quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Superficial

deslizava por toda a parede
ao encontrar uma fresta
enfiei meu dedo na greta
depois o meu olho esquerdo
entrei em estado de choque
depois retomei do começo

e como se já nem pudesse
duvidar da superfície dada
e do contemplar que vaga
pego-me ainda alisando
e encontrando divisórias
porosidades, esfoleamentos

e composições de múltiplos segmentos
através das aparências mais chapadas

(2010, último post)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Último Desafio

- já não há mais sentido, foi por isso que eu parei.
- foi por isso que eu comecei.
- é aí que nós somos o buraco negro, dentro de um discurso maior.
- aludes a teorizações relacionais?
- faço desfiles. esse é o meu ramo.
- é um ramo do que faço.
- suas feituras comportam as minhas então?
- venha ver, venha ver, eugenia.
- ah, você canta... são paulo?
- não tenho vontade.
- como não?
- não sei. não sou bom com as palavras das vontades.elas que ajam sem palavras. como fomes e sedes intrínsecas.
- é bom estar entregue, quando se tem algo a oferecer.
- tenho um corpo de muita valia.
- ora, isso eu também tenho.
- isso é um desafio?
- pois que seja o último!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tentáculos

quem não fui que sempre
inferisse luz dos meus laços ao
gestar e parir os mesmos pedaços

luz lúcida sobre traduções ofuscadas
sufocou com dinâmicas
panorâmicas laminadas

cãs queimam
ontém pensei e...
tropecei nos tentáculos

Guarda-Chuva

a palavra guarda-chuva
abre solicitação
aqui datilografada
pula do terraço

falo recolho, ou um ou outro

a palavra martela
sinto-me tentado
é ela, aquela
a palavra martelo
cuidado, é ela
sinto-me tentado

falo recolho, ou um ou outro

a palavra martela
aqui datilografada
tece consideração
pula do terraço

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