quarta-feira, 13 de maio de 2009

Placebos, projetos e Prozacs - É o sangue do Rambo ou de Rimbaud


Curitiba - Não dá mais! Sera (im)possível o quão insuportável esta fala se torna cada vez mais insuportável cada vez que é repetida? Mas não dá mais. Não tenho mais tempo para encontrar meus amigos, meus amigos de Bauru acham que eu me esqueci completamente deles. Meus amigos que não estão mais em Bauru estão com menos tempo do que eu, provavelmente. E do que adianta Límerson - a irônica poesia da vida, se há quase quatro anos eu não penso em poesia e nem em vida? Somente Límerson, e a ironia, Límerson e a ironia, Límerson e a ironia. Isso ficou maior do que eu pensava que eu era, e menor do que idealizava que isso fosse.


Eu mesmo tive que tirar os pontos da minha mão direita, porque não existe pronto socorro no centro da cidade sorriso. Calculem, como diriam os curitibanos, calculem... Como Rambo, eu mordi a linha com os dentes, e cortei meus próprios pontos, com a faca mais afiada e tetânica que eu encontrei. Ou como Rimbaud, viajo pelos infernos históricos, produzindo eventos que ficam sobre o "muro de berlim que divide a poesia e a filosofia". No final eu mesmo acabo arrancando os pontos, as cascas, e no final quem sangra sou eu. E hoje não consigo observar onde esta postura está inserida: na cena underground curitibana? na cena alternativa dos coletivos curitibanos? na cena imigrante bauruense? na fucking junkie house? Nada disso se consolida para mim, estou numa nuvem de fumaça. Estamos numa nuvem de fumaça, de cigarros fora de catálogo, de ervas envelhecidas e pipes entopidos. Mas tentamos ainda fingir que estamos vendo tudo, com muuuuita clareza, com muuuuita consciência, com muuuuita precisão. Não! Não e não!

Onde está esta precisão? Precisão? Na edição coordenada das mídias imbutidas no palco, com a ideologia ou a fraseologia ou a epistemologia de vinte trinta anos passados? Talvez, o dia que for compreendido que isto não passa de uma incorporação da tecnologia, que pouco acrescentou na autenticidade das produções artísticas que se influenciaram por isso. Pouquíssimo se acrescentou senão a própria repetição do que já havia sido acrescentado (a multiplicidade). E hoje a tecnologia incorporada autoralmente, isto é, com algum tipo de autencidade particular, idiossincrasia traumatizada, está presente apenas em Radiohead, provavelmente os artistas que estão no melhor auge que um artista pode ter (isso porque não quero falar dos velhos). O resto é imprecisão, não precisão... o resto é projetinho inacabado de um picareta decadente, ou é o coletivo de artes conjuntas dos gênios que não passam dos trinta anos, o resto, para mim, só fará parte da triste história, ou a triste parte na história, que apenas dois ou três países estão construindo.

Semana que vem eu tenho uma banca artística, onde minha cena será avaliada, por alguns acadêmicos, dando-me permissão ou não para executar minha mais nova produção, em "parceria" com a Faculdade de Artes do Paraná. Do que se trata? Trata-se do meu maior desgaste energético atual. Trata-se do meu cérebro, em esquizofrenia perpétua, com fluxos inorgânicos jorrando sem o menor canal que pudesse comportá-lo, e alguma matéria orgânica, em fase de gestação. É como se eu estivesse grávido de um relógio histórico, imbuído de alguma certeza estúpida de que Loading terá uma gestação tranqüila, sem grandes traumas. E abrisse momentaneamente, com qualquer bisturi envelhecido, a minha placenta, e a colocasse em avaliação. Depois eu costuro tudo, com alguns pontos, que sabe deus qual hospital em Curitiba vai fazer, já que não tenho plano de saúde.
Não é uma ultrassonografia obstétrica convencional. Veja como ficou a minha mão depois de eu mesmo ter arrancado os pontos. É uma ultrassonografia hipotética. E todos estão de acordo. É hipotético que a cena da banca resulte num resultado parecido com o final do processo, porque eu não sei o final do proceso. Não sei nem que processo!! Que processo? Processo my ass! Teatro precisa de tempo. A humanidade precisa de tempo. Não, na verdade a humanidade não tem mais tempo. Mas precisa de tempo, uma idéia de tempo que mais se assemelha a uma concentração do pensamento, nos seus próprios traumas específicos. Os mais de cinqüenta anos de mutilação d
o pensamento humano geram sangue até hoje... Estes glóbulos vermelhos não são meus... espera... de onde vem isso? De que século? Nossos traumas são de ordem mnemônica, fisiológica e erótica. E ainda nos interessamos em saber a quem matou elizaveta bam. Não sei vocês, que participam dos editais, que ganham dinheiro, e parecem estar de acordo, mas eu não tenho tido boas noites de sono. E meus sonhos andam arrebatadores.

Pra mim não dá mais. Só me resta observar até quando vai continuar assim. Até quando vai durar esta ultrassonografia hipotética, que nada significa, mas que toma decisões muito importantes e muito significativas para o rumo das produções artísticas. O obstetra está ansioso, since so many years, e não encontra nada na placenta, fora placebo, projetos e prozac.

P.S.:

Image Credit: NASA and Michael Rich (UCLA)

"A luz do Hubble está chegando ao fim", diz o blog da Ísis, http://xisxis.wordpress.com/2009/05/13/a-luz-do-hubble-esta-chegando-ao-fim/. E o que acontecerá? Entrará em ação o James Webb, com um espelho quase três vezes maior que o do Hubble. Simples assim. Entra algo melhor no lugar. Com o James Webb os cientistas pretendem observar as primeiras galáxias do universo, há mais de 13 bilhões de anos. A ciência entende tão bem as variações EXTREMAMENTE necessárias entre avanços e retomadas, tudo convergindo numa perspectiva de ampliar o conhecimento da sua própria área. Na filosofia sempre foi assim. Na arte deixou de ser assim. Há muito tempo, e por muito tempo surgirão coisas aqui, coisas ali, até alguém perceber que não dá mais pra continuar com só isso que se conhece. O que esta pessoa faz? O que esta geração faz? O que este movimento faz? Não retoma e nem vai pra frente! Que mal estar...

www.hubblesite.org

"Since the earliest days of astronomy, since the time of Galileo, astronomers have shared a single goal — to see more, see farther, see deeper.

The Hubble Space Telescope's launch in 1990 sped humanity to one of its greatest advances in that journey. Hubble is a telescope that orbits Earth. Its position above the atmosphere, which distorts and blocks the light that reaches our planet, gives it a view of the universe that typically far surpasses that of ground-based telescopes.

Hubble is one of NASA's most successful and long-lasting science missions. It has beamed hundreds of thousands of images back to Earth, shedding light on many of the great mysteries of astronomy. Its gaze has helped determine the age of the universe, the identity of quasars, and the existence of dark energy".


Límerson, como Tom Waits, considera a música análoga à medicina.



3 comentários:

Isis Nóbile Diniz disse...

Não acredito que na arte deixou de ser assim... É que vivemos um tempo de releituras do passado. É algo fragmentado. Além disso, são poucos ou fracos o movimentos ideológicos, o que estimulava a arte...

Obrigada por ter citado o Xis-Xis! Abraços!

Clarissa Oliveira disse...

we're so fucked up!

Límerson disse...

Releituras do passado? Como assim? Que passado? Partindo de que presente? Movimentos ideológicos... não suportaríamos mais um, seria um fracasso como a maioria dos que surgiram nos últimos dez anos.

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