domingo, 27 de setembro de 2009

NARCISSUS - N.A.R.K.O.S.E. vira NÚCLEO DE ESPETACULARIDADES

NARCISSUS directed by Gerald THOMAS from The Dry Opera Co. on Vimeo.


O p(P)olicial carrega uma bolsa feminina vermelha, demonstrando que aquilo era realmente algo muito caro. Aproxima-se de uma ex-atrizfrancesa, escondendo e (re)velando a bolsa. Pega algo escondido dentro dela e diz:- A senhora senhorita pode carregar para mim este... tijolo! Ia começar a rir. Arrir. Arrirrirrir. Arrirrirrira em silêncio. A cara esticou lentamente em riso enquanto o tijolo passava para as mãos da ex-atrizfrancesa. E foi embora, discretamente.

Ela estava estado de pânico com o tijolo vermelho na mão. Os dentes cerrados sorridentes. Vagabunda, ela pensava, vagabunda. Ainda pego essa filha da puta mal caráter ela pensava. Era algo que corroia que corria entre os dentes. Os cerridentes. Entrou um ator segurando um tijolo vermelho que era igual ao da ex-aquilo. Foi-se aproximando. Foi-se-aproximando. Ao que ela repetia: - oui, oui, oui, Je ne parle pas français, je ne par-le pa frran-cé. Isso para alguém começou a soar um suor que poderia ser muito mário de andrade. O p(P)olicial foi então chamado.

Voltou e matou o ator.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Núcleo de Espetacularidades - Post in Process com Post Scriptum

Quanto mais eu demonstro que a minha real necessidade é de carinho, mais são as punhaladas que eu recebo. Não, não são apenas as desilusões afetivas que me estimulam a escrever aqui. Mas elas, as desilusões, não são menos importantes. As desilusões não passam de revelações, epifanias, maya e lyla, essa coisa toda... Há uma Constante de Avogrado no espaço entre as minhas desilusões. Minhas grandes ilusões idealistas.

No blog do Gerald Thomas (http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/) uma longa despedida do teatro, à partir de todas as associações do seu universo. O que é isso? Gerald Thomas ainda refletindo sobre a sua geração, e a estigma que ela carrega, a impossibilidade de contar uma história:

Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..

Com um pouco de sorte, o que eu acho, é que a minha geração será totalmente esquecida. Mas a que tipo de memória eu me refiro? Quer dizer, a que tipo de esquecimento? Não existe chance de sermos lembrados, na medida em que os acontecimentos de dez anos atrás já parecem não exercer importancia alguma. Um grande empecilho para arte, que sempre criou pontes temporais entre acontecimentos, entre ícones, entre simbologias. Eu, com 21 anos, não conheci nenhum dos meus heróis, exceto por livros. E quem lê? Minha nossa... tudo desdobra num despropósito.

“Mais do que nunca eu acredito que somente através da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo".

Outro trecho do blog do Gerald, outro trecho do meu pensamento, outra idéia muito vaga, que com muito esforço ainda se desenvolve pouco.

Estou para tomar uma decisão importante na minha vida, que ainda não sei qual é. O que eu sei é que é mínima, diante do tamanho do medo do vazio que ela pode desembocar. Meu Núcleo de Espetacularidades não chega a ser um grupo de teatro, ou uma companhia. Não conseguimos ainda. E o motivo disso é o envolvimento excessivo com ambientes onde a criatividade é igual a zero: um deles é a academia. Já escrevi demais sobre ela. Simplesmente não consigo mais. O envolvimento nunca houve e sempre houve. Mas a dependência da academia, e as relações viciosas que isso gerou, estafaram as minha concessões. Estou me tornando alguém rigoroso e deprimido. E cada vez mais, quando penso no trajeto deste estado, e me manifesto sobre ele como uma reflexão, uma interrogação, para quem quer que seja, não me compreendem. Porque esse estado todo é o estado da minha criação. Mas preferem dizer que estou perdendo a noção, que uso drogas em excesso, que estou errado em atacar os outros em atacar a mim mesmo. Words, words, words...

Eu moro numa casa com seis pessoas, uma espécie de república (coisa que não existe em Curitiba). Três deles são músicos, um é analista de sistemas, e os outros dois somos eu e Walace. Vim de uma vivência teatral com Márcio Pimentel, que hoje nem sei onde está, mas que foi o primeiro a me ensinar que a arte tem à ver com a criação, com a autoria, com a idiossincrasia. O primeiro a me falar em Duchamp, em Beuys, em Ono, em Thomas. Também foi o primeiro a falar abertamente sobre as drogas, bem como as suas, assim chamadas, referências, em hipnose, transe pessoal, ritualismo. Hoje o que eu sinto é que dei um passo para trás. Minha vida acadêmica, propriamente dita, em termos de produção de pesquisa, ou a potencialidade de eu ser um bacharel, tudo isso é um passo para trás. E isso é triste, para mim, para os meus pais, deve ser triste também para o Márcio, para o Walace, para o Gerald... ufa... precisamos de algo...

Não importa eu dizer o que eu preciso, são punhaladas atrás de punhaladas. Ninguém precisa ser um conformista. Pra mim já deu. Se forem lembrar da nossa, da minha era, como a era do twitter, do iPhone, do iPode, do orkut (esse já é tão velho quanto Antunes Filho) prefiram que esqueçam. Ai, que vergonha, ai, que dor no peito, ai que vergonha que eu sinto desse papel que eu faço. Não importa também o quão subjetivo tudo isso esteja parecendo. É uma subjetividade perdida, desesperada, deprimida.

(Blog sempre foi pra limpar o cu)

Límerson, criador do Núcleo de Espetacularidades.

P.S.: aliás...



FORMIGAS GLITTER

Núcleo de espetacularidades – Coletivo de Pequenos (nome que acho horrível)

Data: 16 de outubro

Horário: 20h

Local: Espaço Cultural Teatro da Praça

Ingresso: R$4 e R$2

Duas cabeleireiras cortam a orelha de um artista, Vincent Van Price, um showman. Não, na verdade elas não cortam. Uma delas acha que cortou. Uma delas não. Não, na verdade são dois críticos de arte que acham que são cabeleireiros. Eles se julgam entendidos de lesbianismo, não, entendidos do cinema lynchiano. Não, não é isso... na verdade eles não têm nome. Formigas Glitter é uma junção de duas palavras com o único objetivo de confundir a significação com relação ao fazer artístico, com relação ao fazer não artístico, com relação à mim mesmo. Um evento muito bem freqüentado.

Direção: Límerson

Elenco: Clarissa Oliveira, Rafa Poli, Vanessa Benke, Ricardo Nolasko e Rafael Di Lari.

Iluminação: Ana Paula Frazão

Sonoplastia: Walace Brassero


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