sexta-feira, 8 de maio de 2009

Loading King Edipo Page and the Schoolers


Hoje vou explicar para vocês como está se dando a execução da minha mais nova peça, pelo Núcleo Espetacular n.a.r.k.o.s.e. (sigla em aberto, ou siglo-ciclo de amplitude sígnica). O nome é
Loading, para apresentações americanas. Acho que mudaria o nome em outros continentes, afinal são outros lugares. Infelizmente (ou felizmente, talvez, forçando um pouco a barra) é um trabalho vinculado à academia, o que me favorece em espaços e um aparente contato com pessoas diversas. Felizmente (ou infelizmente, talvez, forçando um pouco a barra) eu pareço estimulado, ou em contato com pessoas estimuladas em, de alguma forma, participar disso. Mas além desta bobagem contraditória, que sempre existiu em basicamente cada afirmação mental estudada pela filosofia, quero destacar as situações pelas quais venho passando para levar isso adiante. Exatamente, girando em torno de Límerson, a irônica poesia da vida.

Vejam só, neste momento, por exemplo, eu acabo de sair de um ensaio do Loading. Este foi o ensaio da cena que apresentaremos na banca. Banca??? O que é isso?? Vocês passam por uma banca?? Sim, uma banca de avaliação, que avaliará, sob algumas perspectivas mais ou menos redundantes (banca tem que ser redundante), se a cena que apresentarmos corresponde com o projeto escrito. Projeto escrito, isso mesmo, um projeto da peça. Não sei muito bem o que é isso, pois cada projeto é de um jeito, mas atualmente, projeto parece ser a palavra mais utilizada pela academia, pelos artistas que vivem de arte (isto é, de editais), e pelos "gênios contemporâneos". Então, pelo que eu entendi, se a cena corresponder ao escrito, a banca diz : tudo bem, você pode fazer isso, pela nossa Faculdade de Artes do Paraná (de quem?). Todos recebem notas e são aprovados para a segunda etapa, que será desenvolvida no segundo semestre.

Deve ser muito complicado ser banca. Horrível. Perigoso. Principalmente banca de um processo em Faculdade Estadual, como é a Fap. Afinal, a banca que está tomando decisões é, de alguma forma, o Estado tomando decisões, não é? Simbolicamente (você quer dizer "no plano das idéias"?). Por exemplo: a Faculdade de Artes do Paraná organiza mostras de teatro, com trabalhos da faculdade, que passam por uma banca semelhante. A banca deste ano reprovou alguns projetos para a mostra. E aprovou outros. Decidindo o que, em 2009, a instituição estadual Fap, apresentará em sua mostra. Esta significação "estadual" faz com que eu considere esta decisão "seríssima....". No meu caso então, o quarto ano, passa por este messmo processo.

- É normal? Sim, é uma faculdade que se "organiza" desta forma.

Mas também é anormal. Quem é esta banca? Com que critério esta banca pensa o processo de adequar mentalmente, conceitualmente talvez, a cena apresentada com o projeto escrito. Com que tipo de equação eles trabalham? Possivelmente com uma boa carga de conhecimentos pessoais, afinal são os professores da instituição. Conhecimentos teatrais adquiridos pela experiência pessoal. Alguns com maior vivência prática, outros com maior vivência acadêmica, essa variação acontece, e não tem como fugir dela, numa faculdade com professores tão novos, às vezes recém formados. E mais anormal ainda, sou eu, ainda envolvido com isso tudo. Oh, eu devia ter percebido antes, eu não tenho muito à ver com isso.. ohh... enfim... já chega... posso ter continuado simplesmente porque meus pais precisam me ver formado. Não quero falar sobre família por aqui.

Retomando retomando, é anormal sim. E também é anormal a seguinte situação. Apresentar uma cena de uma coisa que não está pronta. Quer dizer... não é bem assim... mas, vejam se não é estranho, vocês. A apresentação de uma cena (formato) ensaiada, com duração de 10 minutos, em comparação ou em diálogo com um projeto escrito. O que faz o link? De um para o outro... o papel e a cena, um link... pelo amor de deus (que eu não ria), um link um link... quem sabe o que fará eles verem o link? Eu não vejo link nenhum. Ou vejo alguns. De qualquer forma está muito distante do que eu pretendo apresentar. Porque o que eu pretendo apresentar só acontecerá no dia da apresentação, e salvas todas as previsões, todos os ensaios, todas as marcações e marcações e marcações... no dia tem público. É o momento mais inseguro, e a gente finge uma segurança. O fingimento teatral. A mentira. Todos fizeram assim. Alguma faz daquilo que nós apresentamos algo seguro. É óbvio para mim que a mentiramentira para a banca é diferente da mentira para o público, que será diferente das mentiras das outras apresentações, e poeticamente se relaciona com a mentira dos ensaios. E toda esta mentira foi explorada por todos eles, Shakespeare, Gogol, Sófocles, e Brecht e Beckett e Genet e... e... hoje destroçados em genialidades banais, em cenas-aforismos modernistas que nada significam.

Então... anormalidades por anormalidades, é isso o que acontece nas produções teatrais da Faculdade de Artes do Paraná. No final eu vou dar risada, ou vou chorar, não sei. Agora, acho desagradável todo este procedimento pelo qual estamos passando, e acho que é um pedaço do esfacelamento hipnótico pelo qual passa (ainda) o procedimento global em artes atual. É desta forma que penso na legitimidade disso tudo. Não é legal, ou porque é particularmente chato, ou por ser uma imensa crise mundial. Prefiro não definir, por talvez não ter capacidade. Mas acho que dá para pensar pelos dois sentidos. Enfim... é isso o que vai acontecer no dia 18.

Queria fazer hoje uma espécie de postagem/diário de lamentos/sensação blogueira. Por aqui (internet) não me restam muitas alternativas.

Curitiba (entopida de carros), 8 de Maio, 2009.

Um comentário:

Felipe Chaves disse...

O que nos resta é entrar no meio dos ratos ridículos e matar todos aos poucos com nosso veneno suculento de conhecimento avançadamente adquirido.

Bem, resumidamente, é melhor fingir estar ao lado deles.

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