quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Penélope Pileata - 20/10

Ansioso, Animado e Deprimido por isso que ocorrerá amanhã:
O NÚCLEO DE ESPETACULARIDADES APRESENTA AMANHÃ (20/10), NO TEATRO NOVELAS CURITIBANAS, A CENA PENÉLOPE PILEATA, DENTRO DA 7ª Mostra Cena Breve Curitiba ÀS 19H E ÀS 21H (INGRESSOS $3 E $6)
"Dentro do viveiro de Penélope Pileata reina o silêncio. Quando caminha, ela ocupa quase toda a sua jaula no Passeio Público. Exceto o espaço ocupado pela outra Penélope Pileata. Em estado de celebração, uma Penélope se encontra com a outra, promovendo a sua primeira festa de despedida, que coincide com a inauguração da Usina Hidrelétrica de Belo Monte"
Penélope Pileata é uma cena performática de Límerson Morales e Ale Galcerán, com Diego Galcerán, Guilherme Marks, Heleno Moura e Clarissa Oliveira.
(mais abaixo uma introdução à uma série de posts sobre a criação)



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Núcleo de Espetacularidades apresenta “Penélope Pileata”



Introdução às notas de ensaio de “Penélope Pileata”

Performance de Límerson Morales com Ale Galcerán



Duas situações interessantes: Quando o pensamento anda mais rápido que a língua, e quando a língua anda mais rápido que o pensamento! Qual é o pior? O pior é quando o pensamento e a linguagem andam na mesma marcha. Aí começa o tédio!

(Jean Baudrillard)


As experiências mais banais, aquelas do campo mais concreto possível, de onde seria um exagero e até uma limitação tecer considerações metafísicas e transcendentais, são as principais fontes de inspiração do Núcleo de Espetacularidades. O grupo foi fundado em 2006, por acadêmicos de artes cênicas, que tinham em comum a insatisfação com a sua própria condição de acadêmicos da área. Exatamente essa que seria a justificativa mais evidente de terem sido cooptados num grupo de teatro, o fato de estudarem teatro, acabou se confirmando como a mais importante fonte de frustração e de inspiração, ao mesmo tempo, em cada trabalho. Depois de cinco espetáculos escritos e dirigidos por Límerson, dentro do Festival de Teatro de Curitiba em 2009 e 2011, integrando o Coletivo de Pequenos Conteúdos, e as Mostra de Teatro da Fap, o grupo volta ao formato de performance solo na 7a. Mostra Cena Breve Curitiba.

Penélope Pileata é a o trabalho mais recente do grupo, com duração de 15 minutos, podendo ser definido como uma obra performática, que engloba o teatro, a dança e a literatura. Trata-se de um encontro entre um autor e uma fonte de inspiração, ou seja, uma celebração abstrata e figurativa da vida e da invenção da vida, e ao mesmo tempo um pacto com a morte. O autor é o diretor da cena, e a fonte de inspiração é a ave brasileira Jacupiranga, de nome científico Penélope Pileata. Existem duas espécies da ave no Passeio Público de Curitiba. Saindo da CEU um dia desses, após um ensaio frustrado de um trabalho anterior, onde apenas ele teria aparecido, o diretor acabou em paralisia diante da jaula da Jacupiranga. O fato de a ave ser nativa do estado do Pará, associado as idas e vindas do veto e da autorização da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, imprimiu naquele momento posterior ao ensaio malfadado um aspecto inevitavelmente hipnótico. Ouviu o Xingu e o Tocantins: é uma celebração de despedida de P. Pileata, marcando a transição de sua condição natural para a sua condição teatral, isto é, em viveiros, reservas florestais, porta-retratos, caixas cênicas, copa de árvores cenográficas, circustancias, circunstancias, circunstancias...

