segunda-feira, 25 de junho de 2012

Trauma Cha Cha Cha - Segmento de Solilóquios



Solilóquio 1

NOT I: Tudo começou com escuridão na maternidade. Antes da escuridão veio a maternidade do antes. E as conseqüências funestas fundadas na cócega embaixo da pálpebra. Muito pouco equilíbrio o suficiente. Pelo máximo homeopático estupefaciente em parturientes audições eu vento. E vindo de cada janela fendas. O furo geométrico na parede erguida do corte epistemológico era o crivo da janela fechada. Café e cana de açúcar? Fedor de eucalipto na fábrica de desinfetante. Não, eu não trago reclamações disfarçadas de pareceres. É fato que eu reconheço expressões de perecimentos em suas naturezas diversas. E me afeto. Eu não entendia o porquê de tantas viagens que fazíamos sempre para o mesmo lugar. Algumas limitações sempre foram as minhas mais importantes motivações. 

Solilóquio 2

Um quarto. Dois meses depois. Um palestrante enfático imerge em estados de êxtase, e oscila. Como a janela estava aberta, os sons da rua invadiam agredindo, susto com diálogos ilusórios, e imersão na dúvida. Cada carro que passava com o som alto fazia ele dançar. Durante os quase silêncios alcançava arrepios. Foi quando a palavra quarto adquiriu um novo formato em seu pensamento. Adquiriu um peso intolerável e o seu alívio correspondente imediato. Não chegou a escorrer a lágrima. Acionou o inseticida contra dois insetos que passavam. Gostaria de saber o que os atraíam porque era intrigante. O melhor céu estava ao seu alcance. A melhor posição em relação à Lua. Para que a palavra quarto tenha se transformado num significado, numa vertente temática, afetada de vetores portadores de portas, precisou que chovesse gelo contra o vidro da varanda no primeiro dia. Na frente do espelho, atrás da cortina, uma nuvem dançava, passando de arco voltaico a vulto branco eivado de vazio cinza. Nuvens passavam sobre todos eles. Um grito, depois de tudo, quando os três já haviam atravessado a rua. Um transeunte da urbe que pegou um saco com o par de tênis encostado no poste. Tirou um dos tênis, jogou no caminho. Tirou o outro pé e jogou no caminho. No auge da transitoriedade, encontrou três outros transeuntes. Abordou um deles, enquanto os outros caminhavam mais devagar, olhando discretamente para trás. Conversas inaudíveis com oscilações tonais.

Solilóquio 3

Olho além dos arabescos depauperados e alcanço o vidro da porta. Não é muito longe. Com um pouco menos de esforço noto uma planta que floresce num grande vaso do outro lado. Eu tinha dado as costas para a chuva que alcançara todos os nossos esconderijos auditivos. Além dos arabescos depauperados fiz uma pergunta em desencontro. Ela alcançou a pedra da pérola do teto de vidro com a mão. Não a lâmpada, mas o texto de vinte anos atrás. O mesmo texto de vinte mil anos atrás. A paixão provocara os movimentos às cegas iniciais. Eles trouxeram cegueiras e vislumbres eivados de enlevo. Não importava o que era levado, o amor alcançava cada estímulo nervoso. A tradução era feita em onda, em arco vibratório, em dança de contato. Na transição de estados de atenção, nos orifícios secretos de portais incrustados na mitologia do corpo, nas arregimentações transversais de somenos importância os problemas de nervoso. O arrepio no dorso preenchia os braços para frente, os dedos longos no rosto gordo.

A cura é uma armadilha. Um passo além dentro do medo. Um passo no medo da continuidade de uma coisa cadavérica de cada vez. Disseram-me que há gente sendo feita o tempo todo. Nesse ponto, a continuidade entre decepção e tentativa parece um fenômeno evidente. A intensidade, o medo, a cura que tangem o processo budista da desfaçatez.

Solilóquio 4

Eu poderia ser fotografado naquela posição. Esta relação de exposição me excitava a incitar-me este desejo secretamente. Selecionando preferências com os braços no balcão. Afirmando modelos, na tentativa sádica de devorar os códigos, em definitivo. Os presidiários apóiam os braços para fora dos portões. As mãos nas grades posicionadas como adereços andrajosos ofereciam cinzas na manifestação do colorido poluído. As mãos eram toda a dor do mundo. A condição de exposição ao caos, e suas incidências, sobre a urbe o proto e o gesto. Até agora pouco eu quase me esqueço, e me pegava retomando a mesma relação de grade, pendurando-me no limite.

