quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pois devia ter visto

já me viu batendo as asas
como cada matina arranca
da árvore a ave matutina?

já me viu nu, com o rabo
enrolado na árvore pantaneira
e o falo que nela serpenteia?

já me viu com o dado órgão
enrolado em meu pescoço galhoso
puxando gravemente a paz pela raiz?

já me viu saindo os olhos
pelo furo da fechadura verde
com o bicho da maçã verde na boca?

já me viu chupando um ovo
retirado do glacê de um bolo
craquelando a casca fraca?

já me viu com fluidos nos dedos
levando a mão em questão ao peito
do célebre cerne que a madeira afoita?

já me viu gozando num cachorro
que me transmitira o virus da raiva
e fora por mim esquartejado ainda vivo?

já me viu como um carnívoro
de razão fálica intransferível
aos berros do rancor inocente?

pois devia ter visto...

(Límerson, 2010)

Nenhum comentário:

Pesquisar este blog