segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Tudo o que vês chegou ao fim

6

- Este diálogo está me deixando confusa. Confundiu a todos. Toda a coisa ainda por resolver. Que nunca fora resolvida. Sempre se repetindo e se referindo...
- Mas é exatamente disso que eu estou falando.
- Não pareceu tão exata tal semelhança.
- Não costumo deixar as coisas explícitas à todo o tempo.
- Ao contrário, você me parece tão explícito quanto... não tenho nem um comparativo à altura que se compare à sua total e incrível explicitação individual.
- Sinto vergonha.
- Aprenda a lidar com isso. Você já me amou? Em algum momento você já me amou?
- Momento quando, incondicionalmente?
- Arg, pergunta abstrata não, por favor não! Pareces uma moçoila com tantos velórios.
- Pareces um urubú, mordiscando minha tripa em carniça viva.
- Nunca mais digas isso.
- Vou dizer isso infinitas vezes na sua presença ou ausência.
- Você me excita falando assim. Peço que pare. Você pode se machucar. Fraquinho desse jeito, vai acabar se estrepando toda, a mocinha.
- Pois então veja isso.
Mostro-lhe a minha cicatriz abdominal.

Pesquisar este blog