Eu poderia me estrepar, deixando cair um ou dois membros no meio do trânsito, atingindo tanto as pessoas como os carros com meus membros em despedaços, afetando-os dos interiores aos arredores, incitava-me eu mesmo com excitações secretas. Afetou-me o baço ontem. Um dia inteiro dedicado à função nenhuma, disfarçado de horas de trabalho, devotando melancolia e vômito. É que comi. Ao começar o jantar notei que havia um corte no meu dedo. Não dei conta da profundidade. O que me alarmou foi a retidão do corte na pele, a discrição do alarme, a sirene passou como um despertador por engano. Incomodou o outono nos contornos da cebola. Meu olho lacrimejou. Meu olho lacrimejou. Meu olho lacrimejou. Caminhei em linha reta, indo e voltando, repetindo o lugar num mesmo percurso num mesmo lugar. As linhas retas afetaram as manifestações transversais. O susto adjacente atirou-se pelas janelas abertas. Ao lado os espelhos sem cortina cuspiam tanto que acabou meu pai.

Silolóquio 5

Atenção, a felicidade sempre foi. A felicidade, certamente. A felicidade, instaurada no corpo de um lar, no corpo insular. Insuflada de peninsularidade, a felicidade é uma idéia dolorosa. A irrigação peniana genitalóide, arrebatada do e pelo ingênuo ingênero, não decifra a peninsularidade do significado. É insignificantemente intrigante. A demasiada inversão até o nada tornou a soar com o tom da absoluta encenação: a mendicância de sentidos na condição aniquilada da mendicância de recursos. A faixa dos ciclistas é vermelha, tem cruzes distribuídas no cruzamento. O que me assusta é a Lua da André de Barros.

Velo de ojos por los cuales parpadean las horas aburridas del médio... Lejanías mirables por las todavía no extrañadas suficientemente... por las ventanas todavía no abiertas mientras despiertan cierran hacia el medio del miedo en el todavía no extrañado suficientemente... Las lejanías mirables son las hojas en su parpadeo...

Esse gemido adolescente deve ser emitido enquanto se faz caso batendo os pés no chão ao som dos tacos marcando meio tom acima da normalidade até estourar a estrutura envidraçada dos espíritos instaurados tais quais os alicerces mais desnecessários de um pensamento caducado e carente, sem amor e sem poesia. Eu tenho saudade do lugar onde eu moro, e morro de ansiedade para produzir uma lembrança de deleite.

É por isso que tenho o mesmo marcador de página até hoje. Este que está até agora aqui, e que desde então tenho utilizado. Um pedaço de guardanapo de papel, escrito: um passo dentro do medo, a cura é uma armadilha. O mesmo, até hoje: os seres da redação ainda me parecem de um certo dramatismo traumatismo e têm não sei que toque de alucinatório.

Solilóquio 6

O que mais me incomodava naquele organismo aberto de afetações devia ser a escola de inglês cuja janela ficava bem na frente da minha janela. Uma janela com pessoas trabalhando dentro, exposta a uma janela com pessoas morando dentro fora. Ocorria intensa circulação sanguínea ali nas minhas coxas. Eu coçava e naturalmente surgiam pequenas bolinhas brancas na pele vermelha. O bi-articulado colocava-se na sua via que era específica à sua sujeira. Naquele ciborgue, irrigado de temporalidades fragmentadas, eu morava secretamente através de uma evidente experiência de traumatismo cronológico. A cronologia urbana, distribuição espacial de desigualdades, padrões em estado de fraude evidente, evidentes fluxos de vida, comércio, impermanência, e agressão de todos os tipos. Daquele ciborgue eivado de esvaziamento que eu falava. Fazendo parte daquilo, era como se eu sempre me despedisse.

