quarta-feira, 17 de março de 2010

O Medo é uma Doença Sexualmente Transmissível


O pavor causado pela experiência do parto é habilmente suplantado pelo amparo da teta, onde se esquece do corte umbelical do qual não se lembra mais, e da extirpação de si mesmo do ambiente uterino. Trama inevitável esta. Passamos pelo sexo e ao sexo vamos. É por onde começamos e não é por onde terminamos.

O medo amparado pelo outro, o primeiro aprendizado do qual se deve desvincular, pois só funciona dessa vez, quando da infância. Depois disso, ninguém ampara o seu medo. E hoje que lidamos com o sexo tão superfluamente, não há o que fazer senão vivê-lo, em todas as suas crises de libido, relacionamento, afetividades básicas, desvios de comportamento, anti-depressivos.


Passo a reconhecer o medo como a primeira doença sexualmente transmissível. Observe-se que em pessoas o comportamento muda quando da primeira transa já se ampara um primeiro medo. Ou aqueles que transam com sujeitos desviados em idéias, ou caráter, ou inteligência, e passam a atuar em seu nível. A idiotice também é sexualmente transmissível. E a inteligência também, essa doença.


Precisa-se do outro, do seu colo e do seu todo. Apanha-se na cara dado o medo de não havê-lo. Esconde-se as hematomas, pois imagem hoje é tudo. Precisa-se de tudo ligado ao todo que é o amparo. O medo de perder o outro é sexualmente transmissível, congenitamente preparado. Sem preservativo nem campanha publicitária. Transou, pegou. Ferrão de escorpião como espada crava em rocha.

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