quarta-feira, 7 de abril de 2010

Inexpressa

quando a idéia fica de pau duro
extraio flores da minha buceta
ficando com os braços atados
abertos espaços para poemas
que poucos muros anteparam

quando a idéia se mostra
pouco sobra da palavra
se eu estivesse no ônibus
poderia ser poeta mago
em acender o que não trago

gosto de esgotar em esgoto
a teta que orvalha na sarjeta
quando conta-gotava perdigotos
tive idéia de um poema roto
que não chegava de veneta

quando a idéia bate
no oco da minha cabeça
retumba e reverbera
lembrança que esquecera
se corro sem ter pressa

atravancava em alamedas
atravessava em marginais
de praxe, o vento
de brinde, a chuva

dentro da mão na luva
nutava o dedo fatigado
"ela não vem e nem peça"
era minha idéia inexpressa.

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