segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ao Longo de um Tempo



Curitiba - Estou perdido. Fui sim revisar poesias que eu havia escrito há uns seis ou sete anos atrás. Fiquei perturbado com cada palavra, e com o significado que cada uma têve nessa releitura. Não me senti confortável para fazer muitas das postagem que planejei fazer. O blog é tão sem rumo quanto eu. Age conforme estímulos que na metade da ação perdem o seu vígor estimulante. Serviu? Pergunta a vendedora, do lado de fora do provador.

Confesso que já não sei. Mas, é bom dizer que sim, se for pra responder. Passar pelos últimos dias me confrontando com uma imagem idealista, que todo adolescente idiota faz de si mesmo, foi importante para confirmar o seguinte: continuo estripando os meus ídolos, e me relacionando mal com eles. A relação é ruim porque hoje em dia, e eu demorei pra perceber isso, os ídolos não tem importancia como ídolos, na elaboração filosófica que estabelece a forma cíclica iconografia/iconoclastia. Quer dizer, isso não está dentro de nenhum projeto criativo, de uma forma tão consciente do pensamento que uma humanidade faz acerca de si mesma, quanto condizente mais ao fenômeno da permeabilidade criativa que ao fato da permeabilidade inerente ao próprio passar de cada segundo quando observado externamente ao longo de um tempo. Assim como os inimigos não tem mais importancia como inimigos. Assim como o teatro, que deixou de ter importancia. Ao longo de um tempo.

E por aí vai. Com essa minha calma irreal, vou assimilando as novidades deste ano. As nossas novidades ínfimas. As de grande impacto na rede, tenho tanta dificuldade com elas, uma vez que são seguidas de tantas outras, imediatamente concatenadas, sem haver relação entre elas senão a da própria rede. Aliás, isso de escrever na internet, para mim, fica uma coisa cada vez mais perigosa. Falo isso porque, como eu escrevo muito, às vezes passa pela minha cabeça o fato de que alguém poderia ler (mas só às vezes) um pouco do que eu escrevo. E passa pela minha cabeça pelo motivo óbvio que se mostra em toda essa celebração estimulante da facilidade em ser notório. Com 'minha cabeça' estou me referindo a certa concepção trazida lá de Bauru até aqui, a respeito da...

Pode-se falar daquilo que morreu em si mesmo sem acabar tomando estupidamente como vivo e perdendo estupidamente o tempo que poderia ser utilizado para o que de fato está vivo? Estou perdido, e não sei. Estou feliz também. Acho importante que eu esteja tendo tempo para assimilar este ano e este presente. Penso quarenta vezes antes de postar qualquer coisa, principalmente neste blog, e ainda acho pouco. Quando parece que é só ansiedade, melhor deixar as reações químicas queimarem de outra maneira, onde os elementos sem durabilidade acabam naturalmente se extinguindo. E este é o meu procedimento com a internet, uma vez que ela vive me desafiando pelas armadilhas da ansiedade. Mas estou em vantagem, porque se tem uma coisa mais irreal do que isso tudo já me soa, essa coisa é a minha calma, e a minha paciência.

E assim declaro encerrada a revisão das poesias escritas em Bauru.

Uma boa semana! Cheia de si mesma, e mais nada!

Límerson

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Papel da Vontade


já quis ser papel

hei de chover água

dizia décor: agora já


e o papel da água

sempre se choveu

em roupa molhada


e o papel da idéia

a vontade não seca

amassei com a mão

Uma árvore



uma árvore no meio do caminho

os pais conversam logo abaixo

quem tem papas nas árvores


a planta impossivelmente parada

procura dançar enquanto desfila

quem tem figuras envelhecidas


quem tem uma lagoa no ouvido

bate o cajado no sentido abrindo

entre isso e o que não foi visto

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Órgão Questão



Órgão questão

Este órgão está em questão.  A mãe não o sabe. O pai não o tem. 

Quem quer comer este órgão? A pai o comprou. O mãe o fritou.

A conserva confunde o signo com o sabor.

Como seria isso se eu supusesse o que aconteceria?

Onde este órgão fica? Na mãe é um sangue que estica.  No pai é enquanto não finda.   

Quando este órgão acaba, tudo o que ela diz acaba, e tudo o que ele cala é válido. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Na nova manhã



Na Nova Manhã

dorme a dor
o ar dorme
me dorme
ardor me
medoar

toda a manhã


o ar dorme

na dor do
arder-me
por dentro
doarme

a cada manhã

dói-me
acordar
dai-me ar
que o menor
nome é enorme

na nova manhã

terça-feira, 17 de maio de 2011

Deriva

Somos derivas divididas

Em vazios emoldurados


Dizem isso com palavras

Depois voltam pra casa


E quanto ao pé direito

Só um alicerce ósseo


Uma malha muscular

Seria insuficiente


Hoje terminei de joelhos

Amanhã será até a morte

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Duas Sendas

voz serpente da boca

grito sem guizo

sai e entra

ante o céu entorpecente

o da mandíbula engasga

em guisa de formatos

o guia na silhueta deserta

sem guisa na visão que avisa

fecha e abre a pálpebra

para e entra o ar

foi tudo parido

quem havia comido

a própria cauda escutava

falo da boca cheia

onde a língua serpenteia

os lugares quando não estamos lá

grita a boca quando sai a palavra

ela sai pela boca e roçaga

na enseada chamada instante

(aquela onde se encontram duas sendas)

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