sábado, 27 de novembro de 2010

"RECONSIDERAÇÕES CÊNICAS NARCONARCISISTAS 2"




LIMERSON: Ela lia os meus pensamentos. Eu ria e me contorcia em constrangimentos. Esperava a minha deixa, para que pudesse fazer com que algo acontecêsse.

DOMENICO: Então, vocês seguiam um roteiro? Um roteiro de ações.

LIMERSON: Nós seguíamos um cortejo. Não, sem exageros... sobre o formato do cortejo... o exagero não parece a mais adequada, dentre as mais sedutoras... abordagens.

DOMENICO: Não quer destacar mais nada acerca do jogo de espelhos? Ciani afirma:


"Na personalidade narcisista predomina um sentimento de grandiosidade, uma tendência autocêntrica, mas também a insegurança, que se alterna com sentimentos de onipotência. Há, no fundo, a consciência da vulnerabilidade do Self maduro, do risco de sua fragmentação temporária com o aparecimento de experiências tipicamente narcisistas, que vão desde uma grandiosidade angustiada até a hipocondria e a depressão, no pólo oposto.
As emoções são instáveis, os sentimentos pouco diferenciados; há sobretudo a incapacidade de elaborar o todo, de experimentar uma verdadeira reação depressiva pela frustração e pela perda, ao mesmo tempo em que emergem raiva e sentimentos de vingança, até mesmo diante das perdas inevitáveis da vida, do declínio da idade, do poder, da beleza (...)
Existe uma incerteza fundamental quanto aos próprios ideais e a incapacidade de desfrutar plenamente dos próprios valores e extrair deles uma gratificação narcisista. Dali, o descontentamento e o sentimento devazio interior, não obstante a eficácia aparente do funcionamento social. Existe ainda uma incapacidade de suportar a frustração, a tendência a transferir para o exterior os seus próprios conflitos, a percebê-los como conflitos entre si mesmo e o ambiente, com a expectativa de que o ambiente deva mudar, sob o impulso de uma atividade inadiável e da busca contínua de novos estímulos. Portanto, há o desassossego: fantasias, desejos onipotentes, uma criatividade superficial e inconstante, mas também um recúo diante do compromisso, a incapacidade de avaliar as exigências dos programas à longo prazo e das relações de trabalho. O contato com os outros baseia-se no controle, na utilização. Há a necessidade de reconhecimento e de estima para alimentar o conceito de si mesmo (...) Há a tendência à idealização,mas também inveja dos outros, desinteresse por suas exigências reais, intolerância por suas limitações".

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