terça-feira, 3 de junho de 2014

Por favor, continue

Filme Le Révélateur (Dir. Philippe Garrel, 1968)
- onde você estava? aonde você está indo?
- é impossível dizer a verdade! faz tempo que tudo anda descartável demais para salvar alguma vida por aqui, ou para uma musa ou para um herói.
- você já pensou em todo um elenco novo e invisível?
- é a história da minha vida. é a história da minha vida. estas constatações resumem isso que chamo de.
- onde você estava? aonde você está indo?
- eu estou morrendo de rir de medo da coragem. são cores em célula nervosa para miragem de menos amor. nós somos essa célula nervosa refletida naquela árvore.
- cansa tanto quanto o começo de um arremesso... quando a onda é só pedaços de começo e de arremate! poderíamos facilmente ser abandonados por aqui. ou prontamente estapeados ou esfaqueados. qual árvore?
- ou confundidos! confundidos com o mesmo outro de sempre. por isso, toda vestimenta é um lugar iniciático de travessões e de travesseiros e de e voz, e voz e voz.
- onde você estava? aonde você está indo?
- está começando a estaticidade. a luz azul no rosto congelado daquela árvore. parece apresentadora infantil, congelando o sinal infantil infinitesimal.
- que árvore? a do braço direito congelado? na verdade, ela ou tudo é uma vela ou uma tela ou um furo no fundo de uma abreviatura.
- o longe esvaziado no fundo do lago de algum lugar. só tem lago naquele lugar.
- tem um furo no lugar do fundo do lado de fora. no lugar do calor, tudo esvazia. uma vela no tronco de flor cinza, abrindo e fechando os arcos e flechas sagitarianos no corpo fechado do espelho.
- sim, tudo é uma vela no tronco de flor cinza desde então, uma abertura no dorso do dia, abrindo e fechando os arcos e íris sagitarianas no ombro do vestido sem plateia do corpo fechado do espelho.
- onde você estava? aonde você está indo?
- calma. obrigado. por favor. continue.

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