E cíclica. Um vírus. Uma Praga.

Estes e outros livros andam embaixo do meu braço, de forma simbólica, enquanto caminho até o ponto de ônibus e, sem o mínimo, o resquício, a nesga de ânimo de que necessitava, vou à Faculdade de Artes do Paraná, um lugar onde conheci quatro ou cinco pessoas que para sempre farão parte, e terão significado in progress no meu trabalho. Mas a mitologia pessoal parece ser aquilo que me norteia antes de começar qualquer coisa. É alguma noção que está em constante aplicação, inclusive nos meus momentos de deliberada inação. O teatro necessita da espetacularidade, de alguma coisa que precisa ser vista por alguém, ou de alguém que precisa ver alguma coisa, não sei ao certo. O que eu sei é que sempre se levanta um véu avelulado, um velvet underground, e naturalmente, algo de traumatizante aparece. Não me movo. Não me movo. Não me movo.

Límerson, 18 de abril, 2009
CURITIBA

6 comentários:

desire disse...

Eu vou não bem do jeito que queria mas quando reflito sobre o assunto não sei se tem um jeito que eu queria.

Quero marcar um café. Quando você terá tempo ou terá saco de arrumar tempo?

Você sumiu por alguns dias, mas nossa, pareceram muitos!

desire disse...

hahahaha

é verdade, mas acho que se deve à pressa. internet e tudo mais...

acho que falta então combinar um horário e só, não é mesmo?

desire disse...

ah sim! essa semana acontecerá o evento "abril de shakespeare", não sei se posso ficar convidando as pessoas já que não passo de ouvinte mas enfim, está convidado!

abraços ^^

desire disse...

amanhã não é um bom dia. é uma terça, eu não gosto de terças-feiras. e não gosto de feriados. essa semana estou corrida por causa de semana de shakespeare. se você gostar de shakespeare, podemos ir juntos à palestra de abertura, que será esta quarta às 18h30 no Solar do Rosário. e o café pode ficar para depois dela ou outro dia. que acha?

desire disse...

paga não meu filho hahaha!

desire disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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