A transição para a qual a cena aponta, através de menções e circunstancialidades, sempre reflete o estado do grupo, ou o estado oposto, ou o comentário que o diretor sempre acredita ser o comentário definitivo, até que seja encontrado (sem para sempre ainda). Existe uma necessidade de mudança, reavaliação e reinvenção vistas pelo grupo, sobretudo na relação de significado que o teatro estabelece com a sociedade. A burocratização, uma das principais marcas da mais recente geração que vive de teatro, pode estar deixando de lado, por uma questão de incompatibilidade terminológica, um dos fatores mais importantes e caros para a arte, do ponto de vista do grupo. A incompreensão como estímulo artístico, como fonte de inspiração, e como um dos elementos básicos para que ocorra a comunicação. Ao não saber qual nome dar para o que ocorreu naqueles instantes em que ficou paralisado diante da ave, o diretor considerou a incompreensão nesta que foi a primeira nota de ensaios da cena:

"Quando a comunicação deixa de se confundir com incompreensão, no mundo das artes, provavelmente pode estar acontecendo alguma coisa realmente mais perigosa do que a comunicação. O principal alvo de incompreensão, e conseqüentemente a principal fonte de inspiração, no caso do nosso grupo, são as tentativas mais pessoais de organização das experiências banais, as de somenos importância. Tudo o que é da alçada do menor, por exemplo, os atrasos de ensaios, as mudanças de elenco, as alterações constantes de texto e de marcação, os conflitos de egos, vaidades, idiossincrasias, isso que na história da humanidade nunca mudou e sempre teve o seu devido lugar, tudo isso nos é incrivelmente misterioso e fundamentalmente apto para material de cena".


"Penélope Pileata" - no dia 20/10, às 19h e às 21h
Teatro Novelas Curitibanas
Ingressos $6 e $3

Penélope Pileata - Notas de Ensaios


24/09/2011

a falta de segurança que eu sinto sobre o meu trabalho me leva a trabalhar dessa forma. é o primeiro elemento motivador da minha propulsão em trabalhar dessa forma, aquilo que em proporções extremas poderia equivaler a repulsão. a insegurança. deste ponto de vista, a insegurança sobre o trabalho é um detalhe, importante enquanto detalhe, e que me coloca na obrigação constante de driblar o meu desespero pessoal. eu me considero um obcecado pelo teatro que estou buscando, porque isso ainda é uma busca onde o "ainda ser" não é implicação temporal de qualquer coisa que venha a ser. essa obsessão é também um prazer, e é também uma paixão, e é também uma necessidade fatal.

25/09/2011

experimento cronometrado da minha performance de ave. eu quebrei a garrafa que eu usava como objeto pessoal da dança. uma passagem geral cronometrada, e uma livre apropriação dos impulsos iniciais ao som da matriz lusitana do povo brasileiro de darcy ribeiro. como se eu tivesse buscado hoje verificar as associações verticais e as associações horizontais que me relacionam a cena. a parte que compete a mim na cena-performance penélope p. a verticalidade seria a passagem geral da performance, o principal trajeto, as insinuações de movimento e dança mais essenciais da performance, sendo elas: a imersão num outro estado físico de presença, a relação com a garrafa quebrada (cuello) e a despedida (tchauzinho). a horizontalidade seria o conjunto de associações internas que eu faço com o trabalho, compete ao plano invisível ao público, diz respeito ao instável, ao que é suscetível à passagem do tempo, ao work in progress.

26/09/2011

é como entrar em contato com outro idioma, e a partir daí perceber que altera a relação com o idioma de alfabetização, acontece alguma coisa. essa alteração consiste na contaminação dos dois registros colocados em contato, percebe-se os dois (ou mais) como uma coisa só, da qual não se distingue a origem. os idiomas em si permanecem nos seus lugares, e circulam juntos nos registros de uma pessoa, ao ponto de a palavra hincapié deixar de ser a mesma, embora fixada firmemente num vernáculo. a ponto de os dedos da mão esquerda, esticados como estão agora, um cigarro aceso entre dois deles, também se esxsxstendem até os instantes em que eles inteiros eram as unhas dos pés cravados na terra, e as penas das asas abertas que escapam, e as penas que escapam do pescoço (cuello), do lado de dentro e do lado de fora.

