quinta-feira, 14 de julho de 2011

Foi Sui Generis

V.

Foi sui generis. Depois de atravessarmos a cidade inteira caminhando à procura de uma resposta científica sobre o dedo, celebramos o fato de não termos encontrado nenhuma. Celebramos o contrário da vertigem via simulação da vertigem, a tontura impessoal que torna pesada e penosa as parcelas mais delicadas da vida, e você me contradizia. Debochamos e celebramos sem que notassem a transição de um estado para o outro. Você utilizava as suas mãos anulando cautelosamente as funções ativas do dedo suspenso. Aproveitou para gesticular as mãos enquanto falava, aparentando o que parecia ser uma aristocrata barroca. Uma bem afetada de espasmos das costelas aos quadris, e dos quadris ao pescoço. Que quando dançava inclinava o pescoço porque era demais a dor de barriga para que se pudesse tão museológica parecer que começa pelo ventre. Quando dançava e inclinava a cabeça o pescoço ficava reto. E os espasmos interrompiam as palavras em murmúrios, eram espasmos da podridão atrás das cortinas da pele. Quase vômitos pelas golas das anáguas, ela era comunicativa tal o modelo de anfitriã o exige no banquete. Os seus únicos momentos tranqüilos pareciam ser quando seu bailarino particular dançava aos seus chamados. Apertamos as mãos e ficamos combinados sobre aquilo acontecer ainda no ano de 2011.

VI.

Foi sui generis. Por fim aprendi que aqui se anda nos ônibus em pé, e que é melhor não cair na armadilha das barras onde seguram as pessoas que desequilibram. Assim que aprendi inventei que já sabia. Imediatamente quedei-me prostrado, da próstata à pituitária. Estando em pé, conforme as costelas abraçassem a frente da fronte, e não a retaguarda resguardada como frontispício de um si que não está de fato em situação alguma. Há quem comprima os próprios intestinos quando debruçados sobre lugares que por dentro são todos iguais. Lágrimas latiram nos meus olhos, e ladrariam as duas lantejoulas na cara de toda pessoa, latejando o assim obtido como resposta quando se pergunta “e como se faz para passarem os dias num quesito que seja além do que a tarimba de melhor ou pior desabrochar lunar?”.

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