terça-feira, 28 de abril de 2015

Repetição do gesto cravado na faca


APARIÇÃO DA REPETIÇÃO
O corpo de sondas e sendas no chão sem firmamento
pensa derramando ramalhetes de raios.
E quando apela ao crime desorganizado da arte
faz sombra de sexo no centro das costas.
As suas interrupções são os seus acontecimentos,
Levanta o braço e mostra o gesto cravado na faca.
E repete aquele gesto cravado na faca.

PRIMEIRA APARIÇÃO
Ela é uma mandala de pétalas.
Um arranjo floral de formas,
Em dobras, a inocência de rugas.
Pendurado na ponta imperfeita
Dos galhos mais finos e lisos,
E conduzida pelos pedais de vento.
Insetos de fumaça nas unhas humanas
Agarram com ferrões de açúcar a xícara.
O dia estava alado com noites
Desde os primeiros minutos.
E ali estavam os seus músculos
De líquido anímico e zês vazios.
Mas qual era o plural de zê?
Levanta os braços e mostra o gesto.
E repete aquele gesto cravado na faca.

SEGUNDA APARIÇÃO
Ele chora contabilizando ocorrências
Ele estava organizando uma linha
Nessa semana começou algumas coisas novas
Como congelar uvas e manipular repelentes.
Ao olhar o retrato dos novos ídolos
Todos já eram cadáveres
Chapas de radiografia
Fóssil retratos sorrindo
Nas sacadas do fim do mundo.

CONSTRUÇÃO DA APARIÇÃO
Aquele corpo repete o gesto
E levanta poeira cravada na faca.
Levanta o braço e mostra o gesto,
E completa a cerca elétrica ao redor.
E a primeira história daquele período
Arranca uma desilusão com a faca,
Deixando uma abertura no espelho:
Espinhos sem foco costurando nitidez.
Levanta os braços e mostra o gesto.
E repete aquele gesto cravado na faca.

(Abril, 2015)


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