29/09/2011

dois idiomas, uma duas ou mais qualidades de movimento, que só se colocam em relação dentro de um ponto de vista. o ponto de vista, seja qual for, trata-se de uma premissa, uma condição sem a qual não. sem a qual não haveria um abismo, mas apenas uma evidente contradição aparente. o abismo entre a linguagem e a vontade de dizer, que coloca, por exemplo, qualidades de movimento em relação, uma relação que de chofre seria impossível. que no plano prático é impossível. o mesmo plano prático onde se afirma para si mesmo diante do espelho "tudo é possível". só existe na criação, só existe na vida considerando o princípio da criação. e se alguém saltasse de um registro até o outro só desfrutaria da trajetória em questão, cujo fim e o começo, partida e destino, seriam aparatos meramente insinuados, induzidos pela artificialidade dos contrastes.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Penélope Pileata - Notas de Ensaios




01/09/2011

um texto para penélope pileale. um texto dito por um diretor em off. na ponta da perna da coxia do urdimento que só mesmo a carpintaria mais kantoriana faria acontecer. into the wild. ataques de choro para dormir. algumas palavras chave conactadas pela palavra llanto. llaves secretas acontecem. muitas leituras, definitivamente muitas leituras sendo postas em relação. um texto de circustancia: h a d o - f u e r z a d e s c o n o c i d a q u e , s e g ú n a l g u n o s , o b r a i - r r e s i s t i b l e m e n t e s o b r e l o s d i o s e s , l o s h o m b e r s y l o s s u c e s o s - e n c a d e n a m i e n t o f a t a l d e l o s s u c e s o s - vai chorando que eu vou falando.

09/09/2011

o que motiva o encontro de duas propostas distintas de atuação? o que pode nos garantir que elas se encontram, numa trajetória de quinze minutos. isso não é uma resposta, é apenas uma resposta. um atuante com orientações de cena, outro atuante com outras orientações de cena, como se encontram? não é preciso que ocorra interferencia direta. isso não é uma resposta, é apenas uma resposta. "entre as verdades diligentemente exploradas e tais coisas pressentidas, permaneceu intransponível o abismo, por aquelas se deverem ao intelecto, estas à necessidade". a fome que deseja o alimento, pressente a existência do alimento, considera a saciedade e o temor no todo de um potencial. qualquer passo é qualquer na terra da incerteza?

22/09/2011

estes últimos encontros, os últimos primeiros encontros, pressuposto de ensaios e tomadas de decisões, tem servido para mapear o ritmo de produção e também para reinventar a forma de mapear o ritmo de trabalho até servir como uma redefinição postiça de uma forma de inventar. tem sido encontros que apontam para um novo olhar pessoal sobre o meu trabalho, necessidade de um pressuposto da passagem do tempo, até a redefinição da indefinição. à partir do cotidiano é um trabalho sobre o reconhecimento da intuição. eu trabalho com quem eu reconheço a manifestação sutil de uma circustancia atuante inconscientemente, numa base onde o desejo da intuição é um agenciamento da realidade, supondo a passagem de um tempo próprio para que as relações tenham a chance de serem preenchidas de sentido. se eu me pergunto da importancia disso, do além disso, do a partir disso e além disso, seria inviável acreditar na resposta?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Penélope Pileata - Notas de Ensaios




29/08/2011

tudo escuro. estou deitado, em paralisia. talvez seja a quase total paralisia. inclusive é isso o que espero. tornou-se insuportável acompanhar a paralisia de ontem trazendo a sempre absurda paralisia do hoje. queria ver o amanhecer pela janela, então noto que minhas duas janelas encontram-se embaçadas; não percebo o mínimo anúncio azul da manhã e me desagrada a ideia de perder o amanhecer. só mesmo indo até a varanda. só que para ir até lá eu teria que retirar os meus pés debaixo das duas almofadas que os mantem aquecidos. aliás não uso mais meias, porque meus pés suam demais, o cheiro vai para as meias, para as outras roupas e para a máquina de lavar.`meus pés concentram a experiência mais intensa de calafrio, suam e cheiram canela, e tremem às quatro e meia sem café.

