terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Osso

Há um ano uma cadela foi abandonada à escuridão aberta das paredes da garagem. Não sei se foi a poesia que abriu as portas, ou se foi o palco que abriu as pernas, não sei. Era meia-noite e ela se escorava nos cantos, escutando fogos sem euforia. Sem sombra de dúvida o que ela ouvia sangrava, mas a cadela não lambia desprovida das forças da língua.

Ela se dissolveu imersa nas ondas mensais. Mas quando os furos silenciaram pariu-me afora, para que eu não contasse a história de um poema, ou colocasse em cena qualquer voz oca sem escória. Pariu-me para quebrar a perna e derrubar a porta. Girar os dramas da vida em espirais de cantigas de roda. Termine o ano latindo como uma cobra, ela disse.


O que os meus órgãos vitais estão fazendo na cena, ela me perguntou o ano todo. E pra mim era meu rim, meu pulmão, meu cérebro, meu sexo e meu coração que me abandonavam. Não o amor ao amor próprio, ou vozes sem correspondência. Faz um ano que ela deitou abandonada no óleo velho de números. Mas cavalgará na sétima semana, depois desses membros largarem o osso. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Salvo Olhar em Guerra


O teu olhar mergulhou em mim e resgatou inutilidades no dorso da carcaça nua do transatlântico. Dali, o anjo tecnológico abraçou um código, e do topo da torre se abriu em víscera.

O teu olhar mergulhou em mim e procurou pela superfície de onde emerge tanta tristeza e vontade de potência ao mesmo tempo. Duas pastilhas borbulhando no corpo.


O teu olhar mergulhou pra sempre no líquido que derrama o eixo de estragos e esquemas familiares. Da cintura pra baixo até a cintura pra cima torpor. Mas agora foi salvo de olhar em guerra.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Árvore-Tipo é uma Reza Interior



Novo Videopoema + Performance do Outro Núcleo

Com Walace Brassero, Marcos Tamamati e Límerson
Câmera - João Ricardo Ribeiro
Textos e Edição - Límerson

BYE BYE BANZO ou DESABAFO DA PERSONA LEVITANDO AO URDIMENTO

- é desde sempre que me perco na simultaneidade das informações. basta o reencontro com o mato silenciado de calor no cruzamento da rua da extinção com aquela que acaba debaixo do viaduto. escuto tantos recursos respiratórios que pode-se afirmar, dou ouvidos à respiração de vozes consumadas em grafemas de contornos antropomórficos. desde antes vão ficando frases engasgadas aqui e ali, nas dobras das diversas instâncias emissoras, diante dos aparatos disponíveis ao final do ano. acontece algo no corpo quando elas esfriam para reencontro. e nós já passamos tanto frio em cena, circundados de saudades, outras vidas, sol, lua, estrelas, e formas de falésia em vocês. corpos em colisão de atmosferas. saudações de fogos e solidificações nos atravessaram até então. ao constatar o formigamento nas costas associado a fragilidade no discurso tenho comigo que até a pouca importância passa.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Árvore-Tipo


Últimas Actions de Poesia Performática com
Outro Núcleo de Espetacularidades
Dezembro 2013


Árvore-tipo Secreta - Sonra Vegan Rurales (15-12-2013)
Árvore-tipo Secreta - Sonora Vegan Rurales (15-12-2013)


Árvore-tipo Secreta - Sonora Vegan Rurales (15-12-2013)





Registro quase completo da performance Árvore-tipo III, realizada no Exílio Art Pub (Bauru - SP)

05-12-2013



Árvore-Tipo Birthday
Performance de pintar uma TV de branco
Performance, vídeo e edição - Límerson Morales
02-12-2013 

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