quinta-feira, 19 de maio de 2011

Na nova manhã



Na Nova Manhã

dorme a dor
o ar dorme
me dorme
ardor me
medoar

toda a manhã


o ar dorme

na dor do
arder-me
por dentro
doarme

a cada manhã

dói-me
acordar
dai-me ar
que o menor
nome é enorme

na nova manhã

Um comentário:

Felipe Chaves disse...

Vamos estudar este poema.

dorme a dor (começa com verbo na terceira pessoa do singular seguido de um artigo feminino e finalizando com um substantivo relativo)

o ar dorme (começa com artigo masculino seguido de substantivo absoluto terminando com verbo na terceira pessoa do singular)

me dorme (começa com pronome em primeira pessoa, no caso objeto indireto e termina com um verbo na terceira pessoa)

ardor me (começa com substantivo relativo e termina com pronome em primeira pessoa, no caso objeto indireto podendo transforma-se em substantivo devido a subjetividade)

medoar (neologismo, podendo adquirir características de verbo no infinitivo)

A princípio, percebemos a regressão na quantidade de palavras por verso (veremos isso adiante). A primeira estrofe é interrompida pelo verso:

"toda a manhã"

Que nos leva ao princípio da ação, rompendo com o leve ritmo e estado de morbidez.

No quinto verso da segunda estrofe vemos a reconstrução do neologismo, uma trabalho alternado que acaba por criar a palavra "doarme", mostrando-nos a instabilidade rotineira do processo da vida.

"a cada manhã" interrompe a segunda estrofe, levando-nos à continuação, o que não pode parar, o que não para, mesmo podendo.

Já o último verso "na nova manhã" não tem a função de romper a estrofe (como nas duas estrofes anteriores) e sim complementá-la como um último suspiro de aceitação.

Vê-se claramente o ritmo alternado : 3 palavras, 3 palavras, 2 palavras, 2 palavras, 2 palavras, 1 palavra (neologismo, tentativa de mudança do cotidiano, mas que não rompe com o real pelo aprisionamento do mesmo).

A segunda estrofe segue o mesmo ritmo na cadência de palavras.

A terceira estrofe é a retomada, a volta da consciência que o tudo é inquebrantável e nada disso pode ser mudado, por isso a o novo fôlego, a nova inspiração, pois tudo deve cotinuar, dia pós dia, uma nova manhã.

Shalom e mazel tov.

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