30/08/2011

o catarro de fumante escorrido no joelho era meu. era meu arremesso, meu vôo, minha cara de joelho. será que é só gritar em silêncio, como quem ouve do berçário o choro de um viveiro, ou ela tem um canto secreto? ou ela canta mantendo os códigos em segredo? até aonde vai a caminhada senão até a repetição de um movimento? a repetição que também é um mecanismo do maquinismo do desejo. essa festa de despedida, para a qual estão todos convidados, celebrando a instauração de uma condição espetacular, celebra também a morte, como a fotografia-tiro-de-metralhadora kantoriana, ou apenas debocha de Kant, ou do canto onde agora eu não me escondo, de onde agora me encontro numa mirada irônica, cujo resultado é e deve ser melhor compreendido no icônico do efêmero que no efêmero do icônico. qual é a diferença?

cuidado com a cristalização das asas que respiram. isto é, com os púlmões que respiram pelas asas abrindo e fechando. para que o vôo seja um não vôo, é preciso deixar que as asas que protegem os pulmões se abram e fechem organicamente, num abrir e fechar de ossos que vá aos poucos sufocando os sensores com o fôlego renovado. no começo eram apenas dois pulmões mantendo um corpo em pé. depois de muita pele esgarçada no abdómen, no tórax, nas espáduas, nas pontas dos dedos, depois disso os ossos que protegem os pulmões já estão tão abertos que furam os olhos da plateia, muitas e muitas vezes.

sábado, 8 de outubro de 2011

Penélope Pileata - Notas de Ensaios




25/08/2011


ele está demorando para voltar você não acha? ele está demorando para chegar ao outro lado. você não acha? ele não conseguirá chegar até o outro lado, como parece. não chega a ser o que não parece. ela, a outra extremidade, não chega a ser o que não parece. eu daria todas as respostas, nasci com essas ganas. ele, a outra extremidade, engana a essência à cada passo essencial. cada pé é eminentemente artificial. ela, a outra extremidade, não espera por ele do outro lado, não espera por uma conclusão nos seus desígnios. não espera nem pela morte nem pelo amor. ninguém, nenhum, dos quais, poderiam ser vistos na outra extremidade da outra extremidade. essas pessoas, esses pedaços do conhecimento, esses rastros da infinita descontinuidade, confundem-se com os seus lugares, confundem-se com o espaço que ocupam. ninguém, nenhum, dos quais, poderia dizer onde terminam esses espaços que ocupam e onde começam essas pessoas, esses pedaços da infantil infinitude, esses rastros do perpétuo em descontinuidade.

26, 27/08/2011

Guilherme Marks. Passagem com a garrafa na boca, mas ainda não é a original. Se tiver que prender com os dentes creio que os dentes não vão suportar, então melhor seria ter um bico que não fosse a aparência de um bico que carrego na boca mas no peito de uma concepção. Preciso de uma alternativa, menos tempo com ela na boca, ou um suporte de fixação dela na boca. Uma alternativa que comporte o peito da boca. O estado de pleno direito do bico do peito da boca. E quem sabe uma sorte de penduricalhos no pulso.

- "Cultura do Narcisismo" e "Esboço de Psicanálise", e chega.
- estou perdido/a pedra abriu os olhos/e me viu/entre o prédio e a avenida, escorado com um braço/entre a esquina e o fim do dia;
- "Uma espécie de deus amarrado a um corpo que apodrece";
- o mistério (?) da experiência mais banal à mercê de uma ou outra capacidade falha de interpretação;
- demandas da vida imediata e o destinho - tragico é o encarnado - trago bode;
- "a pulsão é regressiva - anda p/ trás - busca o repouso - do orgânico ao inorgânico - vai até a morte - aquilo que constitui é aquilo que trai a constituição".


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Penélope Pileata - Notas de Ensaios

"mas qual o contrário de confirmação se a sonoplastia não age em conformidade?"



19/08/2011

comecei como ave e acabei como um macaco sem norte em êxtase com o corpo todo perfurado por entrada e saída de ar. agora tenho mais dúvidas do que qualquer outra coisa. a baba espirrou nos meus olhos durante a tentativa de explosão. quando tudo sempre perde a aparência de sentido o ressentimento afroxa os nós ressentidos. pontas da perversão surgem nisso, dedos da sombra galinácea massageiam os músculos da região escapular. como terminar com o que vem depois disso, depois dessa repetitividade auto-erótica vem o que? a garrafa tem que estar no próximo ensaio ou ela sempre esteve onde.

