segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Exorcismos de Efemérides


Extravia


todo mundo estava vendo o sussurro decolando em balé ritual evocativo

o indicador ao redor do bico traçava com a ponta no mamilo as mais distintas dentre as mais tremendas espirais

o trajeto percorrido repetidas vezes na pele amacia a glândula da órbita porosa que trejeita um gesto e acompanha os olhos de cada quadro de cada esgar alguns acham graça quando surge humor que não se pertence

chora o leite derramado sobre o ramo deleitado o rabo levantado rebolava fustigando a pele friccionava a lata gelada no irriga vasos o cheiro das folhas chacoalhando coaxava as mãos nas coxas uma foda rápida com os olhos fechados os globos orbitaram ciclos orientais de cílios postiços de uma tribo interpenetrável

a audiência ali paredes sofás livros e as geografias afetivas em escalas richter

eles estão protegidos verde enrubescidos embaixo da membrana derretida um núcleo espetacular cujas têmporas também abertas permitindo eivando a seiva vibram as veias silvam decassílabas embarafustando na sombra lembrada de luz entrecortada em levante numinoso eles se reduzem ao mais implosivo do implora aplausos

pense na preguiça que daria se a dodecafonia definisse a notação de pelos apenas pelo arrepio a própria pele acaricia então a agressividade e então daria uma bofetada e deixaria em (e/ou) a cena essa carta bomba que se extraviaria na exaltação do remetente essa carta bomba seria um exorcismo de extravia




Exorcismo de Efemérides

caminhões, homens, ou pequenos fortes, e paióis, crepitando e sustentando os potenciais. escrúpulos e poderes de toda ordem ora admitidos como ardências de longo alcance, são feitiçarias tais quais fechar as cortinas. inescrúpulo é uma palavra que não existe.


olho bem para a estrada conferindo se poderei escrever naquele caminho daquela direção em diante a palavra escrúpulo. vácuos vestígios de vírgulas velhacas para evocar o equívoco histórico universal e só encontrar os pentelhos espalhados pelo branco piso frio onde os pés acordam flechados de ritmo.


o grito de reconquista duma nuca exorciza efemérides . língua para nervo lúbrico de sussurro em lua crepitante. esta é a decapitação de uma vídeo criatura. a autópsia do meu corpo de baile cavernoso causou-me um calo fálico. diversões eletrônicas adormecidas no deserto in land empire de Bauru despertam o ciclo em círculos.

(Dezembro/2012, Bauru)

P.S.: Os registros da performance Trauma Cha Cha Cha, realizada em 02/12 em Bauru. Nesta performance eu pisoteio e faço uma trajetória espiralada sobre folhas arrancadas de cadernos pessoais com escritos diversos dos últimos 10 anos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Elogio da crueldade revolucionária" *



Um barco furado no meio do deserto
Um buraco, aberto aos navegantes
Mas aviso: não é como era antes.

Os transgressores de cafeteira elétrica
Trocam açúcares e burlam porções
Amotinados no cultivo gélido
Arredio e escorregadio.

Dentre os movimentos movediços intangíveis
Passadiços tropeiros de terras interiores
O rosto encrespado esvai  pelo furo:
Outro minuto vira a ampulheta.

É o falso risco árido do riso falto calorífico
Na partenogênese da partênope iconoclasta
O gesto de esganadura no rosto hieroglífico
Desgaste do amor-ideia uma língua captura 
O trecho inabitado no novo já imergente.

Desconsiderasse a pedra desértica em estado cru
Mas agora ela não me acolhe e nem me ignora
A vastidão de vultos e os contornos ocultos
Por avistar e por desbastar
Por hora são apenas ataques de sono e de susto habituais.

*Extraí a frase que da título ao poema desse texto de Marcelo Coelho sobre a peça Acordes, publicado na Folha de São Paulo. 



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