O que está escrito aqui? Eu não vou repetir a pergunta infinitamente, flor de obsessão. Flúor é uma geléia nojenta e alienante na boca que baba. Toda essa provocação é insana. Quer dizer, provocações insones. O sono vem e vai, em todo momento. Dormíamos demasiado durante aqueles que foram os agora chamados últimos dias, e desejávamos muito pouco o estarmos acordados. Estamos oscilando demasiado sob a ótica alucinada de uma abordagem plural da emissão omissiva. Tanto é que se pronunciou essa cavidade de dentro pra fora. Essa concavidade com vértices convexos que do meu ponto de vista chamo de ponto entre arestas. A dança da fresta entreaberta. Convites antecipados. Eu vou estrear na noite, no melhor do rebolado. Os corpos parados não perdem, os corpos mortos lideram. Pronuncia-se uma concavidade.

Cuidado, não vá passar a borracha na folha em branco, alertou-me recordar-me de quando vivêramos em tantos sem tamanhos desencontros sem importância. Foi só uma bela passagem. Se coubesse poderia desenha-lo se soubesse. Em seus trajetos ocorreram transições e desaparecimentos. Utilizou-se muito o recurso do desmaio. Uma vez que ele se comunicava por gestos, despediu-se balançando a mão. Quando éramos presentes era melhor que sem ninguém, e no presente eu pensava: Passeia, mas sua. Fazia tempo que ele era um sonâmbulo.

Eu gostaria, portanto de chamar a atenção para uma seqüência de sutilezas, que para serem percebidas necessitariam da indiferença, da ignorância e da escrotidão. A alquimia da alegria aponta, dentre muitos dos seus caminhos, para este recurso. O desmaio da boa vontade pessoal em nome de uma rede impessoal. As impossibilidades de convivência que são evidentes, e evidências da necessidade de invenção, e evidências de que pouco tem provocado algum significativo efeito estrutural.

Solilóquio 7

Um passante da rua me olhou enquanto passava. Comentou com a sua companheira, uma passante: “ele não sabe, mas está sendo filmado”. Isso me assustou quando percebi. Teria eu ouvido aquilo de fato? Uma vez que ouço, vejo, sinto os cheiros, e sinto os gostos, como um objeto em experiência singular. Será que ele quis dizer que eu estou sendo um objeto de estudo? Uma equipe fotográfica tem registrado cada impulso e calculado. E eu começo meramente a me excitar lembrando o quanto era calculado. Ele dizia:

Estou delegando alguns palpites segundo minha intuição e minha percepção. O anti-nelson rodrigues que vou encenar será e conterá um anti-nelson rodrigues em erupção, um trauma referencial inoculado, que estaria acontecendo simultaneamente ao original. Coreografia de duplos, oscilação de personagens entre cada dois atuantes. Algumas narrações de macunaíma poderiam ser reconhecidas em passagens específicas de momentos fronteiriços.

-  e então, nós somos sedutores.
-  isso tem me assustado.
- calma, cuidado, atenção; esta informação é tão nova para você quanto é para mim. estamos aprendendo a lidar com isso, digerindo cada vez melhor este fator.
-  somos sedutores.
-  assusta-me que ainda façamos isso dessa maneira, não acha perigoso quando alguém diz “nós somos” alguma coisa?
-  digerindo cada vez melhor até o estado fecal.

Adquiri um estado de silêncio profundo. Um estado profundo de silêncio. Um estado de silêncio profundo. Profundo foi onde começou o rebolado. O aspecto espiral em excelência. Inspira e expira pelo nariz. Emanavam contornos violetas ao seu redor. Carimbava perfis, figuras-fundo. Despejava em relevos as camadas gustativas da atenção. Dialogava com os paralelos extensivamente perpendiculares. Além de expressar o espírito de gozo e raiva quando o espirro saía. Quanta maquinaria cênica... Elaboramos tantas compreensões de dramas pessoais, que quase colecionamos a nós mesmos. Ao redor de objetos da simplicidade mais desconcertante e arrebatadora, o que gostaríamos que fôssemos, mas não podíamos admitir que o éramos. Era o que nos restava fazer àquele respeito. A esse respeito os ladrilhos espatifaram na cara dos cancionistas. A cerâmica em pó irritou aquelas privilegiadas retinas, esborrando as fronteiras entre pupilas e pupilos.