21/08/2011

o corredor onde eu converso com a talita ao lado do estacionamento da igreja onde são lavadas as roupas sujas em cujas janelas se fuma por causa da colega de apartamento . apagam as luzes no estacionamento os carros apresentam propostas de recortes com os faróis encendidos.

23/08/2011

ensaio com a garrafa. outro peso. ela precisa estar quebrada para estar ali. com a rachadura no bico. muito frio para pouco aquecimento. fiquei insatisfeito. devo quebrar a garrafa e escrever um texto. existe algo, algo vago, algo agonizante, engolfado quando afoguei. acordei de um sonho engalfinhando algo, algo vago, algo agonizante. uma história de amor que não deu certo numa cidade cujo projeto social não deu certo de acordo com os acertos vagos de uma moral pública mal fadada que melhor fado não daria certo em apenas uma trajetória onde de um ponto ao outro dentro dos campos de visão não estaria esgasgado com cacos de vidro na boca. amor incondicional, sem restrições.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Penélope Pileata - Notas de Ensaios





16, 17/08/2011

- Eu vou até o fim (vai lentamente até a outra extremidade) de tudo; (no começo ou no final da escada)

- A garrafa quebrada na mão. A garrafa quebrada na boca. A garrafa quebrada na mão.

1- Penélope e Diretor de Teatro esperam/atraem/recebem o público;
2- Música. Diretor de Teatro vai até a escada. Penélope diz que vai até o fim. E vai, caminhando lentamente, até o fim de tudo.

eu vou até o fim de tudo
quando entro naquela copa
no começo ou no final da escada
até a outra extremidade outra
a garrafa quebrada na mão
o toque de um despertador

"Com a falta de pesquisas de campo detalhadas, não há informação real sobre o status verdadeiro da espécie em qualquer lugar de sua distribuição, e seu limite sul é desconhecido" (wikiaves)

sábado, 1 de outubro de 2011

Penélope Pileata - Notas de Ensaios


18/07/2011

caminhada lenta. gira grito curvo retorna ao lugar de onde saiu com os olhos. de onde saiu com os olhos o cru. cru. cruvo. curvo. penélope é uma galinha corvo pileata bem afeiçoada que com um par de óculos parece impor mais respeito que com um par de asas. termino anotando tudo, pingando baba da barba. não tem lamento, alem do lamento. alem da raiva e da explosão, calma. a pata levanta e bate no chão. a pata levanta e bate no chão. a pata levanta e bate no chão. o vôo mal fadado tem mãos, e não haveria um fado melhor, nem melhor não. e o fado é qual. o sorriso feioso, finamente narcísico, provoca o rebolado. explode o rebolado. estoura no quadril quadrilátero a boca preta de buracos.

22/07/2011

eu quero explodir. querer a explosão pode ser uma forma eficiente de gerar ansiedade, e estimular a confusão de tudo com tudo. não quero a explosão. eu perdi a respiração da experiência anterior. que também não era uma respiração específica, da qual eu pudesse necessariamente sentir falta. hoje foi totalmente oscilante. querer explodir é assim. aconteceu na máscara de sorriso-nojo. a ave que ri. e em boa parte de movimentos do quadril que chamo espirais quadriláteros. acho que vou começar em pé. ou melhor, vou começar repetindo as ações deitar-levantar... algumas vezes. para iniciar a caminhada em pé. até mesmo a pata que bate no chão eu perdi. não houve raiva e explosão que eu procurava por raiva e explosão vendo de longe como quem não vê de dentro. a respiração é o vestígio, o ar é a pólvora sacrificial.

25/07/2011

a respiração é a entidade, o corpo se apoia na continuidade, ainda que conceitual, ainda que perspectivista. estou perdendo minha mãe e me transformando num pássaro. estou perdendo meu pai porque sempre fui uma mulher. sempre fui o inventor da mulher do meu pai. tenho preferência por horários ao redor do começo da tarde, são ideais para ensaios desse tipo. ainda que sem clareza do que vai ser o acontecimento, uma vez que encaro isso como uma novidade, sinto carência da previsibilidade, de condensar marcações, e fazer de todo detalhe, vertical ou horizontal, uma nítida alusão a convención, hoje eu entendi a respiração do trabalho.

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