terça-feira, 19 de maio de 2009

Não estão levando nada nem ninguém à sério mais

Estou esgotado do dia de ontém. Poderia nem me levantar hoje, porque ontém foi um dia que me esgotou. Pensando nisso, percebi que na verdade, o dia se esgotou através de mim. E se esgotou ... estou perdido... se esgotou... esgotou-se? E tornou-se esgoto. Tornou-se, ao final do seu percurso, o esgoto. Estou esgotado.

E será que precisava de tudo isso? O que significou tudo aquilo que aconteceu ontém... (nada... a resposta não pode ser nada) a resposta só pode ser nada. Enquanto eu caminhava pelas ruas biarticuladas, intermináveis, penetrantes, à caminho do Cabral, o bairro nobre de Curitiba onde fica a Faculdade de Artes do Paraná, eu pensava... Jacó Guinsburg... Jacó... um dos fundadores da Editora Perspectiva, em 1965... Jacó Guinsburg... professor de crítica teatral na USP... é engraçado. Na entrevista ele deixou claro que preferia a cachaça ao trabalho, que o Décio "inventou" que ele ia dar aula na USP... mas ele também deixou clara uma coisa que hoje parece rara, o "conhecimento notório". Conhecimento notório... acho que já deu pra entender o que eu quero dizer não?

Bem... dizer mesmo, eu não queria ter dito nada. Mas ontém, na Faculdade de Artes do Paraná, ocorreu a tal banca das peças do quarto ano, de teatro. Na Fap, uma faculdade estadual, existe uma espécie de patrimônio, uma etiqueta de patrimônio, e um número de patrimônio, não é isso? Nas cadeiras, nas mesas, nas televisões, e em tudo o que é comprado com dinheiro do estado, do Paraná. Ontém, eu tive uma briga com uma professora de artes visuais, que montava uma exposição no hall de exposições. Não foi uma briga, mas foi um atrito. E um incômodo muito grande, porque eu precisava de dois cubos que ela utilizava para a exposição. Como de costume na Fap, um lugar que nada significa, escondido entre o Juvevê e o Cabral, do qual noventa porcento de Curitiba não faz conhecimento, na Fap você tem que se virar. Pedir esmolas, como ridículos cubos, usados para apoiar uma exposição que nada significa, porque eu precisava destes cubos, para a minha banca do quarto ano, que também nada significa.

Tudo bem, nada significa, nada significa. Será que não? Não será estranho esta professora de artes visuais ter dito que comprou estes cubos com dinheiro particular... numa faculdade estadual... não soa estranho? Afinal, o que mais na FAP é comprado com dinheiro particular? É Doação? Comprou e doôu, ohhhh que bonito, que patriótico, que libertino, porque não? Então é da faculdade, da instituição, do estado... Foi isso que eu não entendi. Se ela comprou os cubos, porque eles sempre estão à solta pela fap? servindo como apoio de bundas, apoio de cenas frágeis, apoio de projetos, mesinhas, enfim... se os cubos são delas ela que leve pra casa, senhora dona dos cubos montadora de exposição. Não é assim que funciona? Ai ai... mas o que mais na Fap foi adquirido desta forma? As privadas também foram compradas com dinheiro privado e devem ser protocoladas? Proctocoladas?

Então... de toda a balbúrdia de ontém, o que houve de sério? Nada? Absolutamente nada? Parece que sim, mas não estou aqui atacando nada disso, estou querendo entender melhor, ou estou querendo ver quem ainda não entendeu? Quem ainda vai ter coragem de entrar nos portões da Faculdade de Artes do Paraná, com sua carinha de anjo acadêmico, de macaco de biblioteca, com sua agenda na mão... nossa... o que é isso? Uma Faculdade com dois blocos que não passam de uma quadra, bancas de teatro, exposições de artes visuais, e falta de espaço para essas duas coisas acontecerem ao mesmo tempo! E eu penso, Jacó Guinsburg, e eu penso "isso foi há 50 anos atrás, imbecil". É isso. Não é a USP! Não é a UNICAMP! Acordem, vocês estão na FAP!

Não é uma pergunta que será respondida, com algum tipo de reflexão, talvez com algum tipo de sinceridade, aquela sinceridade inocente, sim. Mas reflexão... é difícil. Mas eu vou tentar... acadêmicos da fap, vocês vão continuar levando isso à sério? Quer dizer... a professora não queria emprestar o negócio por cinco minutos, porque "ela" comprou, e nesse "ela comprou" existem muitas entrelinhas, e existem muitas entrelinhas como essa na Faculdade de Artes do Paraná. Muitas? Quantas? Quais? Será que eu quero ver notas fiscas? Boletos? É... Procto colos? Será que é isso que nós vamos ter que ver? Será que teremos que levar tudo isso tão à sério? Eu não fui levado à sério ontém, um elenco de seis pessoas não foi levado à sério ontém, um curso na fap não é levado à sério pelo outro... é assim. Será que o Centro Acadêmico pensa nisso? Porque não mudam seu nome para Epicentro Acadêmico? Seria mais sugestivo. Acabou! Não estão levando nada nem ninguém à sério mais! É algo maior do que vocês pensam...

