segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Aquela Cidade


Aquela cidade onde ainda é escuro e venta é onde abro os olhos.

Tomo cuidado com a pele, as luzes e os despertadores.

Não quero que descubram aonde pode chegar.

Quando chego até ela pela madrugada

só me lembro dela quando venta.


E quando o vento fica em silêncio eu me levanto bem lentamente

fico parado mas não sai nada sobre.


Aquela cidade é o berço sobre o qual me debruço,

e um abraço ácido sobre o qual me debato

o excesso de luz sobre ela me confunde

ao abordá-la perco um pedaço.

No árido onde ninguém sabe que venta

em dado momento suspendo minhas atividades.


Aquela cidade da qual me ausentei

sob a plêiade das luzes de sódio

atravessa pelas veias abertas

em movimento é horrenda

aquela cidade está certa

ornamenta as origens doloridas

a vala onde resvalam raiz e sêmen

parafina paradigma de um sangue.


Aquela cidade presenteada com estradas

onde surgem novos shoppings presenteados

com estradas de terra e veias vinte e quatro horas

dentro de órgãos pulsando vinte e quatro horas.


É lá onde estou em movimento

as duas mãos dos membros ocupadas.


Aquela cidade fertilizada com pesos

e pontos dos quais eu não me esqueço

e não evoca melodiosas glosas nem verso nem vácuo

no vão entre até então espero que haja mais espaço

naquela cidade onde morri e retomei o compasso

com gestos rastejantes de certo preciosismo

a vida genuinamente impossível e mística

dançada e espiralada dos quadris.


Aquela cidade sem abajur acabou para mim

coloco as duas mãos no rosto que se transforma

quando venta no escuro o rosto se transforma

em pedaços de pássaro e folhas secas de carne

amalgamadas em persona de mulher tropical

disfarce do qual aproveito cada silhueta

deitado no peito da ânima daquela cidade.




Nenhum comentário:

Pesquisar este blog