sexta-feira, 11 de junho de 2010

Comunicação - Núcleo de Espetacularidades + Fotos do MANIFESTO PEEP SHOW - TERRITÓRIO IMAGINÁRIO




Dias e dias, mas que comecinho já por si mesmo irritantemente recalcitrante. Não, trata-se do conjunto de peças-trajetória apresentado pelo algum pouco conhecido e algum pouco anônimo Núcleo de Espetacularidades. Fundado por Límerson e Walace, convivendo com
artistas acadêmicos, e convivendo, e consequentemente atuando como artistas aqui denominados assim. Mas, são muitas as personas, e os jogos de espelhos, entre os vislumbramentos e as decepções, entre as forjações e as forçações de tragédias pessoais.



Sendo as peças, na sequência, Double Wilson (2007), Clube do Algodão (2008), Formigas Glitter (2009) e Loading (2009), configurações e reconfigurações que lentamente em ralentos idiossincráticos (ou os seus relentos) tensionam o deboche pastichizado, beco sem saída dos nossos tempos. Todas sempre foram amparadas pelo processo Território Imaginário, sequência (não necessariamente serial) de solos que culminaram no solo Manifesto Peep Show, apresentado em 2010, já que o suporte devida e indevidamente explorado que este comporta, considerando o contexto idiossincrático na performance art, estrutura prática e conceitual do trabalho de atuação no Núcleo.



Peça alguma dessas mencionadas provocou efetiva mudança , ou alteração tão significativa, que possa me garantir ilegítimo ao notar quase sempre o oposto. Oposto não, o impostor. Os impostores ávidos. Nós. Aves de rapina, isso sim, ou quase. Já que incorremos nos nossos mesmos medíocres erros, dia à dia. Fazemos as mesmas cagadas. Que sempre fizemos. Nos apaixonamos e amamos, mas é tudo mentira, convenção. Gozamos na convenção, ejaculamos as mesmas punhetas, manifestando o mesmo peep show, encontrado nos mais podres sex shops. Aliás, as convenções e nós, somos íntimos em laços estreitos (com direito à canastronas punhaladas pelas costas).

Não, estou falando de mim, não se deixe levar pelo lado exótico. Eu só estou muitíssimo preocupado. É necessário que agora eu provoque em mim mesmo uma dose de artificiosa calma. Não, não é necessário. Ou melhor, para que? What for? O período em que a sigla n.a.r.k.o.s.e., sigla aberta, sigla sem siglo, os apenas signos, esta palavra que acompanhava o nome do Núcleo de Espetacularidades, correspondente e análogo ao período de vínculo dos integrantes do grupo com a academia, é correspondente e análogo também ao período de atuações como artistas acadêmicos, entorpecido por crises pessoais, dores de mundos, que na verdade acabam sendo insolúveis. Em cada membro, e em cada humanidade. São rochosas e rolam como rolling stones, mas continuam rochosas à despeito disso, como algumas rocks que não roll. Enfim, continuam a mesma coisa. Óbvio, claro, meu deus, carregam também seus dolorosos arranhões e feridas e cicatrizes, suas próteses e suas cada vez mais novas máscaras. Criam maravilhosos mecanismos de defesa. Espetaculares. Eu tento, mas eu juro que tento, equacionar, mas sei como funciona o delírio e a celebração, e também das significações que tomam os seus momentos. E isso não se equaciona, por mais que se deleite no que se articule. Não sinto o cansaço. Sinto pior, estou fadado. Fodido e fadado, à mim, no que é irredutível, e correspondentemente fadado ao mundo.


É hora de concluir. Nada foi resolvido, mas apontamentos infinitos foram gerados. Óbvio que somos os mesmos, em processos de mudança. Alguma formação obviamentedeve estar se formando. E se forma. E note-se a falta de critério que caracteriza muitas delas. O encerramento definitivo da formação através de mestres. Ou, o encarceramento, entendido por enredamento, dos elementos deste processo de formação (mestre-discípulo), em múltiplas cadeias re-significadoras e re-articularoras destes elementos. Morre Kazuo Ohno. Não pude conhecê-lo, assistí-lo, exceto em vídeo. Tive contato com elementos da dança Butoh, devidamente orientados pelo, também falecido, Val Rai. Gerald Thomas escreve Kazuo era o “Liebestod” [ária final da ópera, onde o amor transcende a morte e vice-versa]. Meio vivo-morto em cena, tínhamos a impressão de que vinha carregado de “entidades”. Gerald Thomas, vivo, também não conheço pessoalmente, e nem assisti as peças que gostaria de ter assistido da sua carreira, exceto também em vídeo. Sem contato direto com nenhum de nossos "mestres", ou entidades de influência principais, seguimos juntando os seus pedaços, ao sabor amargo da nossa falta de critério.


Dias e dias, anos e anos, isso sempre foi assim. Não são os mesmos Narcisos, mas são os mesmos narcóticos (por sinal, cada vez piores), e o entorpecimento, a anestesia, inerentes ao nosso cultural-traduzido senso de presenvação, desvinculado absolutamente da preservação dos critérios de preservação. Agora devo voltar para o canto de Tadeusz Kantor. E depois, sairei novamente, carregando nas mãos um bolo de aniversário. Analgia das velas que são na verdade ovos ou flores. À partir daí, fica bom até aqui, e sinceramente gratificante. Estou exasperado e de boca fechada. Medito em como pensar no que pensa que medita.



Curitiba, 2010

P. S.: Crédito de todas as fotos - Sehigueo Murakami

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