sexta-feira, 6 de maio de 2011

Duas Sendas

voz serpente da boca

grito sem guizo

sai e entra

ante o céu entorpecente

o da mandíbula engasga

em guisa de formatos

o guia na silhueta deserta

sem guisa na visão que avisa

fecha e abre a pálpebra

para e entra o ar

foi tudo parido

quem havia comido

a própria cauda escutava

falo da boca cheia

onde a língua serpenteia

os lugares quando não estamos lá

grita a boca quando sai a palavra

ela sai pela boca e roçaga

na enseada chamada instante

(aquela onde se encontram duas sendas)

Um comentário:

Amany Rocco disse...

Lembra-me arnaldo antunes, mesmo sem a pós-concretitude racionalizada pelos pré-modernistas.

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