domingo, 16 de janeiro de 2011

Misturado

misturado índio com guitarra



ouço ou sou possuído

meu lugar natal lumbra

penumbra um acontecido

pedi uma palavra da noite

roubei a voz de um ruído

invento agora que sonho

e misturo umas nuances



falo ou foi ecoado

cada padrão rejeitado

suor inalado da infancia

letra exalada letra exaurida

cresço ou creio que eternizo

atrelando a brasa rubra

com a lingua no granizo



nós não exigimos identificação.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ficar em Silêncio

- Por que não despeja a outra metade da bunda na cadeira?

- Para que uma parte do meu corpo esteja confortável, é necessário que outra parte esteja incomodada. Na verdade, eu estou sempre me provocando incômodos.

- Quer dizer que você fica aí, pendurado como um macaco, metade bunda, metade braço, e quer dizer que essa é a sua maneira de se impor desafios?

- É que eu preciso sempre estar atento, uma explosão pode acontecer à qualquer momento. Vês como me valho involuntariamente de rimas?

- Você não conhece os seus limites. Nem criativos, nem sexuais, nem mesmo os que não foram determinados por você.

- Prove-me que existe diferença.

- Superar desafios impõe um ritmo desenfreado de desleixe dos limites.

- E o que é o conhecimento, um processo de estagnação?

- Premissas desleixadas nos levam a conclusões desleixadas.

- Não me inclua nisso. No seu processo vaidoso de consecução.

- Eu gozo de convicções, o que posso fazer?

- E eu sofro, o que posso fazer?

- Dentre quais opções?

- Fungar o buço ou ficar em silêncio.

- Decididamente fungar o buço.

- Ficarei em silêncio...

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