segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Detalhes sobre Stefania


Algo beliscando o coração com a língua, e apalpando a fome com o braço dentro da jaula, por acaso, seria algo além do detalhe?

O vento nos cabelos dos braços de Stefania vendo os produtos dos espelhos
nos produtos da luz do dia?

A nuvem da manhã respirou o último dia daquela folha pendurada nos cabelos dos braços dela?

Estava caminhando e os olhos de boca gritantes foram levantando fumaça e som cantando Stefania da manhã vermelha?

A benzida de saliva e suor falado soava a fome das nove horas da voz beliscando o coração com a língua da loba interior?

E os buracos abertos no chão por onde o vento sussurra: É por ali, agora. É por aqui, depois?

Os vermes da própria palavra exploram esses vazios abertos como se fosse mesmo o corpo de um autor?

Stefania acorda dos azulejos na garagem quando chove para viver as metades por inteiro que esvai o líquido da coragem em olhos tintos?

Por isso encosta o ouvido no som e escuta no sussurro do chão o som dos furos na máscara do dia seguinte?

As sombras de Stefania abriram os olhos para as manchas anestesiadas nas cores dos temperamentos?

Então ela é a criança que inventou a madrugada com insetos e buracos abertos no chão?

Sim.
Agora a serpente observa o tempo e o coloca à prova.


(Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro de 2014)

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