sexta-feira, 18 de março de 2011

Sonhos de Edward

No ano passado estava empolgado por muitas coisas. Trabalhei como ator em dois trabalhos de naturezas totalmente diferentes com o Elenco de Ouro, e me senti enriquecido (isto é, perdido em uma função com a qual não tenho uma identificação absoluta-inabalável-estruturada que é atuar). Mas, fora das artes cênicas, eu estava empolgada pela possibilidade de escrever uma prosa. Com o passar do tempo, a prosa foi ficando prosa-poética. Com o passar de mais tempo, virou dramaturgia (fragmentos usados em Sonholabirintorgia, na apresentação referente a conclusão do curso de artes cênicas em 2010). Com o passar de mais tempo, virou uma série de poemas, mais ou menos independentes, mais ou menos conectados.

Não sei no que mais pode se transformar. Em post de blog, que tal? Aqui vai o primeiro poema desta seleção, que foi utilizado como abertura dos primeiros resultados do Projeto Sonholabirintorgia. Agora, são 50 poemas. Mas, não sei não, um dia me preocupo melhor com eles. Agora, há algumas semanas da pré-estréia de Las Morales Dobles de Wilson, estou imerso na produção de significados com o Núcleo de Espetacularidades, e trata-se outro universo (que povoará este blog nos próximos posts)

Sonhos de Edward

1.


Danço para me libertar

então, eu não sou livre


uma planta livre de um aquário

será que eu sou livre quando eu falo

quando eu vejo uma luz estourando

numa das paredes da noite


um homem precisa ser charmosamente brutal para sê-lo

portando saias longas entrega um punhal entre os dentes

ao mínimo descuido, as garras rasgam a própria pele


embaixo da cama e encima dela

vamos, cavalheiro, bom cavalheiro, coloque-se mais

à frente de qual tempo


verbal ou verborrágico, contamino-me

sulcando as rochosas vestes do meu aspecto terreno


enquanto isso, evacuo o amor planetário


2 comentários:

Mister Wild disse...

pela discriminalização da forma como significante

Límerson disse...

e vamos reconhecer a morte da forma.

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