terça-feira, 1 de março de 2011

Gregos e Romanos ou O Primeiro Elo Perdido Encontrado entre o Verme e o Artrópodo



Gregos e romanos. Sangue e sêmen escorrendo do amor platônico. Um policial cada vez mais procura se policiar. A sua viatura é polida, semanalmente. Paulatinamente, o polido acumula cada vez mais polidez. E o idiota, deixa que escoe de si, deixa que extraia de si, o mais abstrato procedimento dos extratos metafísicos. Sangra e ejacula, evacua o amor planetário, num espaço cabível apenas para ele. O idiote.

E por falar em idiotice, choveu o domingo inteiro. Não havia ninguém por aí, e nem nada por lado algum. Romanos derivavam em ruas repetidas, vias ruelas, sem receio algum, o que é incrível. Gregos apenas gaguejavam, não sorriam e gaguejavam. Soluçavam e gaguejavam, suas clássicas soluções. A história das civilizações tomava-me de assalto.

Não apenas a civilização humana. Mas, e sobretudo, aquela que une os insetos numa mesma atividade. Que permite, em Curitiba, que uma aranha específica, mesmo que solitária, seja tão ameaçadora. Diante dos seus braços à postos com o inseticida em uma das mãos, ela age como um leão, ou um felino qualquer, com movimentos das patas no ar.

Por todo lado estão despencando formigas mortas, depois da dedetização. E quase eu mesmo despenco, entorpecido e envenenado. Mesmo saindo de casa, e voltando, com muito cansaço, ainda encontro o cheiro mortal, e as mortes resultantes, em lugares cada vez mais novos. No canto do banheiro atrás da porta, a marrom. Eu poderia estar morto no colchão inflável, mas chegou o momento em que eu tive que decidir á partir da observação que nos distingue por tamanhos. O que, eu juro, é o meu único pressuposto. Está morta.

As formigas tem um foco comum na janela do banheiro. Notei isso quando muitas despencaram, assim que fui abri-la pela primeira vez. Foi como uma casca de musgo úmido que se descola de uma região pouco acessada, quando acessada, desmanchando-se na pia. Só que neste caso, o que desmanchou foi um bolo de formigas. Que subiriam ralo acima caso eu não insistisse água abaixo com o máximo de torneira.

Creio que mantendo estas formigas longe da minha janela, e da minha casa em geral, as aranhas as acompanharão. Por isso tornei-me um sentinela aerosol. Ao menor sinal da menor variação de formiga que venho encontrando, estou sempre pronto com uma boa borrifada aerosol. No domingo, à todo momento elas desciam, como que do banheiro do apartamento de cima. Até a parede da minha sacada, onde encontra-se a janela do banheiro. Algo ali encima faz com que elas venham.

Apenas elas. Aproximam-se da área envenenada, ou vagam agonizando o inseticida. As aranhas não deram as caras, nem detrás dos batentes, depois da minha investida. Uma formiga está morta aqui ao meu lado. Veio morrendo ainda hoje, conforme pude acompanhar. Eu era uma espécie de idiota, grego, alheio aos seus conceitos politizados. Alheio como a aranha-marrom, que oferece ameaça e acredita que é um reforço mexer as patas como um leão enquanto é atacada. Alheio ao próprio domingo, quando nem gregos, nem romanos, nem vendedores de jogos de cama, nem o meu próprio umbigo, vagam por aí, ou mais além. Só as formigas vinham, trôpegas com o meu veneno. Apenas elas.

2 comentários:

Felipe Chaves disse...

aranha-leão.

Aliás, esqueci de lhe mostrar o retrato que a Sofia pintou de uma delas. Isso pode ajudá-lo em futuros aerosois.

Sabrina disse...

além disso, se você deixa as formigas chegarem à janela, elas ficam por um tempo só lá. um dia vc acorda e elas dominaram a casa. formigas em prática metafórica. e tá morando onde?

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