sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Inconformidades Estratificadas Desmoronando



As manobras já deram seu início. Muitos tiveram que procurar abrigo não exatamente da maneira como pretendiam. Não podemos esperar pelo dia do soldado sangrento, porque o amor é bom, mas não pode esperar. O esvaziamento que me atingiu é uma alegria. Uma porção de datas, uma porção de fatos, e pessoas diversamente potentes, especificamente abstratas, encontram-se misturadas, em estado de salada, celebrando o anseio de uma revisão partindo da degradação da tropicalidade. Tínhamos acabado de passar por Pedras Brancas.

O ôninus estava em movimento. Quando eu abri os olhos consegui ler apenas isso: Hotel Visual. Dizia um luminoso, cujo efeito de blackout fez desaparecer. Eu quis aplaudir. Mas tinha fortes dores escapulares, alguns nervos fora do lugar, e alguns músculos estavam imobilizados. Preciso descontorcionar o pescoço porque pernas abertas pernoitam, pensei (em escrever). Se eu projetei naquela visão uma reunião de artefatos tão especialmente insubstituíveis, foi por um anseio de extratividade descolado da lógica mecanicista da economia moderna. Foi porque as unhas nasceram assim, em rasgo epistemológico da hepiderme. Epiderme bolhosa essa sob a cobertura do linho. E uma peruca loira na máscara de costas.

É em nome de uma cenografia? É em nome de uma instalação? É assim que se começa a realizar um desejo, em nome de um deslocamento pela invenção do território de desejo? Quem responderia sem arrebentar as conexões entre os membros superiores e inferiores de uma criança... Havia acabado de entrar uma, de mão dada com um responsável. Fiquei pensando enquanto ela chorava. No nível etnográfico que alcançou a incomunicabilidade entre duas pessoas de mãos dadas. Ethos e Etnos, quem degrada quem? O responsável cumpria o seu papel, não fazia nada a respeito. Fazia seguir adiante em direção ao banheiro com o intuito de que ela vomitasse. Ela chorava.

Foram doze horas multiplicadas por quatro de reconsiderações profundas. E não foi o suficiente. Ainda que tenha causado em mim a impressão de uma eterna profunda inversão de possibilidades, posso garantir que não teria sido suficiente nem se aquilo se estendesse ao longo da eternidade. Foram reconsiderações sobre a cenografia, e sobre como os atuantes poderiam se deslocar através dela, alterando irreversivelmente os seus significados. O posicionamento dos corpos, os braços daqueles que são responsáveis por ascensorar as bagagens para cima e para baixo, um deles sinalizando um efeito sonoro, um deles funcionava como deixa. A minha posição de controle, a minha posição de conforto, a minha posição de ponto eletrônico, estava sendo bombardeada.


Límerson

09/12/2011

Curitiba

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