terça-feira, 26 de agosto de 2014

Entrelinhas “entre parênteses”



A primeira palavra é muro. Depois é exército. E então, Deus é a palavra lugar. Uma ferida corta dentro bem no meio da pele uma palavra consumida na casca de terra. Este lugar respira debaixo da pele consumida na terra. Um gesto limite de língua visto na pele da terra da voz.

Casca de pele ferida no nariz referido. Pele dentro da casca de terra ferida, e um sinal na pele consumida que ocupa o lugar. Cascas dentro da terra consumida no lugar do nariz referido. Entre cascas de pele ferida e o nariz da terra consumida. São entrelinhas entre parênteses vistas nos lugares entre aspas.

E cascas de pele entrelinhas dentro do nariz entre aspas. Um sinal de pele, debaixo da casca entre parênteses, é a pele da ferida consumida que ocupa o lugar. Aspas penetram na terra consumida, e um sinal entre parênteses é visto no lugar do nariz humano: o nariz da terra entre aspas descasca entrelinhas.


Muro é o lugar da primeira palavra. E no lugar do muro a ferida da primeira palavra. E no seu lugar um gesto de língua escuta. A língua encosta no muro no lugar de alcançar a ponta do nariz. E o muro no lugar do lugar debaixo do lugar foi visto bem debaixo do teu nariz.  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eles estavam quase chegando lá


Eles estavam quase chegando lá antes de terem se encontrado. Quase. Quase depois de todas as experiências sensoriais nos salões aromatizados e nos pombais. Quase depois de todas as idas e vindas extracorpóreas nos terrenos baldios nas praças encantadas e nas churrascarias psiquiátricas. Quase depois de todos os atrasos que ainda restavam e dos problemas que aquelas imagens construídas reformulavam. Quase tudo isso. Parece estranho, mas decidiram que diante do espelho com escutas seria o melhor cenário para um bom eco de estátuas travar o que seria reconhecido majoritariamente como uma inesquecível e inconclusiva conversa de seres insuportáveis. Foram encontrados, e assim se deu, quase tudo no mais alto e bom som:

- Insisto na desistência.
- Oi?
- Oi! Insisto na desistência.
- Isso não é desistência.
- E o que seria?
- Seria mais um problema com a realidade.
- Assim se resume então? Numa competição entre uma epidemia e um genocídio?
- Numa competição entre a epidemia, o genocídio, a depressão, os territórios, as anestesias, as explicações, as interpretações... e isso e aquilo que acontece ali, e isso e aquilo que acontece lá...
- E quanto a isso e aquilo que não acontece nem aqui e nem lá?
- Isso é outro tipo de problema com a realidade.
- Tudo bem, tudo bem eu entendo.
- Isso é o que me preocupa.
- E isso é o que menos importa.
- Entendo. Preocupante. Mesmo.
- Este diálogo parece estar se voltando sobre si mesmo...
- Sobre quem ele deveria se voltar? Um diálogo é um diálogo, vai se voltar sobre outra coisa? Não!
- Vai se voltar sobre outro diálogo. Sobre o diálogo em si. Sobre qualquer outra coisa! É para isso que estamos... sendo conduzidos.
- Percebo aí algum sinal de desistência.
- Isso não é desistência. Isso não pode ser desistência. Seria, caso estivéssemos em convergentes caminho de volta.
- Então, você quer que eu acredite que este diálogo estaria se voltando para um monólogo?
- E o que seria?
- Um monólogo da esclerose, caso fosse. Não, um monólogo da dupla personalidade que sofre de dupla incapacidade retórica, caso fosse.
- Não caberíamos como vozes nem dentro da mente mais estúpida?
- Nem dentro da mente mais pretensiosa!
- Nem dentro da mente mais pedante e primitiva?
- E como uma só mente poderia ser pedante e primitiva?
- Vamos conversar mais que um dia chegaremos lá.
- Insisto, sobre chegar lá é que isso não é. Sobre chegar lá é que isso não é.
- Esse é o slogan da sua candidatura?
- Não leve à mal, mas acho que desisto.
- Tão cedo e já chegando ao ponto?
- Sobre chegar lá é que isso não é.
- Mas isso não é desistência.
- Insisto na desistência.
- Oi?
- Insisto na desistência.
- Oi?
- Oi!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Mergulho de Manuscritos


não saía nem sangue do buraco na sola do pé. nem em um músculo dentro da pele, nem uma minúscula dor doía. nem dentro e nem além. nem a tensão no pulso direito vinha dali. nem a conversa fiada dos homens de confiança passava por ali. nem uma planta silvestre ou um animal selvagem vigia os seus gestos dali. a terra mesma evita acoplar qualquer apêndice natural naquele furo da sola do calcanhar. tenho mesmo passado os dias a observá-lo, apontando com o dedo de um cão para o que seria uma jaula, e as estrias híbridas de todos os felinos. e esses riscos de todas as épocas, quando reconhecem ou correspondem às pretensões do rosto feminino, que não se especifica da vida ali dentro com somenos importância. não sei se quando se alcança é isso, eu não sei, eu não estou te escrevendo mais. mas escuta você também se o chamado da queda não está vindo dali.


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