quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Aviso de Recebimento

Este aviso de recebimento deve ser acessado segundo as seguintes instruções:
a)      Túnel é um templo de passagem;
b)      Você está vendo de dentro o que está vindo de fora;
c)      Lá vem a luz, leve para fora do templo;
d)     Leve para fora do templo a luz no fim do tempo;
e)      Leve para flora do tempo a luz no fim do templo;

f)       Você está vindo de dentro o que está vindo deflora.

sábado, 10 de agosto de 2013

Mãos à dobra

The Silent Enigma - Francisco Reina
A sombra das obras e as sobras dos ombros, incômodos numa casa que se desdobra. A rodoviária da casa ainda está em obras. As pessoas às vezes reclamam, ou apenas dão risada, quando pesquisam distraídas. E nos espelhos, passantes das máscaras passantes, a convicção econômica de que alguma passagem foi profanada. Espelhos indexados nas paredes Google. Ainda estão em obras as estradas da casa.

Abre a janela com espelhos e acena para a câmera web um corpo nu, apenas com passagens nas mãos. Ao que o reflexo ri e reclama da sombra, apenas com passagens nas mãos. Enquanto sobra o inacabado vão se abrindo as janelas. Às vezes reclamam, às vezes dão risada. Os melhores cálculos apontam para o desvio ideal. A sombra das obras e as sobras dos ombros, incômodos numa casa que se desdobra.  



Passagem nas mãos

The Silent Enigma - Francisco Reina
saí à procura de uma luva (com garras de monstro e pele de bruxa). encontrei uma mão sendo puxada em terra aberta, com dedos de deserto e unhas moles de borracha.

o não haver a luva caiu como um dilúvio. indicadores anulares cumprimentam esticando o fio enovelado da organza. aplausos de sereia tecidos em retalho vocal.

entusiasma que haja miragem e passagem por onde fugir. espelhos nas janelas. câmeras secretas nos espelhos. carne humana nua em estado de graça. e apenas passagens nas mãos.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Olho de um Furacão

The Silent Enigma - Francisco Reina
Quando a casa encontrou o ponto onde não havia mais vento nem desvio. Apenas o redor em círculos espiralados desmembrando em calor laranja horizontal que amarela verticalmente na décima sexta hora da parede de face norte.

Para chegar até o olho do furacão a casa se deixou mover pelo frenesi de ombros afetados ao vento, e foi desviando. Códigos gestuais circulavam em atropelamento, o riso confundia as condições intrínsecas de circulação nos cômodos. Espirais desviavam sangue.

As únicas janelas eram monitores high definition exibindo imagens provenientes de uma rede de câmeras em tempo real. Essas eram as únicas janelas, com máscaras penduradas para inalações. E os desdobramentos giravam.


Na décima sexta hora do dia a face norte da casa apresentou as condições térmicas arquetípicas de um sofá sob o amarelo alaranjado da janela. Uma faixa amarela subindo pela vertical como um horizonte amarelo de vidro. É o fim do calor no olho de um furacão.  

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