terça-feira, 7 de abril de 2009

PRIMEIRA CERIMÔNIA DE ENTERRO DO SÉCULO XX

Curitiba - Não estou interessadoem propor nenhuma revolução, nem qualquer tipo de movimento, ou determinar alguma espécie de grupo artistico, com esta e aquela e aquilo de pertinência com o século XXI. No entanto, vamos encarar alguns fatos que deveriam servir de estrutura, deveriam compor a estrutura mental, para o que fazemos hoje. Isto é, vou provavelmente descrever parte da organização que EU venho fazendo da história, da política, da filosofia e das artes, dentro da minha produção.
As drogas dos anos sessenta, o espírito de grupo dos anos sessenta, a união dos anos sessenta, a liberdade dos anos sessenta... a eletricidade do século XX, a desconstrução do século XX, a fragmentação do século XX... nada disso... tudo disso... acabou. Nós não temos acesso mais palpável que o histórico. Nós? Que nós? Aqueles com vinte e poucos anos. Estamos com o cu na mão, quer dizer, eu não tenho pai que banque tudo o que eu quero, então estou com o cu na mão. Nós não trabalhamos, isto é, eu já fiz infinitas entrevistas de emprego, e todas só fizeram consumir minha energia, meu tempo, e minha vontade. Estamos consumidos e precisamos fazer alguma coisa.Boa sorte e sucesso para quem entrou na mais nova seção de telemarketing da BrasilTelecom, mas agora eu quero falar de verdade sobre ofício.

Não, eu quero falar sobre rock´n roll. A música se deixou incorporar, os músicos se deixaram incorporar pelo espírito rock. O mundo das drogas foi muito mais próximo do mundo das artes. E os artistas se foderam, se mataram, se estupraram. No passado. Hoje isso não cola mais. A construção, a reorganização das linguagens artísticas já está acontecendo. Já deveria estar acontecendo, melhor dizendo. Por isso que eu acho, não não acho nada. Mas assim como não dá mais pra assistir a um Esperando Godot com dois caras de chapéu coco (côco? cocô? como ficam os acentos agora agudos?), discutindo sua imersão histórica (estupidamente histórica) no tédio (o mesmo tédio, o mesmo nada pós guerra), também não dá pra assistir... bom... assistir... assistam o que quiserem. Eu estou falando de Curitiba, no Paraná, a utopia européica do Brasil. Por favor, gente, aqui é só na base do edital? E o que acontece além do projeto escrito, e o que você faz melhor do que o projeto escrito? Quer dizer... aprender a escrever projetos? Fuck man! Se tudo depende muito de quem vai avaliar os projetos... não é uma coisa muito dependente? Muito relativa? Anti-relativa, na verdade, já que relativiza na mente séculovintista.

Os junkies fodidos perdidos em cidades do interior em são paulo em curitiba em bares cheirando bebendo até morrer se nada acontecer depois dos trinta anos. São os que tiveram a sua adolescência estrangulada pela espectativa da virada do século. Os que fizeram 13 anos no ano 2000. Não há salvação para vocês. Deve ter sido a geração adolescente mais genuinamente duplicadamente pressionada pela espectativa da insegurança e da raiva que do semém ao útero ao sangue e a podridão contamina. Tudo se contaminou no vosso corpo adolescente neste período. Os primeiros microcomputadores no Brasil...

Fora todo este bla bla bla de geração que acabo (que acabou) de fakear... A mania de falar em algum tipo de nós, é só um recurso lingüístico, a polêmica blogueira. Provavelmente, depois de dormir tanto, por tantos dias, meu cérebro parece estar se organizando com mais habilidade. Venho retomando leituras. Mas fora isso,

está na hora de enterrarmos o século vinte, isto é, estamos nos esforçando por isso.

que tal? no final de maio meu próximo evento n.a.r.k.o.s.e./junkie house será a

PRIMEIRA CEROMÔNIA DE ENTERRO DO SÉCULO XX

(espero vocês por lá, sejam vocês quem forem)

E no final do mês estou colocando o Leo Gonzales na festa-cabaret do Elenco de Ouro

5 comentários:

desire disse...

"O mundo das drogas foi muito mais próximo do mundo das artes. E os artistas se foderam, se mataram, se estupraram. No passado. Hoje isso não cola mais. "

Límerson, você me orgulha!

desire disse...

estarei presente na sua próxima peça, mas dessa vez com um café na mão...

Límerson disse...

Muito Bem

desire disse...

ah cara, oasis vai ser para mim tudo o que eu estou precisando nesse início meio bizarro, meio capenga de um ano de transição.

e vc vai! sim senhor!

Thiago disse...

mto massa a peça. queria conversar com o auto do blog no msn. tem como?

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