Solilóquio 8

Não, eu não sou mineiro. Eu sou minério. Quer dizer, eu minero. Eu me nego a escrever mais um projetinho. Eu me nego. Não, eu não me nego. Eu não me nego. Eu não me nego. O torpor do sono é meu melancólico despertar sagrado. Fiz com que um manequim andasse de bicicleta pela cidade no meu lugar, para que eu pudesse estar aqui agora. Na presente condição de coleta indeterminada. De certo que se dão translúcidos percalços nos cascos dos espíritos mais transeuntes, mas não é só porque parece que é de tudo o que cola no seu espectro pegajoso que não exista critério algum, nem tenha que existir, nem tenha que existir falta de.

Solilóqui 9

Estava levando minhas coisas para outro lugar novamente. Uma parte delas já estava lá. Na verdade, o que está acontecendo agora, é que tento entender. Novamente. Na verdade, contei que ia subir e descer as escadas seis vezes. Descer e subir. Exauri-me em tanta decodificação, em tantas decifrações, em tantas dissecações. Ocorre que esta situação tem tantas pontas e tanto alcança quanto escurece tantos focos. Precisava estabelecer um começo para que pudesse haver continuação.

“Tão superficial quanto Nietzsche”, quem foi que me disse isso mesmo? Esta situação. Não acreditava que eu estivesse voltando. Embora eu estivesse levando minhas coisas de volta, eu não entendia aquilo como um retorno. Apenas se vai, não é? Ou melhor, é em movimento que as coisas sempre aconteceram, não é assim? Não é assim, isso deve ser sussurrado, como um bordão bordado em preto e branco. Eu estava tenso de felicidade. Logo que eu cheguei era um dia à menos que eu ficava ali. Comecei a entender que o que sei passou a ser o que podia ser percebido como vivo e perecível. Comecei a desconfiar, e a ter certeza de que desconfiava.

Eu não estou falando de nós como uma teia, eu estou falando de mim como um atrelado de teias. É mentira. Se o que eu estou falando pudesse ser lido com a inclinação menos melancólica que a minha própria disposição espacial em relação a informação, que por sua vez coloca em relação a informação falada, a informação lida, as impressões das minhas inclinações estaria salva dos segmentos detratores da experiência de leitura. 

sábado, 23 de junho de 2012

A Prática do Saudosismo Performático


O que me incomoda e ao mesmo tempo me entristece é a minha indecisão. Não, o que incomoda e entristece na minha indecisão é que não é minha indecisão, mas a decisão que eu tomar. É a decisão que eu tomei que não é. Nada demais, além dum furo no tempo que se insere no curto acontecimento da decisão, prolongado como um enredamento continuado. O que me entristece nessa indecisão é que me entristece a decisão. A insinuação no desenho da opção, considerando como esboço desses vestígios, as reações que obtive como resposta. 

Quando detive o próprio desenho da decisão, a opção sendo considerada, tinha um aspecto positivo inegável. Eu me detive nesse aspecto naquele dia em que estava deitado com tamanhos comprometimentos. O que me fez lamentar a opção provisória de voltar é que pareceu essa a opção menos lamentável no meu horizonte. Ao lamentar a perfeição dessa decisão, teci ponderações sobre as inúmeras vantagens envolvidas. Nisso eu fui perdendo a capacidade de expressar a decisão, e também o movimento tão importante que essa decisão acarreta. 

Determinado movimento de acordo processual no qual a associação de imagens configura um campo de probabilidades contagiosas. Despertai as ilusões das interações com as dinâmicas dos despertares. Sempre o mesmo despertar que vai dando a impressão de que não está fluindo, vai dando a impressão de que já fluiu melhor, e vai dando uma série de impressões à partir daí, sendo que uma parece anular a outra, conforme estabelece na verdade uma relação perversa de composição. Assemblage imperfeita de perversões.

Acredito que caso eu possa retomar a sensação de retomada indefinidamente: à partir de agora. Ou aliviar a impressão de que algo foi perdido: Exegese apologética da indecisão em que há um corpo vibrátil. O alento está arraigado em vivências trôpegas do que passei a chamar de condições da convivência: todas sem órgãos. Retomada do fluxo imagético-fantasmático: tanto tem invadido a pós-dramática quanto tem evadido da pós-traumática. Perseguição da intensidade do parto pós-traumático. 

