quarta-feira, 11 de junho de 2014

Acabou a boca e o umbigo, prosa poética para três ou quatro vozes


- Quando as mãos se tocaram o que havia de memória tomou as intenções do corpo de sentidos. Estes foram se acumulando no corpo conforme os vestígios se despedaçam nas fantasmagorias que percorrem as narrativas em movimentos marcados, em endurecimentos que não estão mais ali. É o gesto da pesquisa que vai desencadear nesse labirinto a possibilidade de alguma ruptura, ou do sentimento de alguma prontidão dentre os escoamentos de ecoamentos de memórias que não estão mais ali? É uma interpretação desesperada e desimportante das profundidades que intercalam os limites das coisas que são? Escapou novamente, antes que o reconhecimento estimulasse o gesto necessário para a incisão. 

- É uma ameaça o percorrimento contínuo de escapamentos entre as prontidões. Enquanto alguns fazem desses centros atributos em torno de nomes e sobrenomes, eu engasgo feio quando passa de fininho uma saia de passarinha, sobretudo quando a voz lembrada cai de uma folha seca no chão. Quando eu mastigo os alarmes meticulosamente respiro o desmoronamento de perplexidades. Para ser execravelmente exato, quando o ar atravessa a garganta e os dedos atravessam a garganta e o ar atravessa os dedos e a voz atravessa os dedos e o ar atravessa a palavra nos dedos e a língua atravessa os dentes na boca dos dedos e uma palma da mão encosta uma nuca não consigo mais extrair ações dramáticas, ou ações quaisquer, ou corpos quaisquer. 

- Uma criança me ensinou que acabou a boca. uma criança me ensinou que acabou a boca e o umbigo. Uma criança em corpo de pedra, talhada em estátua, no centro da praça. Não tinha rosto, não tinha nome, não tinha autoria. 

- Uma criança em forma de rins. Uma homenagem sem drama. Uma drenagem.

Pesquisar este blog