Não sei... considerando a escassa leitura deste blog, considerando a existência deste blog o próprio esgotamento da leitura, o esgotamento do dia de ontém, ninguém nem vai perceber, ou vai guardar por muito tempo isso na memória. Hoje está rolando a outra banca do quarto ano, a exposição de artes visuais, o grupo de choro, alguém sabe disso? Alguém em Curitiba sabe o que está acontecendo na Fap? E na PUC? Talvez, na PUC talvez. E na Fap? Não na Fap não. Mas está acontecendo isso, acreditem. Eu até poderia estar lá, mas acho que agora vocês entenderam, estou esgotado.

Estou esgotado, de um esgoto que pouco significa.

Curitiba, 19 de Maio, 2009.

12 comentários:

Clarissa Oliveira disse...

AQUILO ESTA CAINDO AOS PEDACOS, LIMERSON!!! NADA SOBRARA!!!

Felipe Chaves disse...

Eu me lembrarei para sempre. Também me lembrarei do inverno em Roma.

J i l s disse...

... q dizer?
todos estamos esgotados...

Límerson disse...

E o cheiro de esgoto não incomoda? E os trocadilhos não incomodam? Se não incomodam...

Junior disse...

e vc tbem não pode pegar o amplificador de som...pq quem comprou foi o curso de música....vc nao pode usar o estúdio porque o responsável pelo mesmo resolveu abandona-lo...é tão mai fácil deixar tudo como está, não é?

errenka disse...

O pior de tudo é quando, na mesma semana, uma professora da FAp, dona da razão, afirma que a academia está ligada no que acontece no mundo, e na sequencia diz aos seus alunos que "something" foi a música que alavancou os Beatles!

Dayse disse...

olha.. sinceramente......
Achei uma discussao sem fundamentos.....
??
qual o objetivo?

Límerson disse...

Nenhuma discussão, mamãezinha...

Clarissa Oliveira disse...

Sempre tem um conformadoconformismo achando que discutir valores intruncados e obsoletos não tem objetivo nenhum. CONTINUE CEGO TOCANDO CHORINHO COMO SE A VIDA FOSSE DOCE, CEGUE-SE PARA AS QUESTÕES ÓBVIAS! É DISSO MESMO QUE PRECISAMOS PARA O FUTURO DO PAÍS: PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE PENSAR.

Clarissa Oliveira disse...

me adiciona aí nos teus favoritos, limer. Escolhe um dos dois e adiciona.

deselegancia ou desligamento.blogspot.

desire disse...

"olha.. sinceramente......
Achei uma discussao sem fundamentos.....
??
qual o objetivo?" áRaRaRaRá!!!!!!!! essa é boa!!! Dayse desengonçada desembuchou a disenteria diária de sua vida dopada de se dobrar demais à desvirtualização da realidade.

preferia um "tanto" ao invés do "demais", com as devidas modificações na localização dele na frase. mas era com D, achei bonitinho deixar assim.

Límerson...no sábado dois imbecis arrebentaram minha bolsa saíram correndo. eu corri atrás deles. recuperei o que tinha mais valor pra mim - o emocional, óbvio.

Eu aposto que a Dayse deboche preferia entregar tudo sim senhor ladrão pivete de merda corra com a minha bolsa eu estou de bota e tornozelo machucado coitadinha de mim não ia reagir e se estivessem armados???

óh! óh! óh! Ah querido, será que esse mundo tem jeito? Da próxima vez se vista de pivete e roube os cubos mágicos uuuuuuhhhhh que ela não vai fazer nada, te garanto.

beijooooos e saudades ^^

Anna disse...

Parabéns,Límerson.Parabéns pela coragem de "vomitar" algumas das muitas coisas erradas e sem sentido que temos que aturar neste lugar.O lado bom e o ruim,eu sei que existem.Todo mundo sabe.Só que enquanto nós nos preocupamos em resolver coisas que "nada significam" como vc mesmo diz,em troca de avaliações estúpidas e que também nada significam,o mundo lá fora é bem mais ardido...
E assim vamos seguindo,em meio a este graaaande e respeitado lugar,que ninguém conhece.
Nem te conheço,mas te admiro pela coragem.Mas uma vez parabéns.Talvez isso sirva de estímulo para outras pessoas enxergarem o mundinho doce e brilhante que elas criam em volta delas,em volta do umbigo delas e com isso comecem a fazer algo de útil.
Um abraço e avante!
Daqui pra frente só piora..rss

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