Acredito que caso eu possa retomar a dimensão onde me colocava em relação a decisão tomada outrora ou considerada conforme: mais ou menos como você fazia. Retomando sempre o saudosismo performático que inventamos na kitnet. E seria além de tudo um tipo de dar de ombros, sendo mordido por um lagarto, dando a nuca pra varanda e pegando brisa na tatuagem.

L.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Trauma Cha Cha Cha - Manifesto Inacabado de Certo Repúdio Galináceo a minha própria Lira Saudosista


 
Abanei a rigidez das mãos. Abanei a rigidez das mãos esfaceladas. Sacudi como duas tábuas tentaculares as tentativas dos pedaços de madeira, sem peso algum, mas com certa rigidez que eu abanei. A rigidez da mão sangrando. Abanei a rigidez das mãos sangrando e os ombros também esguichavam nervos mnemônicos de músculos adormecidos. Memória da cloaca muscular, não, Memória da crosta muscular, não, Memória da couraça coroca que o que posso dizer é abanar os dedos no desenho de um leque, manifestando certo desapego na pulsão sacudindo as mãos.

Não posso dizer que saiba o que era aquilo que eu via escorrer das minhas mãos que eu sacudia. Não posso dizer mais nada. Estou ficando sem respostas. Chacoalho as últimas palavras esfaceladas pelo som que elas fazem ao não procurarem encontrar mais nada. Até que aconteça alguma emissão, alguma omissão ou alguma soma, ou alguma música que resuma o esquecimento para que o corpo todo interprete. Interpenetre. Se do nada isso não acontece faço minhas tentativas, minhas assertivas e minhas interrogativas, sem saber o que enfrento sem tocar o chão com os pés da estrutura passional nos diálogos que eu travo.

Não irei abana-las para que me refresquem aqui, ou para que elas refresquem a você. O vento que não é refrescante dentro da ótica ociosa do impossível inegável contra o qual travamos através de conceitos coceiras e outros tipos de trocas prazerosas de carne aquecida evanescente. Aquilo de que sumo escorra. Leque de possibilidades vocabulares incomunicáveis representativos da dualidade aparente em emissões holotrópicas, epifânicas, e de toda sorte de manifestações alfabético idiossincráticas.

Após ter contado todos os meus pertences em três caixas encerrei aqui todo meu processo de contagem. A cortina da varanda balançou em espiral, as pessoas no ponto de ônibus sacudiram em espiral, e minha platéia se abriu em leque, em flor de pétala a cortina vermelha. Suor no peito rendado do vestido bordô salgava a trama alambrada da poesia ralinha água com açúcar do seriado entre as sendas das mais polêmicas dentre as novelescas. O assombro do prenúncio de um caso de incêndio na família havia me tomado e me guiado enquanto eu arrastava aquelas três caixas sem apetite nenhum que impusesse à unhas cavacos de pele humana dentro da história não humana daquele e de todos os prenúncios.

Ao apertar o botão dos prenúncios estou me referindo a uma aparelhagem específica da natureza televisiva. Existe um olho aberto na extremidade de cada um dos tentáculos que parece estar interessado nisso. É alguma coisa que quando tocada eclode no seu próprio tegumento os elementos fragmentários da natureza originária de onde ela foi expelida. Através da qual minha ida e vinda é absorvida. De onde escorre espuma eclode esse curto circuito e ecoam cascas de castanha postas em combate dando o tom e conduzindo o ritmo.

O incômodo a respeito das caixas foi aumentando pouco a pouco. Ficou evidente quando eu hipnotizei o taxista no caminho até a rodoviária. A tendência impeditiva da negatividade, oriunda da interpretação univitelina do incômodo parturiente do sofrimento, vem confundindo o andamento dos meus números, de apresentação em apresentação, como se houvesse essa divisão. O que incomoda na intencionalidade das figuras emissoras de sentido é a humanização idiotamente idolátrica e ou iconoclasta, que deifica com o dedo os culpados graves, os culpados agudos e os culpados medianos, sem assumir responsabilidade alguma ou coroar o nome de nenhuma cor, de nenhuma forma, de nenhuma capacidade afetiva.

Pelo encontro como figura de emissão vital que sobrepuja toda imposição retentiva dos binarismos acerca da recepção.

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