quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Como era de costume

como era de costume

peguei a escada de madeira

e encostei na parede da noite


subi no telhado da época

com minha caneca de café

e observei a minha metrópole

da infância do meu fumo diário


acaba o café sobra a caneca

a noite, eu, e meu plano alto

éramos os descartáveis ali

acaba o fumo sobra a bituca

as estrelas, eu, e meu plano alto

éramos os apagados ali


(solto o céu preso

a fumaça solta no céu

salta um grito da goela

congela o corpo aceso)


ao descer empurrei a escada da parede

e fiquei um tempo descobrindo

um novo jeito de retornar


como era de costume

peguei o jeito de retornar

e retornei ao chão da noite


acaba a noite sobra o poema

a bituca e a caneca não descem

eu, meu plano alto e o tema

éramos os disponíveis ali


a parede e o chão anoitecem

acaba a noite sobre o poema

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