quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Fragmentado 1

conselho sobre as transformações, é particular. é sem dúvida tudo de mais preciso de que você precisa saber. há tantas imagens de um passado nas palavras que reencontrei. nos cumprimentamos cordialmente. as massivas porções de textos, nos mais variados formatos, há o que encontrei. conselho sobre transformações através de conceitos postos em resignificado, em laboratório. conselho caro, pois a dor vem logo ou muito depois. vem alguém me interromper no quarto, pedir isqueiro. saia daí, saia daí. desça as escadas e cante, pule o último degrau e grite, só não se arrebente. este ainda não é o conselho. fui interrompido, amasso alguns, outros rasgo em vários. são critérios de desfazer, isenção de culpa e autoautoridade. vão embora, não, vocês ficam. que libido nisso tudo, o pensamento fica quase mudo e sinto a libido nisso tudo.

som e imagem que não interagem, este é o conselho dentro do conselho. frase, palavra, letra, número, dia, hora, ano, semana, mês, quilo, ou mesmo aquilo em que eu me pensava: ciência. fausto era o cientista. encontrei nestes papéis que organizava quando tinha sido interrompido pelo casal dancer. tinha uma esboçada engenhosa de possível encenação de fausto, cujo nome seria philosophus philosophorum. idéia de encenar num estacionamento que já fora bordel, iluminação de carros em movimento, e cheiro tipicamente tóxico do fim dos tempos veiculares. o fausto atropelado por goethe e marlowe atrevia-se por baixo. pedido entre édipo e laio respondido entre o pai e o filho. a esposa, vamos comer, vamos comer, geralmente é isso. pisando em fausto com pés inchados.

ele chegou ou está chegando, o ator que se retirou: ele chamou aquela que se atirou de. que também chegou, só que já chegada morta. um sacrilégio com os pais. os olhos vidrados no vidro. eram auroras outroras criativas as minhas. eu posso fazer um poema para você, juro que posso.
ATRIZ: Diga, é importante que você se manifeste. Mas, diga em silêncio, em pensamento, porque você está proibido de falar.
(música alta. entra um carro. nas janelas da frente dois braços pra fora, apontados para a frente)
MEPHISTO: eu vou pisar no dedão do seu pé se você continuar assim. vou mesmo. vou pisotear o dedão do seu pé. e vai sair muito sangue do seu dedo porque eu vou arrancar a unha do dedo do seu pé. é sangue não é? então, vão juntar moscas no seu machucadinho. os cães e os pobres vão confundir o seu machucadinho com uma esmolinha ou um restinho de uma miragem. e vão ficar felizes e satisfeitos com isso. passados muitos anos, você receberá isso como presente.
(sangue no tapete e tomate no extrato)

ao mesmo tempo que penso escrevo. eu juro. são pastas e pastas, com folhas contendo uma única palavra, além de recortes de jornal e revista, ou recortes de notícias em parágrafos, ou recortes de parágrafos em forma de poemas. o que se carrega tem peso. e o que se contém se contenta.

"é pesado pois sou um homem imaginado por um gene de um germe de uma molécula de um músculo de uma parcela de uma parte de uma fatia de um porcento de um pedaço de uma placenta sobre um tijolo de uma parede de uma sinapse de um sentido de um sêmen que um pelo de uma barba de um cara de um deus de um signo de um semi de um astro de um som de uma luz de um som de uma luz de um som de um som que me chamou".

assim começava em fraca luz o silêncio. dando ouvidos a muitas vozes, humanos. em nenhum sentido verdade. e nada de algo de comunicação. melhor pôr os papéis em plásticos e embora com a desordem disso. lado a lado, um a um, com um fecho, e um lugar, frequentemente visto, não tanto acessado. adornar de ordem o caótico derradeirismo em pastas de arquivo. e acostumar-se com as presenças inofensivas dos ácaros que se acumulam, e do desarranjo de espaço em rearranjo. nesta reconfiguração, vejo meu pai em cheque, sentado com as mãos nos joelhos, e todo serenidade. faltam dois cadernos ou três, com poemas da adolescência.

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