domingo, 25 de julho de 2010

Ele

tinha culpa

meu pai notou

que derrubei o cálice

olhou-me nos olhos

e se divertiu

tinha culpa

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Hematóide

lamber a ponta dos seus dedos
e chupar as costas dos cotovelos
eu quero
lembrar
de quando mastigava os seus cabelos

naquele tempo havia mais serotonina do que hemoglobina

hoje espelhos me atravessam
e traveste-se de vinho tinto
do teu corpo arrepio
o abraço primordial

beijar as manchas do carpete
e suar no lençol já encardido
eu quero
ainda
teus odores da pelvis à boca
como um hematóide hoje em dia.

Curitiba, 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Kranksein 1

o professor de funerária logomarca conjeturava:

- ... tempo, redunda e também contradiz-se.

sai do orelhão dançando o toque do seu celular

concentrado em vaidades complexas

erotiza-se sem ilusões

- mas isso é impossível!

- eu tenho três anos de idade.

- isso é uma doença, professor.

- isso só é considerado uma doença na medida em que foge à normalidade do envelhecimento humano. veja os meus músculos flácidos...

- com isso você está querendo me contradizer? quer dizer, com o óbvio mais mal argumentado dos últimos tempos?

- não me venha com últimos tempos...

o professor grifava e traçava setas, silente, sensual e autoritário. sentia-se incentivado com cada ofensa pessoal. contaminava-se orgiasticamente com cada prejuízo à homeostase, corrigindo pontualmente a imagem capilar. um vendedor ambulante perambulava balões:

- bebês de porcelana... cachorros de madeira... gatos inanimados, a equipe de resgate! desgastes empalhados... de estimação... de proveta...

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