terça-feira, 21 de outubro de 2014

claze muerta

na rua da alma chuva e nos folgos de artifício, de onde todos os lugares se foram, de todos os lugares do corpo. os passados conversam com as realidades dos grupos, a dança de inimizades fantasmáticas, a vida perversa das caricaturas em silêncio, os membros de uma estátua que homenageia e envia cartas. isso foi levado à sério demais, não poderia ser interrompido. há muita confusão de sentimentos, e envolvimentos distorcivos da realidade nisso que estamos fazendo, por conta de escolhas que precisem o rasgo de fogo na pele: parece que o público conhece segredos melhores. se eu fosse imitar você falando sobre mim, você seria essa cidade, pensamento.

(a dona aranha estava atrás do espelho, veja nessa foto que ela atravessou, a cada constrangimento, a cada constantemente, a dona aranha estava atrás do espelho (

                     











  =                                      ))))))))))))))))))))))))

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Escritura ondulada escurecendo


LADO B

Esse encontro é uma caminhada. Duas rodas giram no caminho desse conto. Os pés encostam os relevos de marcas invisíveis no chão, a pele. Ao ver ouvir a cicatriz com brilho no olhar, parou para levantar mais o joelho. Conforme levantava a barra da calça os cabelos compridos iam escorrendo do joelho. Uma bofetada, uma gargalhada. Uma peruca que ia até os sapatos. Magma de vidro e lágrima de cristal até pareciam os limites da cicatriz sob os pés. Marcas invisíveis no chão, duas rodas que giram no caminho. Fazíamos massagem nos pés da veia jangoulart. 

Quando olhamos juntos para o palco da praça vimos que era um aquário. Encostada aos pés da árvore preta estava black tree. Um banquinho e um Godot, com galhinhos de Godot, e arbustos de Godot, e arbúsculos iluminados. Encostada aos pés da árvore preta estava black tree. Black tree, going dark. The wig on the edge of the branch. And the wig on his knees. Under his skin wavy hair. Árvore preta, escurecendo. A peruca na ponta do galho, pendurada. Escritura ondulada escurecendo. E a peruca ondulada nos joelhos. Pendurada nos galhos os cabelos ondulados debaixo da pele. 

LADO A

Aquele aquário era o palco de um teatro de marionetes deslumbrantes. O nosso encontro aconteceu ali. E como não havíamos combinado nada, eu me aproximei da sua mesa e perguntei:
- Posso apertar a mão, que apertou a mão de Beckett, que apertou a mão de Joyce?
- Não, ele fez questão de enfatizar em bufonaria.
- E um tapa na cara, posso?
- Ah, isso não teria como negar.
E foi assim que dei minha bofetada histórica no gênio. E não parou por aí, porque quando um cachinho escapou do elástico e escorregou até o nariz, ele foi virando o rosto, do lado avermelhado pelo tabefe ao lado intacto. E eu continuei o esbofeteamento, até cansar a frente e as costas da mão.
- Isso não é um teste de elenco. Se você não der nenhuma orientação, provavelmente não vamos chegar a lugar algum. 
- Essa nunca foi a minha finalidade, ele respondeu.
Respiramos fundo até que o drama pudesse se instaurar.
- Afinal de contas, o que você quer de mim? Eu não tenho o comentário histórico que vai livrar a tua cara. Nem mesmo a poesia nunca livrou a cara de ninguém.
Fiquei em silêncio olhando nos olhos dele para que ele continuasse.
- Você sempre sai por aí com essa cara de quem acabou de acordar de um pesadelo?
- Eu sempre escondo a outra face.
Era para eu ter dito "eu não dou a outra face", pra não correr o risco de ele me levar a sério, como deve ser feito com um perigoso admirador. Eu era isso antes das bofetadas, e precisava arrancar do nosso encontro a gargalhada mais judia possível entre um negro e um judeu, uma gargalhada negra.

Pesquisar este blog