terça-feira, 11 de novembro de 2014

OUTRO NÚCLEO DE ESPETACULARIDADES

VIDEOINSTALACIONES INCOMPLETAS

I.
O clima é de descontração, ou qualquer outra distorção perversora e publicitária no jornalismo dessas empresas de alcance nacional, é um clima de descontração. Até um desconstrutivista escutaria isso ao vê-lo se mover no vídeo, rindo e se esforçando o tempo todo para sempre estabelecer o controle dos distúrbios de atenção despertada. Então, dizendo o tempo todo “Começou”, ria como se estivesse em serviço, mas distraído e comemorando a dispersão com um novo “Começou”, numa retomada duvidosa da seriedade. “Bom, começou”, etc. Era impossível que com a repetição dessas sugestões, sempre acrescidas de uma informação nova em cada fragmento, não ocorresse um corte mais específico, para além da pele, mas na diferença das direções, para além de algo que estivesse acontecendo enquanto alguém pudesse não estar mais prestando atenção.

II.
De cabeça baixa, em pé, com a nuca olhando para cima, e sendo atingida por gotas geladas, e petrificações de parede fina espatifando bem no pescoço, nas costas, nas pernas, chegando a atravessar os tecidos sobre o corpo, com a noite da cor quente do corpo. E a noite impermeável de gotas geladas na nuca é a cor quente do corpo. O peito umedece e a pélvis congela, ou será que estamos de ponta cabeça? E até olhando para cima o vento estica os fios elétricos como elásticos na mão dos postes. Os postes estão nas mãos de quem? Os postes são muito concretos. Nem tudo está nas mãos das árvores ou daquelas outras árvores ou daquela outra árvore ali. As árvores doendo dentro e fora da terra também são coisas muito concretas. As árvores de alta tensão emitem sinais wireless. 

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