segunda-feira, 17 de maio de 2010

O desenrolar da caixa

Parte 3

Conheci uma mulher no ônibus. Demonstramos simpatia um ao outro. Durante muito tempo, conversamos como se fossemos íntimos. Nos beijamos durante alguns minutos, paramos e nos beijamos novamente. Aproveitamos o sacolejante ambiente e transamos, passando por vários pontos. Chegando ao terminal, ela toma o seu destino e eu o meu. Toda uma platéia havia nos observado sem aplausos. Entro em outro ôninus animado com as perspectivas da situação se repetir. A situação não se repete. Acabo malfadadamente indo parar num bairro escuso desconhecido.

Parte 4

Sem dinheiro para um outro ônibus, vago pelo local vago. Sem passagem entre os amplos do espaço, eu parava na paragem erma. Ainda não se tratava da linha interestadual! O nonada de gente hermafrodita que observava escondida na areia, eram os furtivos soterrados. Areia ao sol e verde ao amarelo. Sem vento e sem gente. Uma casa pouco distante e nada perto. Um poste, com lâmpada ainda acesa, que vai se apagando, derrotada. O dia terminava para ela. Caminho sem pista com pegadas sem vestígio. O vento chega e recheia aonde havia espaço vazio. Uma caixa de papelão resiste. Aos noventa graus movidos... um acontecido enfim!

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