quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

MANIFESTO PEEP-SHOW - TERRITÓRIO IMAGINÁRIO



Apresensei dia 21 de Novembro, do esgotado e esgotante ano recém desgastado, que vamos lembrar como 2009, o solo que venho elaborando há quatro anos, em meio à inúmeras desistências em seus justos e injustos motivos, que se chamava Território Imaginário, mas que vamos chamar à partir de agora de Manifesto Peep-Show (Território Imaginário passa a estar num campo implícito da idéia do título, eu acredito, conforme penso no título das coisas à partir de agora). Posso lembrar de 2009 como o ano em que apresentei este solo, onde danço monstros infantis, e interpreto um complexo de polissemias, através das quais imagino que se construa a simbologia do masculino, a minha construção simbólica da machesa. Falo no microfone, experimentalmente, o que não funcionou no dia 21, seguido de um contato com público que também foi um pouco frustrante, mas para mim foi instigante enquanto observação comportal. Refiro-me a um momento do evento, quando eu me apaixonava por uma pessoa da platéia, no sentido que convencionou-se vulgarmente chamar de platônico, à saber, um tipo de gostar fundamentalmente idealista.

Os sentidos do idealismo sempre estiveram presentes no meu trabalho em teatro, e nunca deixei claro, por opção própria, se acho bom ou ruim, aquilo que se qualifica através do idealismo. Seja no que diz respeito à posturas artísticas ou opções de criação, ambiente de discussão na peça Loading (outro motivo para eu me lembrar de 2009, "o ano da apresentação da coisa mais complicada que eu já fiz"). Ou mesmo no idealismo que pode qualificar uma forma de afetividade, uma forma de gostar, no sentido romântico, se assim posso dizer de um sentimento de uma pessoa por outra.

No Território Imaginário, que agora se chama Manifesto Peep-Show, a última coisa que acontecia, era o estabelecimento de uma paixão romântica idealizada. Uma pessoa da platéia era escolhida e eu me "apaixonava" por ela, através de olhar vidrado nos olhos e de respiração fixante. Não sei como ficou isso pra quem via, realmente não sei, acho que não funcionou. Mas, como disse, acredito que tenha sido uma experiência comportamental muito rica, para mim, enquanto evocador da afetividade referente, e para a pessoa escolhida, sendo evocada e significada, à partir de um referencial que vai se construindo durante o contato. Contato, como imaginei, não sei se houve, mas houve um. E ali ficou uma marca abstraída de um tempo decorrido, envolvendo uma observação do amor, ou melhor, do gostar contemporâneo, coisa que definitivamente está muito longe de ser amor e, principalmente no campo das artes, está mais próximo de uma inveja tão velada, mas tão velada, mas tão velada que... o que? Nesta abordagem, já acho que deve ser melhor construído, o acontecimento final. Até mesmo o acontecimento final deste parágrafo.

São quatro anos de morada em Curitiba, passando pelo Bacacheri, pelo Cabral, e pelo Centro. Quem mora em capital, tem que morar no Centro, ou próximo à ele, pelo menos durante um tempo. Acho que para mim já deu esse tempo. Quero voltar ao bairro. Porque só morando no centro o sujeito entende o que significa a capital, culturalmente. Mesmo em Bauru, que não é capital de nada, mas é cheia de universitários, quem vive no centro entende que a movimentação cultural bauruense não acontece ali. O que acontece no centro de Bauru é só uma coisa chamada comércio, e é essa única coisa que movimenta dinheiro nessa cidade; e a única coisa com movimento no centro de Bauru é o dinheiro do comércio. O pensamento criativo, está em outros polos. Em Curitiba temos um centro diferente, mas não menos fácil de se assimilar. Centro com praças, largos (das ordens), feiras, sesc (da esquina), museus, teatros (da FCC ou de "donos") e... bem e o centro de Curitiba vive muito bem, tudo é muito agradável e tranqüilo. Só não me diz mais nada como lugar, então desejo desligar-me, voltar prum bairro talvez, não sei... agora estou descansando de tudo o que houve nestes quatro anos, em especial neste último. Toda a gente que eu conheci e que resolveu interferir na minha vida de uma forma tão significativa, ao mesmo tempo que o meu suposto último ano de faculdade ia por água à baixo então, calma, gente, calma. Não estou neste rítmo desenfreado, estou bem pra trás, estou bem mais devagar.

Estes anos fizeram o Território Imaginário se transformar em Manifesto Peep-Show. O que acontece afinal? Por que as coisas mudam de nome? Bom, pra começar, no segundo ano de faculdade, eu descobri que devia desistir da vida acadêmica. Mas não desisti, e montei a peça Double Wilson, seguida de uma seqüência de peças, através do Núcleo de Espetacularidades (que também tinha outro nome). Enquanto isso eu vinha tentando conseguir um espaço para apresentar o Território Imaginário, este evento poético-cênico que apresentei no Sesc, só no ano passado, passados quatro anos, na Mostra de Artes Universitárias (que deu significado à vida acadêmica na Faculdade de Artes do Paraná fora dos seus dois blocos). Não conseguindo nenhum lugar fui seguindo com essa história de diretor de teatro, que me levou a conseqüências drásticas no campo da comunicação humana neste ano que acabou. E também me levou a apresentação da peça Loading, mencionada já em posts anteriores (um deles inclusive é um relatório final sobre a peça, entregue para a minha orientadora, Luciana Barone). O que acontece afinal? Oportunismo meu, continuar fazendo faculdade de teatro com o único objetivo de utilizar os atores que encontro para lá e para cá (mais preocupado com as significação humana destas pessoas em seus contextos mais complexos, estabelecidas por elas mesmas, no decorrer de suas vidas), e dos teatros que a faculdade consegue para as apresentações dos seus trabalhos? Pode ser... fica a interrogação, eu prefiro...

Mas, para que não fique só isso, só uma interrogação, além dela, antes e depois, temos o evento Manifesto Peep-Show em questão. Menos teatro em Curitiba, já que é tudo tão saturado mesmo, e mais poesia. Ou melhor, mais poesia na cara dos eventos que houver. Mais incêndio e menos combustível. Única e exlusivamente, porque estamos refletindo, não tão seriamente, pois dispersamos, acerca desse ritmo desenfreado de vida. Muito além de estar se formando, todo sucesso que queiram, pra essa turma que foi a minha sala. Eu, que sempre fui mal aluno e bom aluno ao mesmo tempo, me relaciono com o estudo de outra forma, e pra mim, ainda estou parado na oitava série, me masturbando provavelmente, atrás de uma grande enciclopédia.

Este post é um longo comunicado, e ainda não acabou, mas está sujeito a toda sorte de interrupções que o blog Límerson, o poeta-xamã exigir.

Límerson, 06/01/2010, Bauru

2 comentários:

Lorena Bobbit disse...

As "coisas" mudam de nome para disfarçar a verdade.
Não me importa se é o caso.

Desculpa a invasão, mas compartilho de algumas idéias sobre centros urbanos.

Felipe Chaves disse...

Bom, eu mesmo já mudei de nome várias vezes.

Mas o que mais me incomoda é que eu acho que eu fui o único a perceber que a discovery channel mudou o nome do Suricate para Suricato, e do Jacaré para Aligator...

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