terça-feira, 12 de julho de 2011

Foi Sui Generis


III.

Foi sui generis. Ocorreu que me encontrei com conterrâneos enquanto esperava. Ao sentir o cheiro da lua desenhada daquela noite, eles me reconheceram por causa da nossa cidade. Eles me abordavam. Aproximavam-se de mim com histórias para contar sobre a cidade que era perto do satélite Lua, onde me colocavam bem no meio de uma cratera em tom de jocosidade e leveza saudosa, sobretudo ao dizer a palavra cratera. Diziam que haviam me visto no palco. Lembravam-me de que eu não marcava presença nos bares buracos acusando-me de ter cometido um erro que eles até conseguem considerar como normal, uma vez que respeitam a diferença. Tal qual a tormenta respeita o vento, inclinando-se por catástrofes em potencial, da qual são a porção natural do fenomênico posto em ar litúrgico grave ou manchete bomba. Queriam me enfiar qualquer fotografia goela abaixo, afirmando que era eu aquele que eu via, que era eu aquele, que era eu na foto. Então esperei, através de diálogo profícuo e incrível capacidade de paciência. Além é claro de nutrir preocupação, uma vez que não reconhecia nenhum deles, sendo o maior número de memórias fornecido resultante da menor fresta de lembrança.

IV.

Foi sui generis. Você apareceu com os cabelos mais compridos. E um dos dedos da mão inchado. Um dedo roxo e torto, mais grosso que os demais. Você me mostrou e disse “é esse”. Você quis enfia-lo no chão, como se pudesse atravessa-lo, numa atitude de mergulho. Dito isso, os médicos não compreendiam. E jamais compreenderiam. Após a análise que cada um fazia do dedo sempre terminavam com a mesma atitude de preencher um papel que imprimiam e te entregavam, resolvendo a consulta num projeto simpático de conversa sobre as coisas. Por mais que pudesse parecer um dedo fraturado, amassado e com hematomas, nenhum dos médicos demonstrou certeza sobre o conhecimento do caso. Houve papéis, pílulas e bulas, em nenhum momento em correspondência com a função de diagnóstico. Um papel que nos levava a um bairro, que produzia um papel que nos levava a outro bairro, no qual já esperávamos pelo próximo papel.

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