quarta-feira, 23 de abril de 2014

Quatro Objetos Travam Relação Diante de uma Fotografia Ondulante

( muy fragil )


Entra a Pessoa. 

A PESSOA
Nem sempre alguém tem algo a dizer.

A PUPILA (abrindo)
Uma frase de retratação ondula contra a luz.
(permanece aberta)

A PEDRA(caindo)
Não entendo aquela resposta. Mesmo assim, tentei repeti-la, no que ela encerrou a conversa, olhando pra baixo e indo embora.

A ÁGUA (Pessoa olha fixamente para Água)
Qual o incômodo quanto a tua reação ao que ela disse?


A PEDRA (Pupila começa a lacrimejar)
Ter sido algo entre a gafe e o teatro do invisível, entende a minha ansiedade? Eu falei isso, entende a minha ansiedade?

Pessoa acolhe e conforta Pedra

A ÁGUA
É, cometemos alguns erros nas gafieiras da vida social.

O TEMPO(que estava ali o tempo todo)

Bem, estou indo embora daqui.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Monólogos de uma única fala


PRIMEIRO ATO
I.
PERFUME: ontem arrebentou meu sapato na folha de laranjeira 
FIM

II.
LARANJEIRA: ontem arrebentou meu sapato no galho de perfume
FIM

SEGUNDO ATO
I.
A FESTA: hoje o galho arrebentado da folha fisga as orelhas de perfume até mim.
FIM

II.
A FOLHA: hoje o galho arrebentado da festa fisga as orelhas de laranjeira até lá.
FIM

EPÍLOGO MIÓTICO

SAPATO: tem um perfume que me dói.

FIM

Cai o pano.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"Memórias Póstumas de Macunaíma"

Foto original - Catharine Elorza

hoje tinha uma cortina vermelha no lixo seco da chuva. eu puxava e era uma cortina velha infinita, velha e infinita. numas remanescências da costura, pequenas cascas pretas (que depois notei serem folhas marrons) estavam secas, mas grudadas e vivas entre as finuras nas dobras da cortina. tudo ao redor vinha de uma voz seca que ecoava viva abraçada nas dobras da cortina. foi hoje que tudo atravessou aquele furo preto da cortina.

encontrei as bordas do brocado de dentro para fora do buraco da bacia, respirando as costelas para dentro e as costelas para fora, além de inclinações que vão alterando o contorno. music for eighteen musicians para apalpar a queda da areia do fôlego. areia do fôlego. e polinizar a pedra do fogo das unhas. o fogo das unhas. além de inclinações e lentos sapateios. além de inclinações do buraco das asas, salivando para dentro e para fora, concentra uma fresta que se estreia e expande das mãos.

vai penetrando o buraco aberto pelo o corpo no ar. ali pendula do pescoço o casal de araras miniaturas. a membrana de abelha na camada capro vulcânica entre carne e unha atravessa a terra de cócoras.

e mesmo assim nos livros dentro dos tecidos à dois alguns insetos ainda não existem.


(Bauru, 2014 - texto para novo solo em processo com nome provisório)

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